Estudo mostra que crianças e adolescentes não usam equipamentos de segurança corretamente. As quedas podem provocar lesões faciais

Passear de bicicleta sem os equipamentos de segurança aumenta o risco de fraturas no rosto e traumatismo craniano
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Passear de bicicleta sem os equipamentos de segurança aumenta o risco de fraturas no rosto e traumatismo craniano
Os equipamentos de segurança – capacetes e luzes iluminadoras – não são considerados itens essenciais para crianças e adolescentes quando o assunto é andar de bicicleta. Para os especialistas, os pais e ciclistas mirins não percebem que ela não é um brinquedo e, sim, um veículo de transporte. O resultado da negligência com a própria segurança são quedas com consequências sérias: fraturas no rosto, traumatismo craniano e, muitas vezes, a morte.

À primeira vista, o alerta parece exagerado. Mas as estatísticas oficiais sobre o assunto revelam que não. Dados divulgados pela organização não-governamental Criança Segura mostram que 76 crianças com idade entre 10 e 14 anos morreram em acidentes de bicicleta em 2007. A quarta maior causa de óbitos nessa faixa etária. Ao todo, 133 crianças de 1 a 14 anos faleceram pela mesma causa naquele ano.

Uma pesquisa realizada pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) reforça a necessidade de mais atenção dos pais com os passeios dos filhos em bicicletas. Levantamento feito pelo cirurgião-dentista José Luis Muñante-Cárdenas, da Faculdade de Odontologia de Piracicaba, aponta que os tombos de bicicleta foram as principais causas de lesões na face de crianças e adolescentes atendidos pela área de cirúrgica do hospital da instituição.

José Luís conferiu os atendimentos feitos durante dez anos, de 1999 a 2008. Do total de 3 mil pacientes atendidos, 757 tinham menos de 18 anos. Um terço deles teve lesões faciais por causa de acidentes ciclísticos. “É um índice muito alto comparado ao de outros países, que fica entre 4% e 14%. Além das pancadas, há muitos registros de fratura nos ossos do rosto”, afirma.

O dentista ressalta a importância de os pais ensinarem os filhos a se prevenir de acidentes. “As crianças não usam os dispositivos de segurança de forma adequada para andar de bicicleta, moto ou mesmo em carros. Bicicleta não é brinquedo, é um meio de transporte e 98% dos pacientes não usavam equipamentos de segurança quando se machucaram”, alerta.

Para Alessandra Françoia, coordenadora nacional da ONG Criança Segura, a bicicleta deve sim ser considerada um brinquedo, já que as crianças não têm condições físicas ou motoras para andarem no trânsito com elas. "É importante que elas tenham locais seguros para passear de bicicleta, como praças, parques e ciclovias e fiquem distantes dos veículos", diz. Ela aponta também que a falta de cultura de prevenção e do uso do capacete e sapatos fechados é preocupante.

João Milki, professor de cirurgia e traumatologia da Faculdade de Odontologia da Universidade de Brasília, lembra que outro artefato pode ajudar e muito a proteger os dentes: os protetores bucais. Feitos de materiais flexíveis, eles se modelam à boca e seu uso têm se tornado cada vez mais popular entre os atletas. O dentista não recomenda que crianças muito pequenas o utilizem. Mas, a partir dos dez anos, ele acredita que seja um bom aliado.

“Depois dessa idade, a criança já trocou os dentes e quebrar um dente permanente é muito ruim. Recomendamos em todo esporte, o uso de protetor bucal. Ele protege os dentes de possíveis impactos externos. Há protetores prontos para ser usados à venda em casas de materiais hospitalares, mas eles podem ser confeccionados por dentistas. Assim ficam mais adaptados à boca da pessoa”, pondera.

Milki também defende mais cuidado dos pais com a manutenção da bicicleta dos filhos. Mantê-las em bom estado significa prevenir muitos acidentes. “Muitas vezes, são os problemas mecânicos que levam às quedas”, diz.

Itens que não podem faltar no passeio de bicicleta

- As quedas são naturais e, para evitar lesões na cabeça, crianças e adolescentes devem andar de bicicleta sempre de capacetes. Ele reduz os riscos de lesões na cabeça em até 85%.

- Os capacetes devem ter o selo do Inmetro: só assim há garantias de que ele passou por testes. Não compre grande ou pequeno demais. O equipamento deve estar confortável.

- É importante andar de bicicleta sempre com sapatos fechados e evitar cadarços folgados ou soltos.

- Lembre-se de manter a bicicleta com a manutenção em dia: pneus firmes e cheios de forma correta, refletores seguros, freios funcionando e marchas movendo com facilidade.

- Uma dica que pode ser valiosa, mas só vale para crianças com mais de dez anos, é usar um protetor bucal para evitar quebras nos dentes em caso de queda, que pode ser encomendado no dentista.

Fonte: ONG Criança Segura

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