Jogos e brincadeiras podem estimular uma nova mentalidade sobre o uso consciente da água; veja ideias na galeria de fotos

A crise hídrica que atingiu o estado de São Paulo tem alterado drasticamente a dinâmica familiar e o dia a dia das crianças. O trabalho de conscientização dos pequenos, portanto, não está restrito ao ambiente escolar. Em casa, pais e filhos podem adotar alguns hábitos simples que ajudam a economizar a água e evitar o desperdício desenfreado.

Vale lembrar que o comportamento dos filhos é, na maioria das vezes, reflexo das atitudes dos pais. Por isso, não adianta querer cobrar algo dos pequenos que não é praticado pelos adultos da casa. O primeiro passo, portanto, é se esforçar para passar um bom exemplo e deixar as crianças mais estimuladas para “copiar” as atitudes dos mais velhos.

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“A economia de água está ligada diretamente ao respeito à natureza. A partir da consciência de que a água é finita, dá para conversar com as crianças e buscar alternativas de como economizar, para que ninguém fique sem. Uma dica é perguntar, no dia a dia, o que a criança poderia fazer para não desperdiçar, analisando as alternativas que podem se converter em propostas para mudar a rotina. Também dá para montar um diário com a criança, para que ela observe onde gasta água e como evitar o desperdício”, explica Pollyana Mustaro, pedagoga e professora de tecnologia educacional da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

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Os pequenos têm maturidade suficiente para entender a importância dos novos hábitos, ao contrário do que muitos pais acreditam. Cada faixa etária requer um nível de conscientização diferente, porém. Com os menores, por exemplo, vale abusar da criatividade e abordar os tópicos da economia de água de um jeito lúdico e divertido, com jogos, brincadeiras e histórias. Apenas dizer que é importante fechar a torneira na hora de escovar os dentes ou mandar a criança obedecer não traz o mesmo efeito.

“Esse bate-papo tem que ser mais lúdico. Um caminho, por exemplo, é contar uma historinha antes de dormir, falando sobre a importância da água. Isso ajuda a introduzir o assunto no cotidiano da criança. Mas deve ser sempre de uma maneira leve e divertida, não porque a criança não leva a sério, e sim porque ela está em um momento em que a comunicação fica mais interessante se tem esse ar da fantasia e da magia. É uma questão do que chama mais atenção, o que a diverte”, aconselha Roberta de Oliveira, professora da Escola de Educação da Universidade Anhembi Morumbi.

Ensinar e corrigir

Na hora de tomar banho, por exemplo, os pais podem sugerir uma competição cronometrada, sem comprometer a higiene. O mesmo vale para a hora de escovar os dentes. A criança pode ter um copo com água especial para esses momentos, em vez de abrir e fechar a torneira todas as vezes, e fazer o enxágue rapidamente e com a menor quantidade de água possível. O importante é que os pais se esforcem para transformar essa conscientização em algo divertido e duradouro.

Embora o cenário não seja dos mais favoráveis, vale lembrar que o assunto precisa ser tratado com leveza, sempre. Isso não quer dizer que os pais devem mentir e mascarar a realidade, muito pelo contrário. É importante atentar para a real conjuntura dos fatos, mas sem drama. Alarmar e fazer ameaças pode ter um efeito angustiante nas crianças.

“Se a criança é muito nova, a única coisa que ela vai fixar é que a água acabou para sempre e isso é muito ruim, dependendo da sensibilidade dela. O meu filho de cinco anos é um exemplo disso. Ele fica preocupado demais e isso o deixa muito angustiado. O importante, portanto, é conversar com as crianças de forma amorosa. Eles serão os nossos maiores parceiros e o futuro de uma geração mais consciente e bem informada”, reforça Vanessa Formaggi, do blog Licença Maternidade.

Na casa de Vanessa, o pequeno Gustavo já adotou novos hábitos para evitar o desperdício.  No chuveiro, por exemplo, a mãe brinca que eles tomam um “banho de gato”, sem gastar um minutinho a mais debaixo d’água. Além disso, o xixi pré-banho também ficou para trás. Em vez de usar a privada, Vanessa ensinou o pequeno a aproveitar a água do chuveiro, economizando a água da descarga. Toda oportunidade de economia deve ser aproveitada.

“Infelizmente, não dá mais para molhar as plantas e a grama todos os dias . Muitas vezes, quando o Gustavo está no jardim, ao meio do dia e com aquele calor, ele pede para molhar as plantas. Tive que explicar que aquele não seria o melhor horário, porque o sol estava muito forte e iria evaporar a água rapidamente. Agora, só regamos o jardim bem cedinho ou à noite”, conta Vanessa.

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