Perguntas corriqueiras sobre o dia a dia melhoram a autoestima da criança e dão mais abertura à relação familiar

Disponibilidade de tempo tem se tornado algo cada vez mais raro no cotidiano das famílias modernas. Enquanto os pais trabalham, as crianças gastam a energia na escola - à noite, poucos têm disposição para conversar sobre os pontos altos do dia. Esse distanciamento e a falta do diálogo, porém, criam um afastamento emocional entre pais e filhos.


Os efeitos dessa postura têm um impacto ainda maior nos pequenos. Eles se sentem desprezados e poucos estimados pelos próprios pais, como não fizessem nada suficientemente interessante para chamar a atenção dos adultos. Em longo prazo, esses sentimentos acabam estimulando uma maior insegurança e a dificuldade para se relacionar com outras pessoas. A criança prefere ficar isolada a compartilhar qualquer informação com os pais.

Criar laços verdadeiramente afetivos com os filhos não é algo tão impossível assim, mesmo com a correria do dia a dia. Um pouco de empenho, atenção e disponibilidade são suficientes para fazer a diferença no cotidiano dos pequenos. Não é preciso transformar tudo em uma grande discussão do relacionamento; perguntinhas simples, sobre a escola e os amigos, por exemplo, dão conta do recado.

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“Sempre falo que o importante é a qualidade do diálogo entre pais e filhos. Mesmo que naquele dia só sejam alguns minutos, é mais interessante que eles sejam intensos e dedicados. Claro que quanto mais tempo conversamos com os filhos, melhor. Mas dá para separar alguns minutos e perguntar sobre o dia da criança, o que ela fez de legal e outras coisas importantes para ela. Sempre reforçando o amor incondicional da família”, aconselha Bibianna Teodori, coach e autora do livro “Coaching para pais e mães – Saiba como fazer a diferença no desenvolvimento de seus filhos” (Matrix).

À primeira vista, essas conversas podem até parecer banais, mas são fundamentais para o desenvolvimento dos filhos, em diversos aspectos. O diálogo é a oportunidade de ensinar valores e crenças importantes para os pequenos, que são de total responsabilidade dos pais. Além disso, é o caminho para estabelecer uma relação mais sincera e aberta com as crianças, que deixam de sentir medo dos próprios cuidadores. Para isso, vale evitar qualquer tipo de frase que tenha uma conotação negativa, como broncas, julgamentos e críticas.

“Quando os filhos percebem que têm um relacionamento saudável com os pais, a vida fica mais fácil. Isso porque eles sabem que sempre podem contar com o amor dos adultos. Eles entendem que, mesmo que tirem uma nota baixa na escola, os pais vão amá-los incondicionalmente. Muitas vezes, os adultos só criticam e brigam com as crianças. Por isso é importante reforçar as atitudes positivas dos pequenos, sem condenar as negativas. Assim, é possível desenvolver os talentos da criança de um jeito mais assertivo e satisfatório”, acredita Bibianna Teodori.

Respeitando o silêncio

Como tudo o que diz respeito à criação dos filhos, o equilíbrio é essencial para balancear a relação. Portanto, vale observar atentamente a disposição da criança para conversar – ou a falta dela, na pior das hipóteses. É natural que eles fiquem mais chateados e calados em algumas ocasiões, principalmente se algo tiver acontecido na escola. A dica dos especialistas é simples: pais precisam respeitar a introspecção dos filhos, deixando claro que as conversas podem acontecer numa outra oportunidade.

“Criar esse hábito é legal porque os pais conseguem observar de perto o comportamento dos filhos. Assim, dá para saber se eles estão mais arredios ou desapontados com alguma situação específica. Mas interromper alguma atividade importante das crianças só para conversar acaba gerando uma frustração. Elas podem se fechar para o diálogo com os pais, desenvolvendo uma defesa natural para se esquivar desses momentos”, pondera Rogéria Cruz, psicóloga e psicoterapeuta.

A postura dos pais também faz toda a diferença. Não adianta querer conversar de um jeito desinteressado ou agressivo, já que esses comportamentos assustam mais do que qualquer outra coisa. De acordo com Bibianna, é necessário agachar e ficar na mesma altura que a criança, olhando-a nos olhos durante toda a conversa. Assim, ela fica mais à vontade para se abrir com os pais.

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