Pequenas atitudes dos pais podem incentivar a independência e a responsabilidade das crianças desde bebê

Apesar de saber da importância de criar um filho independente, algumas mães ainda se sentem culpadas e confundem o incentivo à independência dos filhos com negligência dos pais.

A psicóloga clínica com especialização em análise comportamental cognitiva, Mariuza Pregnolato, explica que os conceitos são diferentes. Negligência acontece quando os pais não dão atenção ao filho, então a criança se sente desvalorizada e perde a oportunidade de aprender. “O certo é criar independência alimentando a curiosidade da criança, as demandas da natureza dela”, diz Mariuza.

Acompanhar a criança em atividades do cotidiano e estimulá-la a fazer algumas tarefas, como escolher alguns itens da compra no mercado, sozinhas incentiva a independência
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Acompanhar a criança em atividades do cotidiano e estimulá-la a fazer algumas tarefas, como escolher alguns itens da compra no mercado, sozinhas incentiva a independência


Ana Cristina Fraia, psicóloga e coordenadora terapêutica da Clínica Maia, acredita que é preciso incentivar a independência e responsabilidade das crianças desde pequenas.

“A criança está aí para o mundo. Este senso de independência é o maior presente que se pode dar para um filho”, diz.

É possível incitar a autonomia nas crianças quando elas ainda são bebês, com atitudes simples. “Quando o bebê começa a querer andar, você tem que deixá-lo cair para, desse jeito, aprender a levantar. Coloque almofadas em volta para ele não se machucar, mas deixe-o cair. Ele precisa construir força e coordenação” sugere Mariuza.

Além de deixar o bebê andar sozinho, aprender a comer sem ajuda dos pais também é uma conquista importante. “Têm muitos pais que ficam com medo porque vai fazer muita sujeira na hora de comer. Mas é necessário. A criança precisa pegar e sentir a textura para aprender”, conta Ana Cristina.

Mais velhos

Um pouco mais velhos, os filhos já são capazes fazer escolhas simples como a roupa que vai usar – se precisar, dentre opções previamente escolhidas – o que também é uma maneira de preparar os pequenos para a independência.

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Além da própria autonomia, a criança adquire senso de responsabilidade ao fazer pequenas tarefas de casa: desde guardar os próprios brinquedos, arrumar a cama até ajudar a colocar as roupas para lavar.

“Em qualquer idade, sempre tem alguma coisa que dá para fazer sozinho”, diz Ana Cristina. Ela ainda lembra que é interessante tentar transformar as atividades em brincadeira, pois a criança precisa desse lado lúdico na rotina.

Comece convidando a criança para ajudar em alguma tarefa doméstica e não exija a perfeição, é o que recomenda Mariuza. Elogiar também é um ótimo incentivo para que ela queira repetir a ação e aprender cada vez mais.

Sem idade específica

Pode ser mais fácil para as mães liberar estas pequenas ações no começo da vida da criança, mas quando é a hora de deixar um filho sair sozinho na rua pela primeira vez, por exemplo?

As psicólogas contam que não há idade específica para isso e depende de vários fatores, como conta Mariuza: “Tem que estar muito contextualizado. Você tem que perceber a maturidade e interesse da criança, além de características do bairro e da vizinhança”.

Ana Cristina ainda destaca que se as pequenas autonomias são incentivadas na primeira infância, seu filho provavelmente estará mais preparado para sair na rua sozinho.

A mudança não pode ser drástica. Os pais podem ir à padaria com a criança, dizer a ela qual é o pedido, e deixá-la solicitar ao atendente o que precisa. Outras questões clássicas precisam ser lembradas: ensinar a atravessar a rua, memorizar o caminho e orientar a não falar com estranhos. Depois disso, é indicado acompanhar a criança várias vezes, cada vez sugerindo um desafio novo, até que mãe e filho se sintam prontos para uma nova etapa. Nada deve ser forçado e a confiança mútua é essencial para completar o processo.

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