Estudo que acompanhou jovens descolados por uma década mostrou que, depois da escola, muitos tiveram problemas com relacionamentos, álcool, maconha e até atividade criminal

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Adolescentes descolados apresentaram índice 45% maior de problemas resultantes do uso de álcool do que os não tão populares
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Adolescentes descolados apresentaram índice 45% maior de problemas resultantes do uso de álcool do que os não tão populares

Aos 13 anos, eles eram vistos pelos colegas de aula com inveja, admiração e um pouco de reverência. As meninas se maquiavam, tinham namorados e iam a festas organizadas por estudantes mais velhos. Os meninos se gabavam de beber cerveja às escondidas nas noites de sábado e afanarem camisinhas da loja de conveniência local. Eles eram maneiros. Eram bonitos. Mas, o que aconteceu com eles?

"A garotada que foi pela via expressa não terminou bem", afirma Joseph P. Allen, professor de psicologia da Universidade de Virgínia. Ele é o autor principal de um estudo, publicado esse mês no periódico "Child Development", que acompanhou essa molecada maneira, socialmente precoce e corredora de riscos durante uma década. De acordo com a pesquisa, ao longo do ensino médio o status social costuma despencar e esses adolescentes começam a patinar de muitas formas.

Foi sua corrida prematura ao que Allen chama de comportamento pseudomaduro que abriu o caminho para os problemas. Agora com 20 e poucos anos, muitos deles tiveram dificuldades com relacionamentos íntimos, álcool, maconha e até mesmo atividade criminal.

"Eles estão fazendo coisas mais radicais para tentar parecerem bacanas, gabando-se de beber uma dúzia e meia de latas de cervejas num sábado à noite, e seus colegas pensam: 'Essa garotada não tem competência social'. Eles ainda estão vivendo no mundo do ginásio".

Como alunos apressadinhos do fim do ensino fundamental, eram motivados por um desejo realçado de impressionar os amigos. Na verdade, o comportamento descarado lhes rendeu uma popularidade alta. Porém, no ensino médio, os colegas começaram a amadurecer e a popularidade dos garotos maneiros desapareceu.

B. Bradford Brown, professor de psicologia educacional da Universidade de Wisconsin-Madison, que escreve sobre relações entre adolescentes e não participou do estudo, diz que a pesquisa oferece dados valiosos. O achado que mais o surpreendeu foi que o comportamento "pseudomaduro" é um indicador mais forte de problemas com álcool e drogas do que os níveis de uso de drogas no começo da adolescência.

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Segundo Brown, pesquisas com adolescentes costumam acompanhá-los durante toda a adolescência, porém esse estudo acompanhou um grupo diversificado de 184 participantes de Charlottesville, na Virgínia, por um período mais longo de dez anos, começando aos 13 anos de idade e terminando aos 23.

Os pesquisadores batalharam para documentar a ascensão e queda do status social, periodicamente entrevistando os participantes e as pessoas que os conheceriam bem, geralmente amigos íntimos. Aproximadamente 20% do grupo caiu na categoria de "garoto descolado" no princípio da pesquisa.

O que é ser popular

De acordo com Allen e seus colegas, três comportamentos visando à popularidade caracterizam a pseudomaturidade: a busca de amigos fisicamente atraentes, romances mais numerosos e intensos em termos emocionais e sexuais do que os colegas e pequenos atos de delinquência – matar aula, entrar às escondidas no cinema e vandalismo.

O estudo constatou que, ao completarem 23 anos, na comparação com os colegas do ginásio que tiveram menos pressa, eles tinham um índice 45% maior de problemas resultantes do uso de álcool e da maconha e 40% maior de uso dessas substâncias. Eles ainda apresentavam um nível 22% maior de comportamento criminoso adulto, de roubo a assaltos. Além disso, muitos atribuíram os relacionamentos românticos adultos fracassados ao status social e à falta de maturidade por ter sempre que parecer e agir como um indivíduo mais velho. 

Os pesquisadores questionaram por que esse conjunto de comportamentos levou os jovens numa espiral descendente. Allen sugeriu que embora estivessem tentando ser populares, eles perdiam um período de desenvolvimento crítico. Ao mesmo tempo, outros adolescentes jovens aprendiam a forjar amizades com o mesmo sexo enquanto participavam de atividades sem dramas, como ver um filme juntos em casa numa sexta à noite ou tomar sorvete. De acordo com ele, os pais deveriam apoiar esse comportamento e não lamentar que os filhos não fossem "populares".

"Ser verdadeiramente maduro enquanto adolescente significa que você é capaz de ser um amigo bom, leal, solidário, esforçado e responsável. Porém, isso não gera muito sucesso numa manhã de segunda-feira na escola".

Outra explicação

Brown sugeriu outra perspectiva sobre por que a garotada maneira se perde no caminho. Os adolescentes que abrem o desfile social no ginásio – determinando as escolhas dos outros em termos de roupas, mídia social e até mesmo cores das agendas – têm um fardo pesado para o qual não estão emocionalmente preparados.

"Assim, eles gravitam na direção de garotos mais velhos".

E esses adolescentes mais velhos, que provavelmente já foram considerados bacanas, eram modelos dúbios a serem seguidos. "Na adolescência, quem está aberto a curtir com alguém três ou quatro anos mais novo? A molecada mais fora do padrão".

Allen descreveu uma biografia típica baseada no estudo. Aos 14 anos, o menino era popular. Conhecia muita gente, beijou mais de seis garotas, envolveu-se em pequenos problemas e se cercou de amigos de boa aparência. Aos 22 anos, o rapaz havia abandonado o ensino médio e tinha muitos problemas ligados à bebida, como faltar ao trabalho e prisões por dirigir bêbado. Ele está desempregado e ainda disposto a cometer pequenos roubos e atos de vandalismo.

Entretanto, como Allen enfatizou, a pseudomaturidade sugere uma predileção; ela não é um instrumento de previsão estável. Uma adolescente do estudo teve inicialmente um perfil similar, com muitos namorados na primeira adolescência, amigas atraentes e uma queda por roubar lojas. Contudo, aos 23 anos, segundo relato de Allen por e-mail, "ela havia se formado na faculdade, não tivera mais problemas com comportamento criminoso, usava álcool de forma responsável e tinha um emprego bom".

Mitchell J. Prinstein, professor de psicologia da Universidade da Carolina do Norte, campus de Chapel Hill, que estuda o desenvolvimento social de adolescentes, disse que embora esses jovens desejem ser aceitos pelos colegas, estudos sugerem que os pais podem reforçar características que os ajudarão a suportar a pressão para serem legais demais, rápido demais.

"Os adolescentes também gostam de individualidade e confiança. Os que conseguem manter os próprios valores ainda podem ser considerados legais, mesmo sem fazer o que os outros estão fazendo".

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