Respeito e tolerância são compreendidos de maneira divertida e lúdica; veja opções de títulos que falam sobre diversidade

Nem todos os adultos conseguem falar com os filhos sobre homossexualidade de maneira transparente, por receio ou falta de informação. Mesmo assim, é importante estar preparado. Em algum momento os questionamentos dos pequenos surgirão e é fundamental se esforçar para respondê-los.

Se o problema está na falta de jogo de cintura para começar essa conversa, pais podem buscar alternativas mais divertidas e lúdicas. Nesse ponto, livros infantis com a temática LGBT são grandes aliados dos adultos para facilitar o papo.

>> Veja livros infantis que abordam a diversidade:

“O livro é um quebra-gelo. Você acaba desenvolvendo em paralelo o hábito da leitura na criança. Em vez de só comprar a obra, por que não tirar um dia de folga e levar os filhos à livraria? Você consegue abrir a cabeça delas para diversos assuntos”, aconselha Marcos Ribeiro, educador e autor do livro “Somos iguais mesmo sendo diferentes” (Editora Moderna).

Até os três anos de idade, as crianças vivem a fase do egoísmo e não têm muita percepção do mundo que as cerca. A partir dos quatro ou cinco anos é quando elas começam a perceber o outro e a questionar os relacionamentos entre as pessoas – principalmente se forem diferentes dos exemplos que têm em casa. O nível de compreensão também é maior, o que facilita a leitura de exemplares mais elaborados.

Ainda assim, nem todas têm a mesma maturidade nessa faixa etária. Se os pequenos não estiverem preparados emocionalmente para discutir um tema delicado como esse, que ainda é considerado tabu por parte da sociedade, a abordagem pode ter efeitos negativos. Por isso, o acompanhamento da leitura por parte dos pais é indispensável.

Primeiros passos

Embora seja importante criar oportunidades para essa vivência, o interesse deve sempre partir das crianças.

“Quando ela pergunta aos adultos por que duas mulheres estão de mãos dadas, por exemplo, é o momento de explicar a homossexualidade. Mas a iniciativa deve ser dela, não dos pais. Na ânsia de passar todas as informações que podem, muitas vezes, adiantamos situações precocemente”, pontua Cristina Corsini, psicóloga e especialista em psicopedagogia. Segundo Cristina, pais não devem pular etapas do desenvolvimento da criança.

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Pais que não se sentem à vontade para falar sobre orientação sexual podem recorrer aos livros para deixar a conversa mais leve
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Pais que não se sentem à vontade para falar sobre orientação sexual podem recorrer aos livros para deixar a conversa mais leve

Antes de escolher qualquer título aleatório e entregá-lo à criança, é fundamental estar ciente do conteúdo presente no livro. Vale analisar o tipo de linguagem utilizada, os valores passados e se o conteúdo condiz com a maturidade dos pequenos.

Depois da avaliação, o momento da leitura pode ser compartilhado entre adultos e crianças, mas sem obrigação. Varia de relação para relação. Transformar o hábito de ler em um compromisso regrado pode ser desestimulante para os filhos.

“Não importa se eles vão ler juntos ou não. O que deve existir é a conversa sincera sobre o assunto. Pais precisam saber o que a criança achou da leitura. É aí que conseguimos desmistificar tabus e trabalhar valores importantes para a formação dos filhos”, explica Cristina.

Também é possível abordar os relacionamentos homoafetivos dentro de um contexto mais amplo, caso os pais prefiram. Existem livros que falam sobre o preconceito de uma maneira geral, em relação à cor, credo ou classe social. Basta explicar à criança a importância de respeitar as diferenças e singularidades de cada indivíduo.

E se meu filho “virar” gay?

Muitos pais têm receio dessa conversa por acreditar que ela é o suficiente para “estimular” a orientação sexual das crianças. Para os especialistas, esse medo é fruto da falta de informação e do preconceito enraizado na sociedade. Um diálogo livre de castigos e broncas é edificante para a formação dos filhos e não tem nenhuma relação com a sexualidade.

“Isso não acontece porque não existe uma opção sexual. A criança não escolhe por quem se sentirá atraída, quando tiver mais idade. É uma orientação sexual, ou seja, algo que está fora do controle dos pais. Quem esconde essa realidade não está protegendo os filhos da homossexualidade. Isso é preconceito. Ser homossexual não é uma doença passível de cura ou prevenção”, pontua a psicóloga Cecília Zylberstajn.

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