Comer muito não é sinônimo de comer bem. Crianças precisam saber respeitar a própria saciedade desde pequenas

Com a chegada da hora da refeição, vem o desespero. A criança não quer comer, corre pela casa, só senta à mesa à força e chora, muitas vezes pedindo doces e guloseimas.

Por medo de que os filhos sintam fome mais tarde, é natural que as mães forcem os pequenos a “limpar o prato”. O momento de comer, que deveria ser prazeroso, se transforma em uma batalha sem fim. (Veja, ao final da página, 30 alimentos que seu filho não pode deixar de comer).

Apesar da atitude ser compreensiva, já que é motivada pela preocupação dos pais, especialistas garantem que esse é um hábito prejudicial para a saúde das crianças. Forçá-las a comer tem consequências negativas imediatas e no longo prazo.

A refeição deixa de ser natural e torna-se uma obrigação quando a saciedade da criança não é respeitada pelos próprios pais
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A refeição deixa de ser natural e torna-se uma obrigação quando a saciedade da criança não é respeitada pelos próprios pais

“Em primeiro lugar, vem o desconforto. A refeição de família se torna um estresse, já que a mãe vai para a mesa exausta e irritada, passando essa mensagem para a criança. No futuro, pode estimular também a obesidade. A criança já está saciada, mas continua a comer porque sempre foi obrigada a raspar o prato”, esclarece Natasha Slhessarenko, pediatra do Delboni Auriemo Medicina Diagnóstica.

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Comer além do necessário também tem efeitos no organismo infantil, não só no aspecto emocional. Quanto mais a criança come, mais distendido fica o estômago. Se isso se torna algo rotineiro, há um crescimento desproporcional desse órgão, favorecendo o surgimento de doenças como a obesidade e o sobrepeso.

Limites

A refeição deixa de ser natural e se torna uma obrigação quando a saciedade não é respeitada pelos pais. Castigos físicos e barganhas só agravam o erro. A criança é condicionada a só se alimentar se ganhar algo em troca, como refrigerante e chocolate. Na pior das hipóteses, ela come porque tem medo de sofrer alguma agressão física.

“Infelizmente, existem muitas crianças que se alimentam nessas condições. A mãe já vai para mesa estressadíssima, com o cinto na mão. Isso gera problemas de natureza psicológica nos filhos. As mães precisam saber que não é incomum que a criança tenha pouco apetite e coma pequenas porções”, afirma Natasha.

Não existe uma quantidade de comida padrão e ideal para os pequenos. Por isso, é normal que alguns comam mais e outros menos. Comparar o apetite dos filhos com os demais amiguinhos é uma das armadilhas para se preocupar em vão.

“O jeito certo de saber se a criança está bem alimentada é observar se ela está crescendo e ganhando peso direito. Se a curva de crescimento infantil estiver com algum problema, é necessário investigar. Às vezes, a criança sofre com uma deficiência nutricional por conta de alguma doença específica, como a anemia”, reforça a especialista em nutrologia Ana Luisa Vilela. Ou seja: nenhuma relação com o fato de comer pouco ou comer muito.

Quando menos é mais

Mais do que se preocupar com a quantidade de alimentos que os filhos estão ingerindo, pais precisam atentar à qualidade nutricional da comida. Não adianta reclamar que a criança não está almoçando ou jantando direito se, no intervalo das refeições, ela come todo tipo de alimento industrializado. Se os adultos permitem isso, é natural que ela não sinta fome quando deveria, ou seja, no momento da refeição de verdade.

Por isso, os filhos devem ser estimulados a comer apenas o que aguentarem, mas no momento certo. Para evitar o desperdício, o melhor a se fazer é separar pequenas porções de comida e oferecer à criança. Se ela ainda sentir fome, a mãe pode escolher alguma fruta ou um suco natural de sobremesa.

Incentivar uma alimentação saudável e obrigar a criança a comer são duas situações muito distintas. Na primeira, a mãe explora o máximo da criatividade para que a criança se interesse pelos alimentos e saiba apreciar o momento da refeição.

Assim, é possível criar uma expectativa positiva nos filhos. Eles começam a esperar pela hora de comer, justamente por ser um momento feliz e descontraído, em família. Outro detalhe importante tem relação com a postura dos pais na mesa. Eles são os maiores exemplos da criança. Se as refeições são sempre corridas e de baixa qualidade nutricional, isso será absorvido pelos pequenos, perpetuando os hábitos negativos.

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