Parto normal deve ser priorizado, mas realidade brasileira é bem diferente dessa recomendação

De acordo com as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Ministério da Saúde, o parto normal deve ser sempre priorizado, deixando o parto cesárea apenas para casos de real necessidade – trata-se, não é demais lembrar, de uma cirurgia de grande porte. Além disso, a recuperação da mãe é mais rápida quando o bebê nasce por parto normal.

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“A escolha do parto é um fenômeno brasileiro criado pela rede privada de saúde
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“A escolha do parto é um fenômeno brasileiro criado pela rede privada de saúde", afirma obstetriz e educadora perinatal


Mas, no Brasil, a realidade não segue esse ideal: no Sistema Único de Saúde (SUS), 36,8% dos partos realizados em 2011 foram cesáreas – o número é mais que o dobro da recomendação da OMS, que considera adequado um país ter no máximo 15% de partos feitos por intervenção cirúrgica.

Na rede privada, o quadro é bem mais alarmante: 80% dos bebês brasileiros nascidos em hospitais particulares chegam ao mundo por cesarianas. Outro fato a se destacar é que, segundo um levantamento feito pela Agência Nacional de Saúde Suplementar, 70% das gestantes querem, no início da gravidez, ter seus filhos por parto normal; ao chegar ao último trimestre, apenas 30% mantêm esse desejo.

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“A escolha do parto é um fenômeno brasileiro criado pela rede privada de saúde, uma vez que as cesarianas podem ser programadas e são muito mais rápidas que os partos normais, o que facilita a agenda e os rendimentos financeiros do médico: no tempo em que ele realiza um parto normal, poderia fazer múltiplas cesarianas. No mundo todo, a mulher não pode escolher uma cesárea, que é um método mais perigoso para ela e aumenta os riscos de óbito, infecção hospitalar, hemorragias, esterilidade e aderência abdominal”, afirma a obstetriz e educadora perinatal Ana Cristina Duarte, autora do livro “Parto Normal ou Cesárea? – O que toda mulher deve saber (e homem também)” (Editora Unesp).

Ana Cristina conta que, pela sua experiência com gestantes, 90% das mulheres que afirmam não querer passar por um parto normal têm esse pensamento por medo da dor. “Mas uma boa analgesia de parto é uma ótima opção para evitar uma cesárea desnecessária”, esclarece.

O incentivo ao parto normal é, portanto, prioridade. Mas há que se considerar que, em alguns casos, a cesárea é necessária e salva vidas. As indicações médicas são, nas ocorrências mais comuns, se a mãe apresenta pré-eclâmpsia (hipertensão a partir do segundo ou terceiro trimestre da gestação) e alta miopia (mais de 30 graus em pelo menos uma das vistas – há o risco de descolamento da retina no parto normal) ou se o feto tem crescimento retardado intra-uterino.

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