No Dia das Crianças, convidamos cinco especialistas em infância para dizer o que não pode faltar na rotina dos pequenos para que cresçam saudáveis e seguros

Toda criança merece ser feliz. Mesmo indiscutivelmente correto, esse pensamento acaba sendo um tanto abstrato. Para trazer mais concretude à felicidade infantil, o Delas pediu para cinco especialistas em infância definirem itens indispensáveis no dia a dia dos pequenos para que cresçam saudáveis e seguros. Mais do que isso, o que seria fundamental para que eles sejam felizes. As respostas mostram como amor, família e valores podem fazer a diferença no presente e no futuro das crianças.

“Acredito que amor é indispensável para todo ser humano
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“Acredito que amor é indispensável para todo ser humano", afirma Cris Poli, a supernanny


Cris Poli é educadora, apresentadora do programa “Supernanny” e autora do livro “Pais admiráveis educam pelo exemplo
Decio Figueiredo
Cris Poli é educadora, apresentadora do programa “Supernanny” e autora do livro “Pais admiráveis educam pelo exemplo"

>> SER AMADA

“Acredito que amor é indispensável para todo ser humano, especialmente uma criança que vem ao mundo e precisa aprender tudo, entrar em contato com o mundo ao seu redor. O amor é a base fundamental de qualquer relacionamento.

Quando a criança é amada, ela recebe além de carinho, respeito, limites, disciplina e atenção. Ela se sente feliz sem precisar de mais nada. O amor leva as pessoas a se doarem, a se entregarem para o bem do outro, para ver o próximo feliz.

A falta de amor deixa a criança isolada, seca, sem alimento, sem toque, sem abraços, sem diálogo, sem atenção. Enfim, sem nada para se importar na vida. Na minha opinião, uma criança pode chegar a morrer se não receber amor.”

Depoimento de Cris Poli, educadora, apresentadora do programa “Supernanny” e autora do livro “Pais admiráveis educam pelo exemplo”(Editora Mundo Cristão)


Maria Rocha é diretora pedagógica do Colégio Ápice, em São Paulo
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Maria Rocha é diretora pedagógica do Colégio Ápice, em São Paulo

>> TER EM QUEM CONFIAR

“Toda criança precisa ter alguém em quem confiar. Os pais são o porto seguro dos filhos. Eles são o modelo, a referência. É essencial que a criança saiba que pode contar com os pais nos momentos de dificuldade, mesmo se for um problema pequeno, do dia a dia.

A confiança a que me refiro é quando o filho não consegue colocar o casaco e ele sabe que alguém vai ajudá-lo, quando sente fome e sabe que a mãe e o pai conseguirão o alimento.

Essas crianças que são abandonadas, que ficam sozinhas em casa e não contam com um adulto em quem confiar ficam perdidas. Para uma infância completa e feliz é preciso confiar em alguém, é necessário ter certeza que se pode contar com alguém para ajudá-lo. Isso é fundamental na formação de um cidadão."

Depoimento de Maria Rocha, diretora pedagógica do Colégio Ápice, em São Paulo


Ana Claudia Leite é coordenadora de educação e cultura da infância do Instituto Alana
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Ana Claudia Leite é coordenadora de educação e cultura da infância do Instituto Alana

>> APROVEITAR A INFÂNCIA

“Criança feliz é criança que desfruta de sua infância. A base da nossa imaginação, sensibilidade e inteligência cognitiva e emocional se dá nos primeiros anos de vida. Por que, então, roubar essa preciosa fase de nossas crianças? O que ganhamos ao retirar da criança o tempo de brincar livre, se sujar, errar, mexer com tinta, água e terra?

Hoje, alguns vilões do dia a dia, como consumismo, obesidade infantil, erotização precoce, falta de tempo e espaço para brincar, vício em aparelhos eletrônicos e terceirização dos cuidados, colocam a infância em risco. Eles ameaçam um direito básico de toda pessoa de zero a doze anos: ser criança. Temos que garantir à criança o direito de brincar, de experimentar, de criar vínculos afetivos, de ser cuidada e respeitada em suas singularidades e de se desenvolver de forma saudável e plena.

As crianças do século XXI seriam mais felizes com atitudes simples, baratas e eficientes como: mais presença e menos presentes, mais parques e menos shopping, mais tempo livre e menos agenda lotada, mais família e menos babás e instituições cuidadoras, mais brincar e menos atividades pedagógicas. Certamente uma sociedade que honre a infância tem mais chance de se humanizar.”

Depoimento de Ana Claudia Leite, coordenadora de educação e cultura da infância do Instituto Alana


Lucianne Scheidt é socióloga da ONG Recriar – Família e Adoção
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Lucianne Scheidt é socióloga da ONG Recriar – Família e Adoção

>> VIVER EM FAMÍLIA

“As crianças e adolescentes têm o direito de viver em uma família que as ame, ampare, proteja e ensine seus deveres e direitos. Essa família não necessariamente precisa ter laços de sangue. O laço que deve unir esse núcleo é o do amor. Família como um espaço de construção de afetos, transmissão de valores, formação de vínculos e identidade.

Nós, enquanto sociedade, podemos ser atores no fortalecimento do Sistema de Garantia de Direitos das Crianças e Adolescentes pensando na proteção integral delas, proporcionando cuidados e condições favoráveis ao seu desenvolvimento saudável e cobrando políticas públicas que venham a contribuir para que crianças e adolescentes, ao não terem a possibilidade de estarem em sua família de origem, possam ter oportunidades de serem inseridas, com a maior brevidade, em uma família substituta através da adoção.”

Depoimento de Lucianne Scheidt, socióloga da ONG Recriar – Família e Adoção


Patricia Quartin é life coach e trabalha com base na PNL (Programação Neuro-Linguística)
Angela Siemens
Patricia Quartin é life coach e trabalha com base na PNL (Programação Neuro-Linguística)

>> SER RESPONSÁVEL

“Acredito que uma das coisas mais importantes na criação de uma criança seja que elas aprendam a assumir responsabilidade. Responsabilidade sobre seus atos e sobre o seu futuro. Quando a criança aprende isso, ela entende que não é, e nem nunca será, vítima dos outros ou do mundo ao redor. Isso dá muito poder. Ter este poder gera autoestima e tudo isso a protege de influências externas, como por exemplo bullying, drogas e outros males.

Devemos influenciar nossos filhos de maneira a criarmos isto neles. Quando a criança faz algo errado, precisamos explicar o que aconteceu e atribuir as responsabilidades para quem as merece.

A vitimização nunca fez ninguém feliz, pelo contrário. Precisamos saber que nós somos os únicos responsáveis pela criação da nossa vida, que se algo fora do nosso controle acontecer, nós temos como lidar com isso. Somente nós temos o poder de mudar a nossa vida e escolhermos quem queremos nos tornar. A criança precisa saber que ela tem, sim, esse poder."

Depoimento de Patricia Quartin, life coach que trabalha com base na PNL (Programação Neuro-Linguística) e tem como tema de estudo a criação dos filhos

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