Estudo americano afirma que esse tipo de conteúdo e a mídia influenciam jovens a intensificarem o consumo irresponsável

Para especialistas, YouTube pode ser usado de maneira mais educativa e responsável
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Para especialistas, YouTube pode ser usado de maneira mais educativa e responsável

Propaganda de cerveja, festas patrocinadas por alguma marca de vodka, vídeos humorísticos sobre uma noitada e a ressaca do dia seguinte. Tudo isso soa familiar? Pois é, realmente são enredos conhecidos. Entre as drogas lícitas no Brasil e nos Estados Unidos, o álcool continua como uma das mais divulgadas na mídia de um modo geral, com um público-alvo muito específico: adolescentes e jovens adultos.

Um estudo da Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos, revelou que vídeos do YouTube relacionados à intoxicação por álcool podem estimular o consumo precoce da bebida, sem qualquer tipo de restrição ou alerta sobre os efeitos negativos do hábito. Em outras palavras: nessa plataforma, o consumo abusivo aparece como algo legal e descolado.

"Vários estudos têm relacionado filmes que contêm abuso de álcool com comportamentos reais envolvendo consumo excessivo da bebida", explica Brian A. Primack, professor de medicina e pediatria na Universidade de Pittsburgh e um dos autores do estudo.

"Para o estudo, era difícil determinar se a exposição influenciou os comportamentos ou se as pessoas que bebiam álcool foram atraídas para esse tipo de vídeo especificamente. No entanto, pesquisas longitudinais mais recentes têm sugerido que a exposição da mídia tem o poder de influenciar comportamentos relacionados ao consumo de álcool", reforça.

Humor e irresponsabilidade

Os pesquisadores separaram os 70 vídeos mais populares e relevantes do YouTube, que de alguma maneira mostrassem casos de intoxicação por álcool, com um toque mais humorístico ou “positivo”. Todos tinham uma duração aproximada de quatro minutos e, combinados, foram assistidos pelos menos três bilhões de vezes. A conclusão foi de que esse tipo de material tem o poder de influenciar mais pessoas do sexo masculino do que feminino, e quase metade desses vídeos (44%) tinha relação com alguma marca específica de bebida.

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“Enquanto a intoxicação por essa droga é mostrada em quase 86% dos vídeos, apenas 7% citaram ou fizeram alguma alusão à dependência de álcool. A avaliação pelos usuários da rede social também é mais positiva (com mais “likes”) quando as bebidas fazem parte de alguma cena de humor ou quando uma marca de bebida é citada. O sentimento foi mais negativo quando os vídeos mostraram as consequências do consumo excessivo do álcool”, afirma Brian Primack.

Outro tópico abordado pelos pesquisadores é sobre a presença maciça de destilados nos vídeos mais populares e revelantes. Segundo eles, esse tipo de bebida tem um índice alcoólico maior do que a cerveja, por exemplo, que é mais consumida nos Estados Unidos – país de origem da maioria dos vídeos selecionados para o estudo. “Devido ao alto índice alcoólico dos destilados e à falta de habilidade dos jovens para consumir essas bebidas com moderação, o consumo perigoso e irresponsável está aumentando”, alerta Brooke Molina, professora de psiquiatria e psicologia da Universidade de Pittsburgh e uma das autoras da pesquisa.

Para os especialistas, o YouTube pode, sim, ser usado de uma maneira mais educativa e responsável, pelo menos no que diz respeito ao consumo de álcool. O caminho é combinar o humor tradicional desses vídeos, que é um atrativo natural para os usuários, com a realidade e as consequências negativas do abuso.

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