Mentir, criticar em excesso e subestimar a compreensão dos filhos são atitudes que limitam o desenvolvimento infantil

Livros, fóruns, grupos de discussão e a própria internet. Essas são apenas algumas das ferramentas disponíveis para que os pais de primeira viagem se familiarizem com a nova fase. Mesmo seguindo e decorando todas as dicas para criar os filhos da melhor forma possível, é inevitável adquirir alguns hábitos negativos depois do nascimento do bebê.

>> Veja hábitos que os pais precisam evitar:

Não é que todo o preparo ao longo da gestação se mostre inútil e sem efeito. Acontece que a experiência de criar uma criança nem sempre é tão simples como nos livros e filmes. Os pais precisam lidar com os próprios medos, frustrações e enganos, sem esquecer que aquela nova vida é de total responsabilidade deles.

É aí que os hábitos se transformam em uma válvula de escape para a cobrança a que os pais se sentem expostos. O problema é que os pequenos acabam sendo afetados, muitas vezes, de forma direta pela postura dos adultos, ainda que a intenção seja das melhores.

“Pais precisam tomar muito cuidado porque os filhos são como esponjas. Eles reproduzem o comportamento dos adultos, sem nenhum critério. Na fase adulta, podem precisar de ajuda profissional e terapia para trabalhar esse conflito com a própria identidade”, alerta Allessandra Ferreira, consultora comportamental. Segundo ela, os hábitos negativos dos pais acabam limitando o desenvolvimento dos filhos.

Equilíbrio

No que diz respeito à educação infantil, nenhum extremo pode ser considerado benéfico. Uma postura muito comum é a de pais que não se sentem capazes de impor limites aos filhos, pelo medo de frustrá-los ou chateá-los. A criança compreende que basta chorar e gritar para conseguir qualquer coisa dos adultos.

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“Isso acaba estimulando um comportamento autoritário naquela criança. Os pais precisam superar a angústia ante ao sofrimento dos filhos e ensiná-los a serem fortes para lidar com as próprias dificuldades. Afinal, o mundo não satisfaz as vontades de ninguém o tempo todo”, pontua a psicóloga Priscila Tenenbaum.

Se por um lado a permissividade dos pais compromete o desenvolvimento dos filhos dessa maneira, críticas excessivas e falta de demonstrações de afeto também não funcionam bem. São hábitos igualmente negativos. Pais não precisam ser frios e distantes para educar as crianças com responsabilidade e limites.

De acordo com Priscila, o distanciamento emocional dos pais é uma das maiores causas de depressão entre crianças e adolescentes. É natural que os filhos tenham atitudes e vícios que precisam ser corrigidos pelos pais, com firmeza. Por outro lado, todo comportamento positivo deve ser elogiado e reconhecido para que a criança se sinta valorizada.

Abandonando hábitos

É normal que muitos pais demorem a ter consciência dos efeitos negativos do hábito. Nunca é tarde para tentar mudar, porém. O primeiro passo é reconhecer potencialidades e deficiências como pai e como mãe.

“O casal deve trabalhar o autoconhecimento e o autodesenvolvimento. Quanto mais eles se conhecem, fica mais fácil identificar os hábitos negativos. Eles também precisam entender os próprios limites, para não se sobrecarregar”, acredita Allessandra.

Buscar apoio de outras pessoas é uma alternativa. Mas atenção: amigos e familiares nem sempre são as melhores opções. Eles podem estimular e reforçar os vícios comportamentais que eles mesmos carregam. O caminho é buscar orientação profissional, como coachs parentais ou psicólogos, e interagir com outros adultos que estejam passando pelo mesmo com os filhos. Esse contato ajuda a identificar o que pode ser considerado natural da fase das crianças ou não.

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