Leia o depoimento de Fausta Cristina, mãe de três filhos, entre eles Milena, que é autista; Cris é autora do blog "Mundo da Mi"

Cristina e a filha Milena
Arquivo pessoal
Cristina e a filha Milena

"Minha terceira filha veio na hora que nós pensamos que ela viria. E nasceu linda, grande e saudável. Nos primeiros meses, eu percebi que ela se comportava de forma diferente de todas as crianças que conhecia e mais diferente ainda dos meus dois filhos, que vieram antes dela. Quieta demais, olhar vago, não se aninhava em meu colo.

O diagnóstico foi precoce, as intervenções intensas e junto com tudo isso dor, medo, incertezas e a necessidade urgente de me refazer como pessoa. Nada pode te fazer enxergar as tuas próprias limitações até que você seja colocado diante de um desafio. Ter um filho com alguma necessidade especial é definitivamente um grande desafio.

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Descobri preconceitos ocultos ao identificar a vergonha inicial em dizer: 'minha filha tem autismo'. Percebi que antes, ao dizer que a opinião do outro não importava, eu mentia para mim mesma. Foi preciso romper com as minhas dificuldades para me tornar capaz de ajudar minha filha a superar as suas.

Eu não sei dizer da dor, pois são 12 anos falando e vivendo o autismo no meu trabalho voluntário, no meu blog, no dia a dia. Então ele se tornou comum, se tornou parceiro.

Se me questionam sobre o autismo, terei ainda mais perguntas para devolver do que respostas para dar, pois, nos vários graus que o autismo pode afetar as pessoas, eu sei que ele pode realmente devastar algumas vidas. Mas sei também que muitas pessoas conseguem extrair o melhor de si mesmas justamente quando estão enfrentando pressões intensas. Na minha vida e na vida da minha família o autismo foi transformador e fez todos nós mais fortes e ainda mais unidos.

Não sou grata ao autismo, mas sou extremamente grata à força que minha filha tem para superar suas dificuldades diárias e constantes e que nos obrigou a trazer à tona a nossa própria força, aquela que nem sabíamos que existia. Ela nos revela o quanto pode e nos impulsiona a darmos, a todo instante, o melhor que temos para dar.

O autismo está aí na sua porta. Você pode não identificar sua presença, justamente porque ele assume, por vezes, identidades comuns, mas se você tiver contato com ele, apenas seja o melhor que pode ser. Seja humano e compreensivo, acolhedor e sincero.

Não julgue o comportamento diferente nem tente normalizar aquilo que é especial e você verá, assim como eu vi, se revelar em você uma pessoa diferente e melhor, muito mais plena na possibilidade de exercitar o amor".

>> Acesse aqui o blog "Mundo da Mi"

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