Especialista fala dos cuidados que os pais devem ter ao comprar os itens da moda para as crianças e quais são os riscos que esses objetos podem oferecer

Muitas vezes, quando os filhos pedem aqueles brinquedos da moda, é difícil dizer não. E no momento, dois produtos estão fazendo a cabeça da criançada: os tênis de rodinha e os spinners. A grande questão é: será que são itens seguros para o seu filho brincar?

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Antes de comprar os brinquedos para os filhos é preciso verificar se o objeto é seguro
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Antes de comprar os brinquedos para os filhos é preciso verificar se o objeto é seguro


Antes de comprar qualquer coisa para os filhos é fundamental olhar na embalagem qual a classificação indicativa do item e se ele possui o selo de qualidade que atesta que o objeto foi testado e aprovado. O que acontece é que muitas vezes esses brinquedos até atendem a esses requisitos, mas se a criança faz uso de forma errada ou exagerada deles, sérios problemas de saúde podem ser ocasionados.

Spinner

Os spinners são um ótimo exemplo disso. Essa febre começou nos Estados Unidos e logo conquistou as crianças brasileiras. O objeto contém rolamentos que quando impulsionados pelos dedos giram produzindo movimentos repetitivos. Muitos defendem que o brinquedinho ajuda a aliviar o estresse e melhora a coordenação motora, o foco e o equilíbrio.

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“Acredito que seja popular entre crianças pelo mesmo motivo que o ioiô já foi, pois permite manobras, interação social e desafios, é colecionável e alguns têm Led que produzem efeitos luminosos”, afirma o pediatra membro da Sociedade Brasileira de Pediatria Nelson Douglas Ejzenbaum.  

Spinner é a nova febre da garotada
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Spinner é a nova febre da garotada


O especialista explica que por ser algo recente, ainda não existe nenhum trabalho científico falando especificamente sobre o spinner , entretanto é possível dizer que realizar movimentos repetitivos, como apertar uma bolinha macia ou girar um pião, pode, sim, diminuir o estresse e a ansiedade da criança porque causa estímulo motor.

Mesmo possuindo pontos positivos, é preciso alguns cuidados na hora de comprar um objeto desses para os filhos. “Tenha bom senso. Crianças pequenas não devem brincar com aqueles que soltam peças pequenas”, alerta o pediatra. “O brinquedo é indicado apenas para crianças maiores. Também é sempre bom frisar que assim como tudo na vida, o spinner ou hand spinner deve ser usado com moderação e em horários adequados para não atrapalhar as tarefas e deveres dos pequenos”, completa.

Tênis de rodinha

Outro item cobiçado pelas crianças da atualidade é o tênis de rodinhas , que diferente do que muitos pensam, não é considerado um calçado, mas, sim, um brinquedo. De acordo com o ortopedista e traumatologista do Hapvida Saúde Leonardo Cezar, o grande problema desse objeto é que os pequenos não utilizam de forma correta e os pais acabam não percebendo isso.

“Quando não estão deslizando, as crianças andam na ponta dos pés e isso pode causar inúmeros problemas, principalmente nas crianças que estão em fase de crescimento musculoesquelético, já que o pisar da forma errônea gera inúmeras alterações estruturais”, alerta o especialista.


Como exemplo, ele cita que os ombros podem ir para trás e a cabeça para frente, alterando a angulação da coluna e trazendo prejuízos às regiões cervical, dorsal e lombar, além de aumentar as chances de alteração postural, como a escoliose. Fora que também pode ocorrer o encurtamento em tendões do tornozelo e dos pés, causando muitas dores e sobrecarga nos ligamentos de joelhos e quadris.

“O uso inadequado também aumenta a incidência de lesão por trauma, como entorses de tornozelo e joelho, pela falta de equilíbrio e a não utilização de equipamentos de segurança”, diz Cezar. “É indicado que esse tênis seja usado como um patins. Coloque equipamentos de segurança no seu filho e deixe ele brincar no máximo de uma a duas horas por dia”, indica.

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É fundamental que tenha um adulto esteja sempre supervisionando a criança durante a brincadeira, e os equipamentos de segurança mais indicados são capacetes e protetores de cotovelos e joelhos. Na hora de comprar esse tênis, veja se as rodinhas são feitas de um material reforçado, se o calçado é confortável por dentro e se ele se prende bem ao tornozelo da criança.

Esses são apenas dois exemplos, mas não é de hoje que brinquedos que se tornam populares entre os pequenos causam preocupações nos pais. Relembre alguns desses objetos que foram sucesso há alguns anos, mas que também foram alvos de polêmica. Alguns podem ser encontrados até hoje, será que você já brincou com um deles?

Pogobol

No final da década de 1980, o radical pogobol se tornou o desejo da criançada daquela geração. O desafio era se equilibrar em uma estrutura de plástico que ficava entre duas bolas. Claro que isso não era algo fácil e os tombos eram bem corriqueiros.


A princípio, até foi indicado que se usasse o objeto com equipamentos de segurança, mas depois de um tempo, os pequenos foram se acostumando com a novidade e deixando esses itens de proteção de lado. O fato é que muitos pais tiveram que cuidar dos arranhões, hematomas e torções causadas pelo pogobol nos pequenos.   

Bonecas inovadoras

Também na década de 1980, uma boneca estava na lista dos desejos das crianças, a Snack Time. Segundo a revista Mundo Estranho, ela tinha uma boca motorizada que "mordia" peças de plástico. Depois que começava a morder, a boneca não parava mais (só se você tirasse as pilhas) e as crianças começaram a se machucar, pois prendiam o dedo e o cabelo na boca do brinquedo.


A popular bonequinha Polly, da Mattel, também já foi motivo de dor de cabeça para os fabricantes. Um modelo lançado em 2007 contava com dois ímãs nos vestidos para grudar no corpo da boneca. O problema é que esses imãs, em alguns casos, se soltavam e podiam ser engolidos pelos pequenos.  E o mais assustador é que esse item chegou a perfurar o intestino de algumas crianças.  

Bolinhas e cápsulas de gel

Sabe aquelas bolinhas de gel coloridas que são bem pequenininhas que crescem quando você deixa na água? Nem precisa ser criança para ficar encantada por elas. Bom, essa transformação pode até ser divertida, mas também perigosa.

Aqui no Brasil, essas bolinhas são mais vistas como produto de decoração, mas muitos pais ainda compram para divertir a criançada. O perigo é que, ao engolir esse objeto, ele aumenta de tamanho dentro do organismo causando problemas à saúde, como vômito e desidratação.


O mesmo acontecia com aquelas cápsulas de gel, muito populares na década de 1990, que quando colocadas na água se transformavam em um bonequinho. Novamente ao engolir, os líquidos do corpo faziam com que o gel se expandisse e algumas crianças tiveram graves problemas no sistema digestivo. É importante ficar esperto porque essa é daquelas tendências que vira e mexe voltam a fazer sucesso, como ocorreu entre 2011 e 2012.

Pulseira bate-enrola

Também na década de 1990 era comum encontrar as crianças com aquelas pulseiras que ao baterem no braço se enrolam em volta do pulso. Segundo informações do portal “Mega Curioso”, para garantir esse efeito, a parte de plástico colorido é envolvido por uma faixa metálica.

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Logo, versões de má qualidade começaram a surgir no mercado e como a diversão era ficar tirando e colocando o acessório, a estrutura de metal acabava se soltando e machucando as crianças. Até hoje esses brinquedos podem ser encontrados – principalmente como prendas de barraquinhas de Festa Junina – então ainda é preciso estar sempre de olho.

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