A partir de que idade a criança pode passar a noite fora? O que os pais devem mandar na mala? Entenda as orientações para que experiência seja livre de constrangimentos

É só haver um primo ou amigo com idade próxima que logo surge o convite para seu filho dormir fora de casa. As crianças adoram, é claro: o programa quebra a rotina e elas poderão brincar juntas por mais tempo. Da parte dos pais, o sentimento costuma se dividir entre a felicidade pela sociabilização do pequeno e a preocupação com o fato de ele ficar tantas horas distante.

Limite é a palavra-chave para a criança não fazer feio quando dormir na casa alheia, e quem deve ensinar isso a ela são, naturalmente, seus pais
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Limite é a palavra-chave para a criança não fazer feio quando dormir na casa alheia, e quem deve ensinar isso a ela são, naturalmente, seus pais

“A insegurança é muito comum, porque é uma separação momentânea, mas seguindo o bom senso e observando alguns detalhes, não tem por que dar errado”, afirma a psicóloga Rita Callegari, do Hospital São Camilo.

Independência e dinâmica familiar

A dúvida mais direta dos pais a respeito do assunto é, sem dúvida, a partir de que idade permitir que os filhos durmam em outra casa. As respostas são abstratas. A consultora de etiqueta Janaína Depiné começa levando em consideração um ponto bastante prático: se a criança ainda faz xixi na cama. “O ideal é que seja depois do desfralde, o que varia de caso para caso. Se ainda houver episódios de escape, é melhor não deixar, pois isso a constrangeria demais nessa situação”, recomenda.

Ela também destaca a independência desse filho nas pequenas tarefas, como escovar os dentes e pegar no sono, como fator de decisão. “É bom que ele vá quando já não for tão dependente dos pais, o que costuma ser ali pelos quatro anos de idade”.

Rita acrescenta a dinâmica familiar à equação. “Os pais que estimulam cedo a sociabilização dos filhos, deixando-os na casa de avós ou de tios quando saem para jantar ou para pegar um cineminha, por exemplo, os preparam melhor para passar uma noite inteira fora. Essas crianças podem começar por volta dos dois anos e meio, três anos de idade, pois já estão habituadas a estar em outras casas”, sugere. “Já as que têm círculos sociais restritos e pouca experiência fora de seu núcleo familiar podem esperar até os cinco anos”, complementa.

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A psicóloga aconselha, inclusive, que sejam realizadas experiências em casas de parentes antes de liberar a criança para dormir na casa de amigos. “Se houver algum contratempo ou algo diferente durante a noite, os parentes terão um enfrentamento melhor para a situação e mais liberdade para falar com os pais no horário que for”, justifica.

Orientações

Limite é a palavra-chave para a criança não fazer feio quando dormir na casa alheia, e quem deve ensinar isso a ela são, naturalmente, seus pais. “O primordial é ela entender que não pode fazer tudo o que quer – como deveria ser em seu próprio lar, inclusive – nem mexer nos objetos sem a autorização de um adulto”, afirma Rita. “Ela também precisa aprender a guardar as roupas que usar na mochila, a recolher os brinquedos que usa e a usar a pia do banheiro sem fazer estardalhaço com a água, ou seja, a não deixar um rastro de bagunça”.

Quanto à alimentação, cabe aos pais orientar que na casa dos outros ela vai comer o que for servido, sem fazer pedidos especiais, uma vez que não estará em um restaurante. “Se não gostar do que for posto à mesa, ela tem que saber recusar com um agradecimento, sem fazer cara de nojo. Poucas coisas são tão desagradáveis quanto uma criança fazendo cara de nojo para comida”, opina a psicóloga Rita.

Paladar difícil ou especial

Caso a criança tenha um paladar muito difícil, a sugestão de Janaína é que os pais mandem os alimentos que mais a agradem e avisem aos pais do amiguinho sobre isso. O mesmo vale para aquela com restrições alimentares. “Ela deve levar o leite que possa beber ou o pão que possa comer, porque nem todo mundo os terá em casa. Os anfitriões também precisam saber se ela não puder consumir determinado tipo de alimento ou ingrediente, para não usá-lo”, diz a consultora de etiqueta.

Pelo lado de quem recebe, é fundamental respeitar a individualidade do pequeno convidado e não tentar forçá-lo a comer algo que ele tenha recusado. Segundo Janaína, “não há por que querer ser educadora nessa hora, isso não é responsabilidade dos pais do amiguinho”.

Dores e medicação

A maturidade já mencionada tem um papel importante também na capacidade de comunicação infantil. “Se ela sentir alguma dor, precisa saber verbalizar isso para os adultos da casa, para eles poderem comunicar aos pais ou administrar algum medicamento”, explica Rita. A propósito: entre os itens da mala é prudente colocar um kit com os remédios mais comuns para cólicas, dores de cabeça e outros incômodos.

Crianças diabéticas devem ser deixadas depois da aplicação de insulina do dia e antes da próxima dose. “Não são todos os pais que sabem ou se sentem à vontade para dar injeções nos filhos dos outros”, esclarece Janaína. E, se o convidado estiver tomando algum comprimido, um bilhete com os horários em que eles devem ser ingeridos é suficiente para evitar transtornos. “Mas se a criança estiver muito doente, é melhor adiar o compromisso, tanto pela recuperação dela quanto para evitar a exposição das pessoas ao vírus ou bactéria com que ela estiver”, orienta.

Prazo de validade

Dormir na casa do amiguinho é um programa com hora para começar e terminar, não um convite para mudança de casa. Para evitar constrangimentos, os adultos devem conversar entre eles e definir os horários.

“O recomendado é que a duração não chegue a 24 horas”, afirma Janaína, que ressalta, ainda, que não pode haver negociação com o filho para estender sua permanência. “Claro que as crianças vão querer prolongar, mas os pais do convidado não podem ceder. Os outros pais podem ter compromissos e é péssimo não cumprir os horários. O combinado entre os adultos é sagrado”.

A mala da criança

Roupas de cama e toalhas de banho normalmente são fornecidas pelos pais anfitriões, mas é de bom tom perguntar antes se é necessário mandar um jogo de cada. O que não pode faltar na mala da criança são os itens de uso pessoal.

Além dos remédios para aliviar eventuais desconfortos, é indispensável mandar na mala da criança:

- pijama
- uma muda de roupa (para trocar pela manhã)
- escova e pasta de dentes
- sabonete, esponja e xampu para banho
- escova ou pente para os cabelos
- estojo para aparelho móvel (caso a criança use um)
- o material escolar (caso haja aula no dia seguinte)

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