O caçula chegou. Como lidar com o irmão mais velho e integrá-lo com o novo membro da família neste momento delicado?

Karina brinca com Maria, a mais velha, enquanto segura o caçula Valentim
Guilherme Lara Campos/Fotoarena
Karina brinca com Maria, a mais velha, enquanto segura o caçula Valentim
O segundo filho nasce e, então, surge de fato uma nova realidade. Se durante a gravidez tudo correu tranquilamente com o primogênito , na maternidade e nos primeiros dias com o irmãozinho em casa a história muda e, mais uma vez, as mães se veem em busca de novas estratégias de amparo ao primogênito.

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Levar um presentinho em nome do irmão que acaba de chegar é uma tática comum de muitas mães. Dar um boneco, no caso das primogênitas, para as filhas se familiarizarem com um menino, também acontece. “Apesar de não fazer um mal específico, encher a criança de presentes não ameniza os ciúmes e a rivalidade, que são completamente normais em qualquer ser humano. Estes sentimentos tem que ser expressados pela criança para ela poder suportá-los”, explica Ana Cristina Marzolla, psicóloga e professora doutora da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo.

A amamentação, por exemplo, pode ser um dos momentos mais “dolorosos” para o irmão mais velho. Como nesta hora a mãe dificilmente é capaz de se desdobrar para dar atenção aos dois, é comum as crianças mais velhas sentirem vontades imediatas, como querer fazer xixi ou ficar repentinamente com fome, só para desviar o olhar da mãe. E é comum também a mãe se sentir em uma verdadeira emboscada.

“Para tornar esse momento menos difícil para a Maria, passei a amamentar lendo uma história pra ela, cantando ou mesmo brincando com um joguinho”, conta Karina Pires, mãe de Maria, 3, e de Valentim, dois meses. Ela sempre usou e abusou de elogios para sua primogênita perceber que é tão amada quanto o bebê que acabou de nascer. “Sempre falei coisas do tipo: ‘está vendo, ele precisa usar fralda e você não, olha como você já está mocinha’. Ou ‘tá vendo, você já consegue me dizer o que quer e o Valentim não, a mamãe tem que toda hora adivinhar quais são as vontades dele’. Era uma forma dela se sentir valorizada”, explica a mãe.

Fazer com que o mais velho participe dos cuidados diários do irmãozinho é uma receita quase unânime de sucesso. A advogada Alessandra Alberton, mãe de Iara, 4 e Miguel, 2, sempre solicitou a ajuda de sua pequena para ajudá-la a se sentir inserida naquele novo contexto. “Pegar uma fralda, segurar um algodão, buscar um cotonete, escolher uma roupinha, ajudar no banho. Achei fundamental a Iara se envolver nesse dia-a-dia. Assim ela percebia como era importante para mim”, diz.

Um momento para cada um


Elogios à autonomia dos irmãos mais velhos são realmente eficazes na adaptação do primogênito a esse novo contexto familiar. Mas é importante lembrar que, mesmo sendo o filho mais velho, este primogênito ainda é uma criança muito pequena e requer a mesma dose de carinho e atenção que o irmãozinho. “Eu sempre administrei meu tempo e a rotina para ter pelo menos meia hora só com a Maria. Nesse momento, eu sou só dela. Brinco, assisto a um desenho, leio”, afirma Karina.

Garantir o momento de cada filho também é respeitá-los individualmente. Para a escritora Clarissa Tambelli de Oliveira, mãe de Giorgia, 4 e Heitor, 3, cada filho tem sua “hora” gloriosa. “Os aniversários são um bom exemplo. Quando é o da Giorgia, somente ela ganha presente e festa e tudo mais. E quando é o do Heitor, é a vez dele se sentir especial”, conta.

A chegada de um segundo filho traz novas necessidades e muitas artimanhas para reinstalar um certo equilíbrio na família. Mas algumas regras, sobretudo as que se relacionam diretamente com a educação, devem ser mantidas ainda que os pais sofram um pouco na hora de impô-las. “É muito difícil, pois precisamos dar bronca, por de castigo, continuar o processo que estávamos seguindo. Sabemos que é um momento mais delicado, mas não podemos poupar o primogênito das consequências de atitudes erradas”, argumenta Karina.

“A Iara chegou a dar massinha de modelar para o Miguel comer, sabendo que isso não era certo. Quando vi, fui meio impulsiva e fiquei brava com ela. Sei que foi uma manifestação de ciúmes, mas ela tem que entender o que é permitido e o que não”, conta Alessandra.

Se cada filho é uma história, não adianta colocar um e outro nos diferentes lados da balança em busca de um equilíbrio. E muito menos achar que é possível lidar com os dois filhos da mesma maneira. Segundo os psicólogos, as mães precisam confiar na sua própria percepção. E segundo as mães, quanto antes isso ocorrer, melhor. “Somos nós que ficamos nervosas e ansiosas com a chegada do segundo filho. A melhor dica é tentar ficar calma e não transmitir essas inquietações para o primogênito. Assim, tudo tende a correr tranquilamente”, sugere a mãe Karina.

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