Na mesma semana, celebridades causaram polêmica ao se declararem adeptas da ingestão de placenta e da pré-mastigação de comida para o filho

January Jones com o filho no colo: declaração sobre ingestão da própria placenta causou polêmica
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January Jones com o filho no colo: declaração sobre ingestão da própria placenta causou polêmica
A ingestão da placenta após o nascimento do filho e o ato de pré-mastigar a comida antes de passá-la à boca da criança são hábitos que ilustram a relação entre mãe e filho no mundo animal. Mas, na semana passada, celebridades ganharam repercussão ao adentrar este clube.

Em entrevista à revista “People”, a atriz January Jones, estrela do seriado “Mad Men”, afirmou ter ingerido cápsulas contendo sua placenta desidratada, enquanto Alicia Silverstone, também atriz, divulgou um vídeo em que aparece mastigando comida antes de passá-la à boca do filho Bear Blu, de 10 meses.

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A repercussão foi imediata. Grupos de mães se dividiram nas redes sociais, em blogs e na imprensa, tanto para condenar os atos das atrizes quando para apoiá-las. Mas, deixando de lado a repulsa cultural que ambas atitudes parecem provocar, há algum benefício em recuperar antigos hábitos animais?

Gengibre, pimenta e limão

A defesa de que a ingestão da placenta é benéfica, por apresentar altos níveis de ferro, vitamina B-12 e alguns hormônios, ganhou espaço em agosto do ano passado. A equipe de reportagem da New York Magazine acompanhou a mãe Jennifer Hughes, que procurou a doula Jennifer Mayer para cozinhar sua placenta – com gengibre, pimenta jalapeño e limão.

Embora os adeptos do método defendam que o vínculo afetivo entre mãe e filho é reforçado, não há provas científicas sobre os benefícios.

Mark Kristal, professor de psicologia e neurociência da Universidade de Buffalo, em Nova York, estuda os efeitos da chamada “placentofagia” há cerca de 40 anos. Em um artigo divulgado também na semana passada, ele afirma que é possível amenizar alguns dos efeitos colaterais psicológicos da gravidez, como a depressão pós-parto, com a ingestão da placenta.

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“Não resta dúvidas de que a placenta é rica em nutrientes como outros órgãos, mas é preciso lembrar que ela também recebe muitas toxinas do corpo da mãe”, ressalta Eduardo Borges, médico obstetra e presidente da Comissão de Medicina Fetal da FEBRASGO (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia). Isto porque a placenta funciona como uma espécie de filtro, protegendo o feto e retendo inúmeras toxinas.

Ao passar pela gestação, o corpo da mulher sofre um desequilíbrio que pode ser causado por falta de nutrientes. “A vontade de comer a placenta pode vir de uma necessidade fisiológica de repor o que foi perdido durante a gravidez, mas não é a melhor fonte de vitaminas”, completa Eduardo Borges. “A nutrição que a placenta poderia oferecer é encontrada em suplementos e outros alimentos, com menos riscos à saúde”, acrescenta o médico.

Quanto ao vínculo, ele pode ser estimulado por outros meios, como a amamentação .

Alicia Silverstone publicou em seu blog vídeo e imagem da pré-mastigação para o filho, Bear Blu
Reprodução
Alicia Silverstone publicou em seu blog vídeo e imagem da pré-mastigação para o filho, Bear Blu
Mãe passarinho

Embora seja um hábito considerado primitivo, é preciso compreender a pré-mastigação como uma tentativa de familiarizar a criança com um alimento diferente do leite materno. “A partir dos seis meses (quando deve ser introduzida a alimentação sólida) , no entanto, ela deverá ser estimulada a mastigar sozinha”, recomenda Paulo Pimenta, pediatra e professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais.

A prática de mastigar a comida antes de dá-la aos filhos envolve alguns perigos. “Para a nossa sociedade, esta não é uma prática muito cabível”, afirma Paulo. “Pode existir um vínculo, mas os riscos não compensam. A mulher pode transmitir infecções, hepatites e vírus para a criança, que tem um sistema imunológico ainda em desenvolvimento”.

Antes que a criança esteja pronta para alimentos sólidos, o mais aconselhável é amassar a comida, sem que ela perca parte de seus nutrientes e sem ficar exposta a possíveis contaminações.

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