Estudo inglês mostra que a escolha de palavras relacionadas a sentimentos no diálogo entre pais e filhos pode reforçar estereótipos de gênero

Meninas são emocionais, enquanto meninos são racionais. Esse conceito parece um tanto quanto ultrapassado, mas não é o que mostra um estudo recente publicado no The British Journal of Developmental Psychology. Os pesquisadores mostraram que o desequilíbrio na criação de meninos e meninas ainda se faz presente nas famílias. O estudo mostra que as conversas entre mães e filhas têm mais conteúdo e afetividade, ao contrário do que acontece com os meninos.

Segundo estudo inglês, meninas apresentaram nível de alfabetização emocional maior do que meninos, com o uso frequente de adjetivos como “feliz”, “triste
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Segundo estudo inglês, meninas apresentaram nível de alfabetização emocional maior do que meninos, com o uso frequente de adjetivos como “feliz”, “triste"

Ainda segundo os estudiosos da Universidade de Surrey, na Inglaterra, as mães usam mais palavras afetivas com as crianças do que os pais. Esse comportamento dos adultos, ainda que inconsciente, reforça os estereótipos de gênero em meninos e meninas. Os autores ainda sugerem que essas conclusões podem explicar por que as mulheres são emocionalmente mais inteligentes do que os homens.

“Feliz” e “triste”

Ao todo, 65 casais com filhos de até seis anos participaram das atividades da pesquisa, que incluíram contação de histórias e outras experiências. Os pesquisadores também avaliaram o uso da linguagem e o número de palavras associadas a algum sentimento. As meninas apresentaram um nível de alfabetização emocional maior do que os meninos, com o uso frequente de adjetivos como “feliz”, “triste” e “preocupado”.

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“Nosso estudo conclui que o diálogo entre pais e filhos é pautado pela questão dos gêneros. Por isso, as mães falam com muito mais intensidade e sentimento com as filhas do que com os filhos”, afirma Harriet Tenenbaun, professora da Universidade de Surrey e uma das autoras da pesquisa.

Ela ainda reforça que essa postura pode ter efeitos em longo prazo na vida adulta dos filhos. “Inevitavelmente, as meninas têm mais familiaridade com as próprias emoções do que os meninos. Essa facilidade para lidar com o emocional é cada vez mais significativa no meio de trabalho, ao passo que as grandes empresas estão reconhecendo as vantagens da inteligência emocional para cargos de liderança”, explica Harriet Tenenbaun.

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