Pesquisa norueguesa acompanhou 73 mil mulheres e concluiu que a ingestão da vitamina não influencia na duração da gravidez

Ácido fólico: precaução de todas as gestantes pode não ter efeito
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Ácido fólico: precaução de todas as gestantes pode não ter efeito
Em um estudo que reuniu dados de aproximadamente 73 mil mulheres norueguesas, pesquisadores constataram que a ingestão de ácido fólico durante a gravidez não reduziu o índice de partos prematuros.

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“Nossos dados não sustentam o efeito protetor do folato na frequência de partos prematuros espontâneos, mas o mesmo também não parece ter um efeito adverso na gravidez”, disse Verena Sengpiel, do departamento de obstetrícia e ginecologia do Sahlgrenska University Hospital de Goteborg, na Suécia.

Esta descoberta contrasta bruscamente com os resultados de um estudo americano. Publicado em 2008, ele constatou que a ingestão de folato durante um ano antes da gestação poderia baixar o risco de partos prematuros em até 70%.

Entretanto, a associação americana March of Dimes informa que, apesar das controvérsias sobre seus benefícios em relação aos partos prematuros, especialistas em saúde ainda recomendam o acido fólico antes e durante a gravidez, pois esta importante vitamina ajuda na prevenção de defeitos no tubo neural. O ácido fólico é a versão sintética do folato.

A March of Dimes recomenda que toda mulher em idade fértil tome diariamente um complexo multivitamínico com uma dose mínima de 0,4 miligrama de ácido fólico. A substância é encontrada em fontes naturais como as folhas verdes, o brócolis, o feijão preto, o melão e o amendoim.

O estudo atual se baseou em informações da pesquisa “Norwegian Mother and Child Cohort Study”, da qual participaram 72.989 crianças. Segundo Sengpiel, os dados deste estudo foram compilados entre 1999 e 2006.

A partir deste grupo, a equipe de pesquisa encontrou 955 casos de partos prematuros espontâneos. Os pesquisadores identificaram também 18.075 mulheres para o grupo controle. As participantes deram informações sobre a ingestão de ácido fólico na 17ª, 22ª e 30ª semanas de gravidez.

Segundo Sengpiel, muitas mulheres norueguesas sofrem de deficiência de folato. Na Noruega, os alimentos não são enriquecidos com a vitamina como nos Estados Unidos. Pesquisas anteriores realizadas na Noruega mostraram que o consumo médio de folato no país é de aproximadamente 0,25 miligrama, em comparação aos 0,4 miligrama diários recomendados.

As participantes foram divididas em dois grupos, com base na ingestão diária de folato das mesmas. Entretanto, a equipe de pesquisa não encontrou qualquer associação entre o consumo de folato e o índice de partos prematuros.

Sengpiel diz que diversos fatores poderiam explicar a diferença entre seu estudo e os anteriores. Primeiramente, os estudos contaram com amostras bem diferentes. Também há alguns fatores genéticos que podem estar em jogo. Em segundo lugar, as pesquisas foram planejadas de forma diferente. Aquelas que encontraram benefícios do folato sobre os índices de partos prematuros analisaram mulheres que consumiam quantidade de folato suficiente por pelo menos um ano antes da concepção.

“Este estudo é interessante, mas não sei dizer se ele vai estabelecer a ideia de que o folato pode baixar o risco de partos prematuros”, disse Peter Bernstein, professor de obstetrícia, ginecologia e saúde feminina do Montefiore Medical Center e Albert Einstein College of Medicine de Nova York.

Bernstein também sugere que o índice de partos prematuros pode ser mais baixo na Noruega do que nos Estados Unidos. Isso pode apontar para algumas diferenças dos estudos. Seu conselho às mulheres é “continuar a tomar um complexo multivitamínico diariamente que inclua 0,4 miligrama de ácido fólico”.

(Tradução: Claudia Batista Arantes)

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