As palavras-chave para crianças que estão a um passo da reprovação são organização e empenho, tanto dos pais quanto delas mesmas

Final de ano: os planos de férias e as provas finais podem ser fontes de estresse para as crianças
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Final de ano: os planos de férias e as provas finais podem ser fontes de estresse para as crianças
Final de ano para as crianças é sinônimo de férias, calor, praia e muita diversão. No entanto, o período que antecede o momento mais esperado pelos pequeninos também pode ser o mais intenso de todo o ano, embalado por ondas de estresse, preocupação e muitos outros problemas. Afinal, é preciso passar de ano para ter seu passe para a diversão garantido.

Para quem ainda deve nota na escola, ou que depende de ir muito bem nas provas finais para passar de ano, a ajuda da família pode ser definitiva na recuperação de quem julga o ano como perdido, e o papel dos pais nesse processo é fundamental na busca por resultados positivos.

A pouco mais de um mês das provas finais, as palavras de ordem para quem quer recuperar as notas e entrar o próximo ano com todo louvor são organização e empenho, já que repor neste curto espaço de tempo todo o ano de conteúdo mal apreendido representa um desafio e tanto. No entanto, para além de planejar o que fazer para ajudar a molecada a escapar da “bomba”, é necessário entender quais fatores dificultam o processo de aprendizagem de cada um.

Pavio curto

Dois caminhos bastante distintos podem levar uma criança a correr o risco de repetir de ano na escola, felizmente ambos solúveis: fatores internos ou externos. É preciso ficar atento para perceber quando algum aspecto da vida da criança e de família interfere em seu processo de aprendizagem, e que sinais indicam que a criança possui algum desses problemas, comprometendo seu desempenho na escola.

De acordo com Maria Irene Maluf, Pedagoga e Psicopedagoga especialista em Educação Especial, editora da revista Psicopedagogia, e Conselheira Vitalícia da Associação Brasileira de Psicopedagogia, “crianças que dependem de nota no final do ano geralmente chegam neste ponto ou por dificuldade na disposição para os estudos, ou por possuírem diagnóstico comprovado de algum transtorno de aprendizagem”.

Para a especialista, crianças com indícios de transtornos como discalculia, dislexia, TDAH, entre outros, devem procurar profissionais imediatamente a fim de trabalhar as questões o mais cedo possível, antes que elas comecem a prejudicar em larga escala o processo de aprendizagem da criança, deixando-a cada vez mais para trás em relação ao restante da turma.

Já por trás da indisposição para aprendizagem, os vilões da história podem surgir sob a forma até da convivência em família. A instabilidade emocional vivida dentro da própria casa, em decorrência de brigas constantes, separação ou desemprego, podem ser responsáveis por provocar uma transformação nas prioridades da criança, que passa a gastar mais tempo pensando nos problemas de casa do que nas informações obtidas com seus professores na escola.

A produtora de elenco Viviane Simões, mãe de João Pedro, de 7 anos, conta que matriculou seu filho na segunda série de uma escola conceituada da cidade de São Paulo, em período integral, esperando bons resultados. João, no entanto, teve problemas para se adaptar ao modelo educacional oferecido pela escola e está dependendo de notas altas para passar de ano. “Para ele, que é uma criança muito lúdica, a escola é um espaço social onde ele vai para brincar e se relacionar. Como a escola trabalha com apostila, que é um método de ensino de massa, ele começou a ficar para trás e tirar notas baixas”, conta.

Viviane mudou os hábitos do filho para ajudá-lo a com as provas de final de ano, mas já procura outra escola, que trabalhe com métodos mais alternativos, para matriculá-lo. A falta de adaptação da criança ao modelo de ensino oferecido pela escola em que está matriculada também pode criar lacunas em seu processo de aprendizagem, dificultando a apreensão dos conteúdos e seu desempenho nas avaliações.

Trabalho intensivo

Seja por indisposição, seja pelo diagnóstico de transtornos de aprendizagem, tentar recuperar as notas perdidas durante o ano é uma tarefa complicada, que requer organização, empenho e disposição, tanto da criança ou adolescente quanto de seus pais. Quézia Bombonatto, psicopedagoga, terapeuta familiar e presidente nacional da Associação Brasileira de Psicopedagogia, conta que em muitos casos “a familia delega responsabilidades a uma criança que ainda não tem noção de entrega, prazos, e comprometimento e, por isso, é preciso ajudá-la a entender o que é estudar e que disposição deve-se empregar nisto”.

Organizar uma agenda de estudo focada prioritariamente nas matérias em que a criança tem mais dificuldade é o primeiro ponto para driblar a bomba no final do ano, mas sem deixar de lado as matérias em que ela vai bem, pra que ela não fique para trás nessas também. “A criança precisa se sentir amparada e confiante, o que faz com que ela reduza seu nível de ansiedade, sentindo-se mais segura para estudar e fazer as últimas provas”, recomenda Quézia. Em alguns casos, é necessário até a busca por professores particulares, já que algumas crianças não sabem nem como começar a estudar.

A organização precisa acontecer tanto no espaço físico onde a criança irá estudar, com um ambiente limpo e livre de distrações como televisão, videogame e brinquedos; como na questão da disciplina, respeitando os horários delegados pelos pais para estudar, fazer lição de casa e tirar dúvidas, entre outras tarefas. Em relação aos pais, é necessário dedicação e disposição para atender as dúvidas de seus filhos. “Os pais precisam acompanhar os progressos da criança, estar disponíveis para qualquer que seja o esclarecimento requisitado. É ao mostrar interesse nos estudos da criança que aumentamos o interesse dela no processo”, conta Quézia.

Maria Irene Maluf conta que o fato de ganhar a atenção dos pais quando consegue resolver um exercício em que sentia dificuldade é extremamente importante para a criança, já que ela se sente estimulada a provar que é cada vez mais capaz de surpreendê-los. A especialista defende ainda a redução no número de atividades na vida da criança, para não sobrecarregá-los de informações e compromissos diferentes nesta reta final.

No caso de João Pedro, foi necessário que sua mãe, Viviane, o tranferisse para turmas de meio período na escola e investisse em atividades como esportes, onde ele gasta energia, além de sistematizar seus horários de estudo durante a semana. “Ele foi muito mal no começo, recuperou um pouco, e agora que começou a fazer esporte e terapia, passou a render muito mais. Em casa, as regras estão mais presentes: primeiro ele estuda, principalmente os assuntos em que tem mais dificuldade, depois passamos por todos os outros temas, e assim ele vem melhorando”, conta.

10 dicas para ajudar seu filho a passar de ano

1) Estabeleça horários de estudo diários, e faça disso um hábito no dia de seu filho;

2) Crie um ambiente favorável para o estudo, longe de distrações como televisão, videogame e brinquedos;

3) Sente junto com seu filho e inteire-se sobre suas dúvidas;

4) Demonstre interesse nos assuntos que ele estiver estudando;

5) Invente brincadeiras que sirvam para ajudar no aprendizado, como jogos de perguntas e respostas sobre o assunto, e participe respondendo também;

6) Comemore sempre que ele resolver questões em que tinha dificuldade, o reconhecimento é um grande incentivo;

7) Disponbilize algum tempo para lazer, como praticar esportes;

8) Na reta fina, suspenda atividades como aulas de idiomas ou informática: é preciso concentração total nos estudos;

9) Demonstre confiança em seu filho, ele se sentirá mais seguro e menos ansioso para passar pelas avaliações finais;

10) Concentre-se junto com ele na hora de estudar, para que ele se espelhe em comportamentos positivos.

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