Filhos precisam do suporte dos pais para evitar o uso abusivo e perigos comuns das redes sociais; até a pré-adolescência, o aplicativo deve ser compartilhado com os pais

Para especialistas, proibição total de aplicativos de troca de mensagens instantâneas não funciona na vida real
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Para especialistas, proibição total de aplicativos de troca de mensagens instantâneas não funciona na vida real

Para o desespero de muitos pais, hoje em dia é quase impossível ver um adolescente sem o celular nas mãos. Em casa, na escola ou na rua, os jovens estão ativos nas redes sociais e usam e abusam dos aplicativos de mensagens instantâneas, como o WhatsApp e o Messenger. Na maior parte do tempo, esse uso é irrestrito e sem qualquer tipo de controle por parte dos pais. Até que ponto a privacidade dos filhos deve prevalecer? 

Para os especialistas, a proibição total desses aplicativos é algo que não funciona na vida real. Não dá para controlar absolutamente todas as conversas dos filhos, muito menos bloquear o acesso às redes sociais. Se isso acontecer, há grandes chances de que os adolescentes encontrem brechas para usar o WhatsApp secretamente, sem que os pais desconfiem.

“Esses aplicativos já são uma realidade, não podemos ignorá-los e sabemos pelas pesquisas que muitas pessoas estão usando. Por isso, não dá para proibir. Quando o adolescente demonstra ter uma compreensão para o uso correto dos aplicativos, não tem problema nenhum liberar. Mas é importante que os pais orientem da maneira correta, para que as redes sejam benéficas de um modo geral”, aconselha a psicóloga Nayde Rezende, orientadora educacional do Colégio Mopi.

A decisão de controlar ou não esse uso deve ter relação com a faixa etária dos filhos. Até a pré-adolescência, por exemplo, o ideal é que eles disponham de uma conta no WhatsApp – ou outras redes sociais – compartilhada com os pais. Dessa maneira, é possível acompanhar de perto todas as ações e orientar os filhos sobre o que é adequado e o que não é nos bate-papos da internet.

“É muito importante que os pais façam o acompanhamento, porque é fácil perder o controle sobre os filhos. Os adultos precisam saber com quem eles estão se relacionando. Para isso, vale conhecer os grupos nos quais os adolescentes estão presentes e sugerir a criação de um grupo familiar, para contatar os filhos sempre que possível. Eles entendem essa interferência como algo positivo”, explica Raphael Barreto, coordenador geral do ensino médio da Escola Dínamis.

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Conversa franca

O diálogo aberto é sempre o melhor caminho para a conscientização. Dessa maneira, os filhos não se sentem censurados pelos próprios pais e ficam mais à vontade para comentar alguma situação desconfortável nos aplicativos. Para estabelecer essa relação de confiança, é importante respeitar a privacidade dos adolescentes, mas sem deixar de lado algumas regrinhas básicas para o uso responsável.

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Na casa de Adriana Saad, o WhatsApp reina nas mãos das filhas Cintia e Bruna, de 21 e 14 anos respectivamente. Nessas faixas etárias, é utópico tentar exercer controle rígido sobre as mensagens que os filhos trocam com amigos e conhecidos. Essa, aliás, nunca foi uma das pretensões de Adriana. Para ela, respeitar a intimidade das filhas é fundamental.

“Nunca gostei de ler o diário ou de ver as mensagens que elas escrevem. Acho que é falta de respeito, e não acredito que essa postura realmente vá evitar que algo de ruim aconteça. Eu sempre orientei, conversei sobre os problemas e os cuidados que elas devem tomar. Temos uma relação de confiança, até que se prove o contrário”, conta Adriana.

Apesar de saber a senha dos celulares de Cintia e Bruna, Adriana prefere reforçar que essa atitude de invadir “o espaço privado” dos outros é errada e não deve acontecer nem mesmo dentro de casa. Com isso, Adriana acredita que consegue ter um caminho aberto com as filhas para que não exista nenhum tipo de receio em revelar o que está acontecendo e com quem estão conversando.

Colocar alguns limites também pode ajudar, principalmente quando os filhos são mais novos. Na pré-adolescência, por exemplo, é mais fácil que eles percam a noção do uso responsável e adequado dos aplicativos, o que pode atrapalhar a rotina de sono e até de estudos do adolescente. A orientação de Adriana em casa é simples e direta: nada de mexer no celular durante as refeições ou quando estão em reuniões familiares. Ela também chama a atenção das filhas quando percebe que elas estão “perdendo” muito tempo nas conversas online.

Dicas de segurança

Orientar sobre os perigos que existem nas redes sociais e nos aplicativos de conversa também é dever dos pais. Essa orientação é o que vai estimular e influenciar o uso responsável pelos filhos. Avisar sobre qualquer conversa com conteúdo impróprio ou sobre contatos que os filhos não conhecem pessoalmente também é um cuidado a mais que os pais devem reforçar.

“A dica é conversar sobre os benefícios e malefícios desse aplicativo, como o problema do bullying. Também vale alertar sobre a questão do compartilhamento e vazamento de fotos íntimas, que a gente sabe que vem acontecendo com frequência. É tudo uma questão de valores. Se criamos nossos filhos e os orientamos de maneira acertada, não tem problema usar o WhatsApp. Não dá para ignorar os riscos que existem e deixar os adolescentes totalmente  por conta própria”, ressalta Nayde Rezende.

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