Segundo estudo, familiaridade dos pais com a internet ainda é insatisfatória. Falta de conhecimento compromete mediação crítica dos conteúdos aos que os filhos estão expostos online

Se da parte dos pais ainda falta conhecimento e familiaridade, o mesmo não se pode dizer das crianças. Elas observam, entendem e sabem usar – com facilidade que salta aos olhos – todo tipo de tecnologia, seja smartphone, tablet ou computador. Mas será que os adultos sabem o que as crianças e adolescentes tanto fazem quando estão conectadas?

Mais da metade dos pais entrevistados (51%) não se considera usuários de internet
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Mais da metade dos pais entrevistados (51%) não se considera usuários de internet

A pesquisa TIC Kids Brasil 2013, realizada pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (CETIC.br) mostra alguns destes hábitos em relação ao uso da internet. O estudo foi divulgado nesta quarta-feira (06).

De acordo com a pesquisa, a falta de segurança a que as crianças podem estar expostas tem relação direta com a pouca experiência que os adultos têm na internet. Mais da metade dos pais entrevistados (51%) não se considera usuários de internet. Justamente por causa desse distanciamento da tecnologia, têm poucas condições de opinar e avaliar de maneira crítica o que os próprios filhos consumem na rede.

Exemplo disso é a baixa porcentagem de pais conscientes do constrangimento ou incômodo virtual sofrido pelos filhos. Apenas 8% acreditam que a criança ou o adolescente tenha passado por alguma situação de bullying virtual, problema recorrente na internet. Estudos europeus e brasileiros mostram que cerca de 20% dos jovens já sofreram cyberbullying em algum momento da vida. “Pela falta de informação e experiência, os pais colocam esse problema em uma dimensão muito menor do que ela realmente tem”, analisa Alexandre Barbosa, gerente do CETIC.br.

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Dispositivos

Outro destaque da pesquisa foi em relação aos equipamentos utilizados por crianças e adolescentes e o local em que eles acessam a internet com mais frequência. Em 2013, o uso de dispositivos móveis cresceu consideravelmente, passando de 21% em 2012 para 53% no ano passado. Já o acesso à Internet por meio dos tablets cresceu de 2%, em 2012, para 16%, em 2013. Apesar da alta, os computadores de mesa ainda são o meio mais utilizado para acessar a Internet por este público: 71%.

O aumento do uso de dispositivos móveis inspira cuidados com o controle do conteúdo consultado online. “Nas classes A e B, principalmente, os filhos acessam os conteúdos no próprio quarto ou outros ambientes privativos, fora do alcance dos pais. Isso dá espaço para alguns riscos, que merecem atenção. Adultos devem passar a orientação do uso seguro da internet para as crianças”, aponta Alexandre.

Redes sociais

Ainda de acordo com a pesquisa, entre os usuários de internet de 9 a 17 anos, 77% apontam o Facebook como a rede social mais utilizada. Em relação às atividades realizadas, destacam-se: pesquisa para trabalho escolar (87%), assistir a vídeos (68%) e baixar músicas ou filmes (50%).

A pesquisa, na sua segunda edição, foi realizada entre setembro de 2013 e janeiro de 2014 e entrevistou 2.261 crianças e adolescentes usuários de internet com idades entre nove e 17 anos em todo o território nacional. O mesmo número de pais ou responsáveis dos jovens selecionados foi entrevistado para falar sobre as experiências dos filhos como usuários de internet.

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