Maternidade oferece transmissão em tempo real do parto com direito a comidas e bebidas. Isso conforta os familiares, mas casal deve pesar se ficará confortável com a exposição

Ansiedade é o sentimento que define o dia marcado para o nascimento do bebê. Como é de se esperar, a futura mamãe não está sozinha nessa. Familiares e amigos que acompanharam a gestação de perto também anseiam pela chegada do novo membro à família. Por isso, compartilhar um momento tão íntimo como o parto pode ser uma saída para acalmar todos os corações. Mas será que a exposição traz algum desconforto para os pais? O que o casal deve pesar na hora de tomar a decisão de compartilhar o parto com amigos e familiares? (Vote na enquete ao final da página e deixe a sua opinião).

Para os que desejam incluir entes querido nesse momento, as opções variam de acordo com o serviço oferecido por cada maternidade. No Rio de Janeiro, a Maternidade São Francisco criou o Cineparto, um serviço que permite aos convidados do casal assistir à transmissão do parto em tempo real, numa sala reservada, com direito a bufê exclusivo com bebidas e comidas. Além disso, uma câmera permite que a gestante interaja ao vivo com os familiares, durante todo o procedimento.

Segundo os idealizadoras, a ideia desse projeto foi transformar o ambiente angustiante da sala de espera em um momento mais descontraído.

“A ansiedade da família durante o procedimento e o receio da gestante em entrar no Centro Cirúrgico praticamente sozinha foram alguns dos motivos que nos levaram a criar o Cineparto. O parto torna-se um momento festivo, celebrado por todos”, explica Fernando Albuquerque, diretor da Maternidade São Francisco.

Privacidade

Cristal é a primeira filha de Kelly Barreto e Ronaldo Carvalhaes. Avós, tios, primos e demais parentes estavam quase tão ansiosos pela chegada da criança quanto o casal. Por isso, Kelly não hesitou em compartilhar esse momento com o maior número de pessoas possível. Além da possibilidade de ver ao vivo, Kelly e Ronaldo distribuíram senhas para que outros amigos e familiares pudessem assistir ao parto pela internet.

“A família é muito grande e todos queriam participar desse momento. Transmitir o parto foi o conforto que eu quis dar para eles, para que todos ficassem tranquilos durante o procedimento. É uma emoção muito grande saber que as pessoas queridas estão com você em um momento tão especial”, conta Kelly Barreto.

Apesar de Kelly não ter sentido nenhuma invasão na sua privacidade, esse é um aspecto que deve ser discutido pelo casal. A transmissão do parto é uma vontade legítima da gestante e seu companheiro ou é o desejo da família? Mesmo que a intenção seja boa, os receios dos futuros pais devem ser levados em conta e, acima de tudo, respeitados, mesmo que a palavra final represente uma frustração para os demais.

“O parto é a melhor momento da vida de qualquer mulher. Ela tem que curtir isso de ponta a ponta. Se a preocupação é em ficar bonita ou sorrir o tempo todo para quem está do outro lado, já é algo que vai contra a natureza do parto. Se ela também está acanhada ou tímida demais é melhor reconsiderar esse serviço”, acredita a ginecologista e obstetra Nilka Fernandes Donadio, diretora técnica do CETIPI (Centro Especializado no Tratamento Integral de Pacientes Inférteis).

Você acha que o parto deve ser um momento íntimo do casal ou uma oportunidade de incluir toda a família? Vote na enquete
Thinkstock/Getty Images
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Cuidados

O serviço contratado por Kelly permite a permanência na sala reservada de até 18 pessoas, entre adultos e crianças. A transmissão começa a partir do momento que a gestante entra na sala de parto, até ser anestesiada. As imagens são retomadas depois do nascimento do bebê.

A autorização para que as filmagens comecem depende da equipe médica. Em casos de partos de risco ou com complicações, por exemplo, não há a transmissão em tempo real para os familiares. Para Nilka Donadio, essa medida de segurança é fundamental para qualquer transmissão de parto em tempo real.

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“Esse serviço tem dois lados. É muito bacana porque a gestante se distrai, o tempo passa mais rápido quando ela tem a oportunidade de interagir com os familiares. Os avós, paternos e maternos, também ficam mais calmos por acompanhar tudo de perto. Mas tudo precisa ser determinado pela equipe médica. Nem sempre os partos evoluem de maneira tranquila, e isso por acabar gerando um estresse entre os familiares”, afirma ela.

Outra restrição sugerida pela médica é quanto à presença de crianças no ambiente. Elas têm pouca consciência do que está acontecendo, de que o parto é uma cirurgia segura e que tudo está sob controle. Por isso, ver a própria mãe ou alguma outra parente cercada com compressas de sangue pode ser assustador demais.

“Na filmagem, é diferente, porque aquele conteúdo é editado e ninguém vê nada demais. Mas ao vivo é outra história. A criança acaba criando fantasias na cabeça dela. Não é legal”, reforça Nilka.

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