Estudos se dividem e especialistas discutem qual a verdadeira motivação da amamentação

Quando Jessica Jochim voltou ao trabalho depois da licença-maternidade de três meses, causou inveja em suas colegas. Jochim, que havia ganho 18 quilos quando grávida do primeiro filho, emagreceu até usar o mesmo número de roupa de novo. Entretanto, os exercícios eram uma raridade antes do filho. Ela também não estava de dieta. Na verdade, a cada duas horas, ela comia, como havia se programado.

Algumas pesquisas apontam que amamentação contribui para a perda de peso
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Algumas pesquisas apontam que amamentação contribui para a perda de peso

Qual era o segredo dela, então? Simples: dar de mamar ao filho recém-nascido James com frequência, e usar uma bomba de peito para levar o leite até ele. “Todas as moças no trabalho começaram a brincar que iam para os fundos bombear leite, para que pudessem começar a perder peso como eu”, disse Jochim, que é de Washington, nos Estados Unidos, e mãe de três. “Tive um filho que tirava 600 calorias por dia de mim”.

Suspeitava-se há tempos que dar de mamar dava às mães uma vantagem para perder peso por conta da gravidez. Mas ultimamente uma série de celebridades atribuiu o emagrecimento pós-parto à amamentação, trazendo esse tópico envelhecido de volta aos holofotes. Há um amplo estudo acrescentado à discussão que sugere que a perda de peso por meio da amamentação não é um mito.

No começo do ano, Rebecca Romjin, que vestiu um modelo diminuto em “X-Men”, classificou a amamentação de seus novos gêmeos como “a melhor dieta pela qual já passei”. Depois que Angelina Jolie posou para a capa da revista W de novembro de 2008 amamentando um de seus gêmeos, ela disse que isso ajudou a recuperar sua silhueta. (Essa capa, aliás, fez dela um ícone entre os defensores da amamentação e inspirou uma estátua de bronze de uma Jolie nua amamentando ambos os recém-nascidos, que foi exibida em Londres no mês passado).

Nos dias de hoje, mais do que nunca, espera-se que uma mãe se recupere de uma gravidez e seja uma “mamãe atraente” em pouco tempo. Linhas de tratamento de pele miram as mães, oferecendo cremes de firmeza como. Mães que amamentam podem comprar tops modeladores para que possam exibir a forma.

Motivação para amamentar
“Ninguém quer admitir que está fazendo isso para si, ou ‘Estou fazendo isso para me ajudar a ficar gostosa de novo’”, diz a norte-americana Jesse Comer, cuja motivação principal para amamentar foi a saúde de seu bebê. “É complicado admitir para outras pessoas que nem tudo tem a ver com o bebê”. Mas Comer, como muitas outras mães entrevistadas para esse artigo, declara ter sentido que “até que o peso diminuísse, não me sentiria eu”.

Para essas mulheres que encolheram incrivelmente, o tempo que amamentam é precioso não apenas para o trato da pele, mas também para o cartão de libertação de dieta que vem com ele.

Mas a amamentação acelera mesmo a perda de peso em mulheres pós-parto? Depende. No ano passado, um estudo epidemiológico de 36.000 mulheres dinamarquesas descobriu que, quanto mais uma mãe dá de mamar, menos peso retém seis meses depois do nascimento. Alguns fatores determinaram o quanto ela perdeu: se uma mulher estava acima do peso antes da gravidez, o que ela ganhou enquanto esperava e a duração da amamentação, diz Kathleen M. Rasmussen, autora do estudo e professora de nutrição de Cornell.

As informações convincentes do estudo impressionaram especialistas como Cheryl A. Lovelady, professora de nutrição na Universidade da Carolina do Norte, Estados Unidos. Porém, ela lembra que as mulheres norte-americanas não amamentam tanto quanto as dinamarquesas.

Entretanto, outros estudos descobriram que as que amamentam não necessariamente acabam com a gordura mais rápido que as mulheres que alimentam fórmulas recém-nascidas. Um pequeno estudo aleatório conduzido no Centro Médico Hospitalar para Crianças de Cincinnati, EUA, descobriu que mulheres que não forneciam leite perderam mais gordura corporal que as mulheres que forneciam em seis meses, e em nível mais rápido. Karen Wosje, autora principal, sugeriu que o estimulante de apetite prolactin poderia levar mães que amamentam a comer em demasia. Ou o fato de que as mães que não fornecem leite estão aptas a se exercitar de forma mais vigorosa do que as mães que amamentam na primeira metade do ano pode ter virado a balança em favor delas.

A perda de peso com amamentação não funciona para todas
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A perda de peso com amamentação não funciona para todas
Casos diferentes
A amamentação não significou perda de peso sem esforço para Sara Juli. Depois de sete meses, Juli, que angaria fundos para uma organização de dança, perdera apenas 4.5 dos 22 quilos da gravidez. Ao rememorar, diz ela, percebeu que comera exageradamente enquanto se alimentava por dois. Mas “todos falavam ‘Não se preocupe, você vai perder tudo enquanto amamenta’”. Ao que ela respondia, “Ótimo! Pode passar o pudim de arroz?”

Depois do parto, com seus hábitos desmedidos, foi difícil mudar a dieta. “Toda a energia é sugada no aprendizado de como criar um filho”, disse ela. Depois que desmamou, ela investiu em um personal trainer e no Vigilantes do Peso . Até agora, ela perdeu 4.5 quilos em 10 semanas – e não foi graças à amamentação.

Lovelady suspeita que algumas das que afirmam que comem sem consequência costumavam ser “comedoras refreadas”. Isto é, comiam menos calorias que gastavam – digamos, 1,700 calorias em vez de 2,000 – o que, contraintuitivamente, diminuía o metabolismo. Uma vez grávidas, comiam o bastante para manter o metabolismo funcionando para o bem do bebê. No pós-parto, “perdem 453 gramas por semana”, afirmou Lovelady. Porém, “estão comendo bem mais” já que produzir leite requer cerca de 500 calorias por dia.

Apoio e críticas
Mães que amamentam enfrentam muitos obstáculos: pouca ajuda de hospitais, pouco apoio público e licença-maternidade muito curta. Por isso, defensoras como Marsha Walker, enfermeira registrada que tem ajudado mães que dão de mamar desde 1976, não hesita em elogiar as razões para amamentar em favor dos bebês e das mães. O bebê pode receber uma carga de imunidade, e mães com caso de câncer de mama na família podem diminuir o risco. A amamentação em si ajuda o útero a encolher ao tamanho normal.

Walker acha que mães que amamentam não deviam se sentir culpadas por adorar a queima de calorias. “Merecemos isso”, disse ela. “É bom que ela entre naqueles jeans apertados depois de nove meses de gravidez e 20 horas de trabalho de parto. É o que digo às mães. Vai fundo”.

Outras sugerem que as mulheres que veem a amamentação como uma ferramenta de dieta devem ter “problemas de corpo mais profundos”. É o que defende Claire Mysko, autora de "Does This Pregnancy Make Me Look Fat?" (“Essa Gravidez Me Faz Parecer Mais Gorda?”, em tradução literal). Ela estava preocupada com nossa preocupação cultural com o peso no pós-parto.

Mysko, junto à coautora Magali Amade, falou com mulheres que tentaram vestir roupas de antes da gravidez assim que voltaram do hospital. “Nosso conselho é que você seja motivada pela saúde de seu filho”, afirmou Mysko.

Algumas mulheres dizem que a amamentação se torna uma muleta para elas. Ellen Martin, produtora de animação do Nickelodeon, lamentou quando parou. Ela sente falta da ligação “muito íntima” com a filha, mas também com o fato de que podia “manter um apetite extremo sem ganhar peso”.

Melissa Ramsay Miller, mãe que amamenta de Luella, de 4 meses, está ciente dos limites da habilidade da amamentação de “ter o corpo de volta”. Ela tem mais 2.2 quilos para perder, mas disse que tem um “estômago macio”. “Não faz sentido voltar a ser o que era antes”, ela disse com sinceridade. “Não tenho problemas com isso”.

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