Os modelos variam de acordo com o peso e a idade do bebê. Essas condições precisam ser respeitadas para garantir mais conforto e segurança, ressaltam especialistas

A associação de consumidores Proteste divulgou, no final de novembro, um dado preocupante: uma avaliação feita com 13 cadeirinhas infantis para carros revelou que nenhum dos assentos obteve mais do que três estrelas no teste  - a classificação máxima é de cinco estrelas.

Desde 2010, é obrigatório o uso de assentos de segurança para o transporte de crianças de até sete anos. A resolução do Contran determina que os carros sejam equipados com bebê conforto, cadeiras reversíveis ou assentos de elevação no banco de trás, variando de acordo com a idade e o peso das crianças. A multa para quem infringe a lei é de R$ 191,54, além de sete pontos na carteira e a retenção do veículo, até sua devida regularização.

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De acordo com dados da ONG Criança Segura, a morte por acidentes de carro lidera o índice que abrange a faixa etária de 0 a 14 anos. Só em 2012, mais de 1860 crianças foram vítimas desse tipo de acidente.

Por isso, além da obrigatoriedade da lei, é fundamental escolher o melhor assento para as crianças e tomar todas as precauções necessárias para que a instalação seja feita da melhor maneira possível. De acordo com Alexandre Massashi Hirata, pediatra e membro do Departamento Científico de Segurança da Sociedade de Pediatria de São Paulo, além de ficar atento à qualidade do equipamento, escolher o modelo indicado para o peso e a idade do bebê é fundamental.

A escolha

O bebê conforto é o assento mais escolhido pelos pais no que diz respeito ao primeiro ano de vida da criança. Até 10 kg, quando a criança tem por volta de um ano, o bebê conforto deve ser instalado de costas para o painel do carro. “Essa é uma precaução que diminui o risco de projeção ou arremesso do bebê, em caso de desaceleração brusca”, explica Alexandre.

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Além disso, até o primeiro ano de idade as crianças ainda não têm os órgãos totalmente desenvolvidos, tampouco a caixa torácica, que protege o coração e os pulmões. Por isso, mesmo traumas leves, como um choque contra o próprio cinto de segurança, podem causar sérios danos à saúde do bebê.

A vantagem desse assento é a praticidade, já que é possível retirá-lo do carro sem precisar acordar o bebê. O mesmo não acontece com a cadeirinha reversível, que é fixada no carro. Porém, existe uma idade limite para o uso do bebê conforto, que é por volta do primeiro ano de vida. Nessa fase, a criança já está grande demais para ficar à vontade no bebê conforto.

A partir do primeiro ano, portanto, os pais podem escolher a cadeirinha reversível, que aguenta crianças de até 20 kg. Nessa idade, não é preciso colocar o assento de costas para o painel. “O fundamental é que tanto a cadeirinha como o bebê conforto sejam instalados corretamente, no banco traseiro central, nunca perto da janela. Essa medida diminui o impacto em caso de acidente”, reforça o pediatra e neonatologista Jorge Huberman.

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O primeiro passo para escolher a cadeirinha é selecionar o modelo indicado para o peso e a idade do bebê ou da criança
Thinkstock/Getty Images
O primeiro passo para escolher a cadeirinha é selecionar o modelo indicado para o peso e a idade do bebê ou da criança

Nesses dois assentos, o cinto que confere mais segurança à criança é o de cinco pontos. Na hora de colocá-la na cadeirinha, é importante deixar o cinto bem ajustado ao seu corpo, de modo que não sobre mais de um dedo de folga entre a criança e o cinto.  Se ela fica “folgada” no assento, além de conseguir se soltar, o risco de hematomas e machucados por conta do impacto contra o cinto é maior, bem como a possibilidade da criança cair no chão do veículo, em caso de desaceleração brusca.

A partir dos quatro anos de idade, ou quando a criança ultrapassa aquela faixa dos 20 kg, a recomendação dos especialistas é a utilização do “booster”. Ele funciona como uma espécie de assento elevado, para que a criança fique na altura do cinto de três pontos tradicional do veículo. Já a partir dos sete anos, os pequenos podem andar sem qualquer assento especial, mas sempre presos pelo cinto de segurança.

Cuidados

De acordo com Alexandre Massashi, o erro mais comum dos pais está na hora de instalar a cadeirinha. Levados pelo nervosismo e pela pressa, é natural passar os olhos pelo manual de instruções e perder alguma informação importante sobre a fixação do item no carro. Se a cadeirinha não estiver bem presa à poltrona do veículo, a criança pode acabar se acidentando da maneira mais simples, com uma queda no chão.

“Antes de colocar o filho na cadeirinha, os pais precisam se certificar de que ela está bem instalada. A dica é passar o cinto de segurança por todos os locais indicados no manual de instruções, com bastante firmeza, e depois subir em cima da cadeira, para ver se ela se mexe com o peso dos adultos. Ela tem que ficar imóvel”, afirma Jorge Huberman.

Outra informação importante é verificar se a poltrona do carro é compatível com o modelo de assento de segurança escolhido pelos pais e se atende a todas as recomendações do Inmetro. Checar a reputação do fabricante em sites de reclamações, como no Reclame Aqui, também é um caminho para evitar surpresas indesejadas na hora da instalação.

Independentemente da escolha, vale lembrar que a criança só deve ser retirada da cadeirinha quando o carro estiver estacionado. “A maioria dos acidentes acontece quando os pais estão chegando ao seu destino, com aquela falsa sensação de segurança. Aí, tiram a criança do assento e ela fica muito mais exposta aos riscos, caso haja um acidente”, diz Jorge Huberman.

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