A aproximação requer empenho, vontade e tempo. Além disso, a abordagem deve ser cuidadosa, sem regras e obrigações

24 horas em um dia nem sempre são suficientes para dar conta da lista de afazeres de um pai ou mãe. Trabalho, atividade física, compras e cuidados com a casa. No meio de tanta coisa para colocar em dia, o contato mais próximo com os filhos adolescentes é deixado de lado. Esse distanciamento piora a relação familiar e enfraquece os vínculos entre pais e filhos.

A adolescência é um período conturbado por si só. “É uma época transitória. O filho não é mais aquela criança que obedece aos pais. Ele tem vontades e opiniões. O adulto acredita que está perdendo o controle e tenta prender o adolescente. O caminho é tentar ser amigo, não opressor”, observa a psicóloga Maria Aparecida das Neves.

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Naturalmente, tentar essa aproximação não é tão simples assim. Requer empenho, vontade e, acima de tudo, disponibilidade de tempo. Se a sintonia entre pai e filho está abalada momentaneamente, por conta das crises da adolescência, o trabalho é mais fácil. Se proximidade não é algo tão natural assim da família, desde os primeiros anos de vida, será mais demorado estabelecer os vínculos afetivos.

Qualidade x quantidade

Apenas estar presente, todos os dias, é suficiente? Na maioria das vezes, não. Um pai que sempre toma café da manhã com os filhos, mas sem largar o smartphone ou assistindo à televisão, pode ser tão ausente quanto aquele que não passa as manhãs em casa.

O segredo, portanto, é apostar em momentos e atividades que estreitem os laços entre pais e filhos, mas com qualidade. Mesmo que eles não aconteçam com tanta frequência. “Pequenos momentos se tornam eternos na vida das pessoas”, acredita Roneida Gontijo, psicóloga e especialista em psicopedagogia. Pode ser um almoço ou jantar especial aos fins de semana, uma viagem ou até um passeio para conhecer o hobby predileto do adolescente.

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Especialistas reforçam: toda abordagem dos pais deve ser cuidadosa. Não adianta querer marcar um dia específico da semana para as atividades em família, transformando o lazer em obrigação. O fator surpresa funciona melhor, nesses casos.

“Tudo o que envolve regras e obrigações pode parecer tedioso para o adolescente. É claro que os pais devem procurar passar o máximo de tempo possível com o filho, mas de um jeito espontâneo”, aconselha Maria Aparecida.

Essas atividades obrigatórias acabam tendo o efeito contrário do esperado. Pais ficam impacientes e irritados, já que não há vontade natural de compartilhar momentos com os filhos. A impaciência é notada pelos adolescentes e pode engatilhar uma discussão ou até briga mais séria. Frustração para a família inteira.

Diálogo e respeito

Vale lembrar que a relação deve ser horizontal, de respeito mútuo. Ainda que o adolescente não tenha condições de ser totalmente autônomo e independente dos pais, é importante que eles reconheçam as potencialidades do jovem, sem subestimá-lo.

Respeitar não significa que pais devam abrir mão da autoridade e responsabilidade sobre os filhos. É ter bom senso e saber o momento certo de ouvir, opinar e impor limites. Essa postura é fundamental para um diálogo aberto e honesto. Quanto mais desrespeitado e limitado o jovem se sentir, maiores as chances de que ele se feche e quebre a relação de confiança com os próprios pais.

Perguntar como foi o dia do filho já é um começo para que o diálogo aconteça. Ele pode falar sobre amigos, relacionamentos, passeios e tudo o que faz parte do universo da juventude. Evitar julgamentos, críticas precipitadas e comentários preconceitos, porém, é essencial. Como o adolescente é mais vulnerável, qualquer postura negativa dos pais pode ser prejudicial para a tentativa de aproximação.

“Para nós, adultos, pode não significar muita coisa. Para o jovem, porém, é muito importante sentir que o outro está ouvindo e dando atenção ao que ele fala. No fundo, eles gostam e precisam saber que existe alguém que realmente se importa”, afirma Roneida.

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