Leia o depoimento de Andréa Werner Bonoli, mãe de Theo, 6 anos, e autora do blog "Lagarta Vira Pupa"

Andréa e o filho Theo
Arquivo pessoal
Andréa e o filho Theo

"De todos os (milhares) de aprendizados nesta caminhada, destaco dois que me marcaram mais profundamente.

O primeiro é que uma vida com menos 'mimimi' e mais felicidade só depende da gente. A palavra 'problema' tomou, para mim, uma dimensão muito diferente após o diagnóstico do Theo.

Matéria principal: Mães contam o que aprenderam com os filhos autistas

Passei por três estágios. No primeiro, percebi que as coisas das quais eu reclamava rotineiramente não têm a menor importância. Depois, passei a acreditar que problema de verdade era o autismo. E, finalmente, percebi que existem desafios muito maiores na vida e pessoas que passam por situações que jamais imaginamos.

Aprender a olhar para as coisas deste ângulo me ajudou a abandonar, rapidamente, o luto pela vida idealizada que perdi e a construir novas metas, novos planos, novos sonhos.

Theo tem quase 7 anos e já morou em três países com três idiomas diferentes. Isso nunca o impediu de progredir, de ir à escola, de aprender. Saímos, passeamos, viajamos.

A dinâmica da vida é diferente, mas não impede que a gente se divirta muito juntos. Ter um filho autista não impede ninguém de ser feliz e, muito menos, de viver. A dificuldade em lidar com a frustração é que faz isso.

O segundo aprendizado diz respeito às diferenças. Quando você começa a lutar pela inserção social do seu filho, pela desconstrução dos preconceitos e pela tolerância percebe que a luta de uma minoria é a luta de todas.

Eu já vinha me conscientizando disso há alguns anos, mas o Theo escancarou os meus olhos para essa situação. A minha geração, assim como as anteriores, cresceu sendo sutilmente (ou nem tanto) educada com machismo, racismo e homofobia.

Se eu peço o fim do preconceito contra o meu filho, como vou ter preconceito com o filho do outro? Se eu digo que 'ser diferente é legal', como vou julgar a diferença do outro? Inclusão social é para todos. Todo mundo quer ser feliz. Todo mundo tem seu lugar. Preconceito é feio, é ultrapassado. Quem reclama do 'politicamente correto' ou que o mundo está ficando chato com certeza não sofre com misoginia, racismo, homofobia, nem muito menos tem uma criança com deficiência em casa".

>> Acesse aqui o blog "Lagarta Vira Pupa"

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