Em casa, em um bar ou no estádio, atenção a detalhes faz toda a diferença para os filhos não correrem riscos enquanto os pais comemoram jogadas e gols

Ana Carolina e o filho com os acessórios que usarão durante os jogos do Brasil
Arquivo pessoal
Ana Carolina e o filho com os acessórios que usarão durante os jogos do Brasil

Um olho na tela – ou no gramado – e outro nas crianças. Transformar cada jogo de Copa do Mundo de futebol em festa com parentes e amigos é tradição brasileira. Com o campeonato no país, então, a empolgação é dobrada e os preparativos começaram meses antes do pontapé inicial. A família da enfermeira Ana Carolina Cavalcanti é uma que já está com tudo pronto, e seu filho, Pedro, de 4 anos, é o mais paramentado de todos.

“Já no Natal ele ganhou a camiseta oficial da seleção brasileira, com o nome dele e o número 10 [o garoto é fã de Neymar] nas costas. De lá para cá, fomos aumentando a coleção e ele já tem o segundo uniforme completo, a camisa azul com calção branco. Só falta o short verde do uniforme principal, que está difícil de achar”, conta Ana. Os outros apetrechos que Pedro usará para acompanhar os jogos são peruca verde e amarela, óculos, corneta, apito, bandeira do Brasil e a Brazuca (a bola oficial da Copa). E, claro, o que mais aparecer. “Se vejo algo bonito, que não apresente riscos para a saúde dele, não seja muito pequeno e que ele consiga manusear, trago para casa”.

As reuniões para assistir às partidas, como manda a tradição na família da enfermeira desde quando ela era criança, serão na casa de seus pais – os avós de Pedro. “A gente sempre enfeitou a casa para os jogos, é tudo muito animado. Cresci assim e agora ele também vive isso”, comemora. Ela garante que fica tranquila com o bem-estar do filho nos 90 minutos de bola rolando porque “é um lugar que ele conhece bem e tem toda a segurança de que uma criança precisa”.

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Casas seguras

Independentemente de estarem na própria casa ou na casa de pessoas muito próximas durante os jogos, os pais devem ficar atentos a alguns detalhes para proporcionar segurança e conforto para seus filhos. “Todas as janelas devem ter telas ou grades e, se possível, travas. Se for uma casa com piscina, ela deve ser cercada, impedindo que as crianças consigam entrar nela sozinhas. Caso não haja esse mínimo de cuidados, é melhor não ir ou não levar a criança”, recomenda Alessandra Françoia, coordenadora nacional da ONG Criança Segura.

A pediatra Marianne Paiva Carneiro, da Vaccini – Clínica de Vacinação, acrescenta que “é bom os adultos levarem algum entretenimento discreto, como massinhas para modelar, papel e giz de cera” para os pequenos se distraírem quando não quiserem prestar atenção à partida.

“Além disso, fornos e fogões devem estar inacessíveis para as crianças, porque elas colocam as mãozinhas mesmo e se queimam. E sempre ficar de olho, lembrar que elas estão lá. Muitos acidentes acontecem quando há muitos adultos no ambiente e todos acham que alguém estará olhando as crianças. Às vezes, ninguém está”, afirma a médica.

Ambientes públicos

Se a ideia for encontrar o pessoal em lugares como bares e restaurantes que disponibilizam telões para turmas animadas assistirem aos jogos enquanto petiscam, uma boa pedida é escolher um estabelecimento que tenha espaço kids. “Havendo um cuidador, os pais podem curtir o jogo quase sem se preocupar – ‘quase’ porque é sempre bom estar de olho, até para ver se a criança não pega um copo de bebida alcoólica de cima da mesa quando todos estão comemorando um gol”, diz Alessandra.

As saídas do local devem ser observadas, como indica Marianne: “O ideal é que haja uma única porta de saída e que ela não dê diretamente para a rua, ou seja, que haja uma área interna entre o salão e a calçada. Isso diminui muito as chances de a criança sair sem os adultos verem”.

Há, ainda, a possibilidade de assistir às partidas em telões montados em grandes áreas, normalmente nos centros das cidades. Nesse caso, os pais devem falar para os filhos ficarem sempre por perto. E, na opinião de Marianne, é melhor levar só aqueles que tenham mais de seis anos de idade para esse ambiente. “Antes disso, eles nem conseguem curtir”, justifica.

Ela também dá uma dica simples e eficaz, válida para qualquer idade: identificar a criança. “Costure na roupa dela uma tarja com o nome, os nomes dos pais ou responsáveis e telefones para contato. Caso ela se perca dos adultos com quem estiver, fica fácil para alguma autoridade ajudá-la”, ensina.

No estádio

Nos estádios, o cuidado é mais do lado de fora: as especialistas destacam a necessidade de evitar as multidões na entrada e na saída. “Quem está com criança deve chegar bem antes e ou ir embora antes do apito final ou esperar a maior parte do público sair para então deixar o estádio”, sugere Marianne.

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Alessandra ressalta que os filhos não devem ir ao banheiro sem a companhia de um adulto e pede calma na hora da comemoração dos gols: “O empurra-empurra pode machucar as crianças”.

Bebês

Não é indicado que bebês com menos de seis meses de idade participem de festa para assistir aos jogos da Copa do Mundo, seja ela em casa, em um estabelecimento fechado ou no estádio. A pediatra Marianne explica por quê: “Esse bebê não tem a imunidade completa, ainda está recebendo a terceira dose de reforço das principais vacinas. Vale lembrar que a Copa será em um mês frio [de 12 de junho a 13 de julho] e, até os seis meses, a criança não tem imunidade contra a gripe, pois não recebeu essa vacina especificamente”.

Acessórios

Para evitar acidentes, Alessandra, a coordenadora nacional da ONG Criança Segura, orienta que os pais procurem o selo do InMetro nos acessórios e fantasias infantis com o tema Copa do Mundo. “As tintas usadas para pintar a pele e os esmaltes para as unhas devem ser atóxicos e, de preferência, especialmente desenvolvidos para crianças. Objetos pontiagudos ou muito pequenos não podem nem passar perto do público mirim”, afirma.

Com tudo isso observado, pais e filhos podem aproveitar à vontade reuniões, festas e toda a atmosfera futebolística. E sem soltar rojões! “Está previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente que crianças não podem acender nem segurar fogos de artifício. Se for indispensável, é melhor fazer isso a, pelo menos, 20 metros de distância delas”, finaliza Alessandra.

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