Academia Americana de Pediatria desaconselha vídeos para crianças menores de dois anos, mas pesquisa sugere que eles podem ser ferramentas de ensino efetivas nessa faixa etária

Pesquisadores da Universidade Emory, nos Estados Unidos, demonstraram que bebês menores de dois anos expostos a vídeos educativos que ensinavam a linguagem de sinais tiveram um bom desempenho em testes de aprendizado.

De acordo com o estudo, publicado no site do periódico Child Development, a performance das crianças que aprenderam a partir de vídeos foi muito semelhante ao desempenho apresentado pelos bebês que foram ensinados pelos pais, de maneira presencial.

Pesquisadores aplicaram testes em crianças para determinar nível de aprendizado de linguagem de sinais através de vídeos
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Pesquisadores aplicaram testes em crianças para determinar nível de aprendizado de linguagem de sinais através de vídeos


Método

Ao todo, participaram do estudo 92 crianças de 15 meses de idade. Elas foram divididas em quatro grupos: um que assistiu a vídeos comerciais que ensinavam linguagem de sinais sozinhos; outro que foi submetido à mesma atividade, em condições iguais com apenas uma diferença: para esses bebês, a linguagem de sinais foi ensinada próprios pais, de forma presencial; outros bebês assistiram aos vídeos com o auxílio dos pais, que podiam direcionar a atenção dos bebês para momentos importantes que apareciam nas imagens; no último grupo as crianças não foram submetidas a nenhuma forma de aprendizado. Os vídeos foram mostrados às crianças quatro vezes por semana, por três semanas.

Depois dos vídeos, os pesquisadores aplicaram testes aos bebês. Eles mostraram fotos que os pequenos nunca tinham visto de objetos comuns – cuja correspondência em linguagem de sinais eles haviam aprendido no vídeo – e então pediram o sinal correspondente. Outro teste consistia no caminho contrário: era pedido que as crianças selecionassem a foto equivalente ao sinal feito pelos pesquisadores.

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Nestes testes, os grupos que assistiram aos vídeos sozinhos, os que assistiram junto com os pais e os que foram ensinados pelos pais de forma presencial tiveram desempenhos muito próximos. Depois de uma semana sem instrução alguma, os testes foram aplicados novamente. Os bebês ainda se mostraram capazes de reproduzir os sinais previamente aprendidos, mas os pertencentes ao grupo que recebeu ensino dos pais puderam reter e produzir um número maior de sinais.

Segundo uma das líderes da pesquisa, Soshana Dayanim, o estudo foi capaz de isolar o efeito do vídeo de instrução por focar em uma habilidade que as crianças menores de dois anos não estariam expostas em outras áreas de sua vida.

Academia Americana de Pediatria

A conclusão de que crianças menores de dois anos são capazes de aprender por meio de vídeos questiona uma recomendação da Academia Americana de Pediatria que aconselha os pais a não permitir que seus filhos assistam a programas de televisão  ou DVDs, nem mesmo os educativos, até completar dois anos de idade.

Justamente para esclarecer essa orientação, os pesquisadores responsáveis pelo estudo alertam que os resultados não devem ser visto como um aval para as crianças assistirem a vídeos ou televisão antes da idade considerada adequada pela organização americana.

“Nós não podemos falar dos efeitos cognitivos de curto ou longo prazo da exposição de crianças a vídeos em geral. Só apontamos o potencial para instrução” diz Laura Namy, uma das pesquisadoras responsáveis pelo estudo, em release divulgado no site da universidade.

Ela ressalta que o estudo demonstrou que vídeos podem ser uma ferramenta de ensino efetiva para crianças menores de dois anos, sob as circunstâncias certas.

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