Parque Ibirapuera recebeu mais de 350 pessoas em evento que ressaltou direito de crianças autistas a usarem o espaço público

Mais de 350 pessoas participaram da primeira edição do “Pupanique”, em São Paulo. O evento, um piquenique para crianças e suas famílias, foi organizado pela blogueira Andréa Werner, mãe do Theo, um menino autista de seis anos. A reunião aconteceu no Parque Ibirapuera, no último sábado (09).

“A ideia era promover um encontro com as seguidoras do meu blog, o Lagarta Vira Pupa. Quando a data do piquenique já estava marcada, meu filho sofreu um grave episódio de preconceito, em Londres, onde morávamos. Foi assim que descobri que outras mães de crianças autistas passaram por outras situações horríveis e semelhantes”, lembra Andréa.

Piscina pública

Theo, o filho de Andréa, foi diagnosticado com autismo moderado a severo. O menino estava com ela em uma piscina pública, em Londres, quando foi repreendido com aspereza por outra mãe, que estava incomodada com a euforia de Theo.

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Andréa conta que não houve nenhum sinal de compreensão por parte da mulher quando informou que o filho é autista. Depois do episódio, o Pupanique ganhou outro objetivo: a ocupação do espaço público por crianças com autismo e outras necessidades especiais.

“Elas têm o direito de brincar no parquinho como as crianças típicas. Algumas mães evitam isso porque têm medo dos olhares de reprovação das outras pessoas. Lugar de criança autista, porém, é em todo lugar”, defende a blogueira.

“Tudo com elas funciona de um jeito diferente. As crianças autistas têm dificuldade de aprendizado e não sabem lidar com a frustração, por exemplo. Não é que os pais não estabelecem limites, mas tudo demora bem mais do que com uma criança normal”, pondera Andréa.

Brincadeiras

A reação das pessoas que estavam no parque durante o encontro foi tranquila e amigável. Até mesmo Theo teve alguns minutos de celebridade. Como o garoto é conhecido pelos posts da mãe no blog, todos queriam tirar uma foto com ele. “Olha só, esse menino é um artista”, disse um senhor ao ver Theo pulando de roda em roda, sendo cumprimentado por todos.

As crianças, com diferentes necessidades e níveis de autismo, se acabaram na brincadeira. Em nenhum momento houve atrito ou briga com outras crianças, que também dividiam o espaço de brincadeiras.

“Todos deveriam ter a pureza que os pequenos têm. Eles são inocentes, não reprovam o comportamento de crianças autistas. Eles acabam encontrando um jeito de se comunicar e interagir. Todo mundo ficou feliz”, acredita Andréa.

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