Apresentações musicais, peças de teatro e atividades em museus podem ser aproveitadas pelas crianças e pelos adultos. Confira dicas de onde esses passeios podem ser feitos

Para explorar acervos e exposições de arte, comece por instituições mais consolidadas, que têm setores educativos fortes
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Para explorar acervos e exposições de arte, comece por instituições mais consolidadas, que têm setores educativos fortes

Nada de oito ou 80. Para curtir uma programação cultural com as crianças, não é preciso nem que os pais se obriguem a ouvir as mesmas músicas infantis todo final de semana nem que os filhos sejam submetidos a atividades que não os interessem e só os cansem. Existe um meio-termo que abriga toda a família, e ele está nos eventos e locais tradicionalmente destinados aos adultos – museus, salas de concertos e apresentações de teatro e dança, por exemplo.

Se bem preparadas, as crianças podem aproveitá-los hoje e amanhã. Monique Andries Nogueira, professora da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e coordenadora do Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação, Arte e Cultura (Gecult) da mesma instituição, explica: “Por mais que muitos materiais feitos para crianças tenham qualidade, é importante expô-las a outros universos, levá-las a ambientes culturais ditos adultos para que elas conquistem a sensação de pertencimento, de serem parte daquele local e daquela experiência. Isso é fundamental para que, adultas, elas queiram adquirir cultura”.

A preparação, para Lina Brochmann, idealizadora do guia de programação infantil Bora Aí, é “o x da questão”. “Se os pais planejam assistir a uma apresentação de música clássica no parque com o filho, por exemplo, têm que conversar com ele antes, contar que será um show com orquestra, que precisa prestar atenção, que não vai cantar junto. Porque, se não fizerem isso, essa criança vai esperando ver o Palavra Cantada e se frustra”, afirma. “Ela pode nunca mais querer voltar”.

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Também é bom, em termos de organização, checar a infraestrutura do evento: se há banheiros de fácil acesso para adultos e crianças, fraldário (para quem vai com bebê), lanchonete, restaurante, se há previsão de filas grandes na entrada. “Não se deve submeter uma criança pequena a uma fila de três horas ou a uma maratona de seis horas em um museu, isso tornará a experiência ruim. Há que se ter bom senso e intensificar a dosagem à medida que a criança cresce, tem mais resistência e já está familiarizada com os ambientes”, orienta Monique.

Que tipo de programa escolher?

Na opinião de Monique e Lina, as apresentações musicais agradam com mais facilidade tanto aos pais quanto aos filhos e podem ser um bom ponto de partida para os programas culturais em família. “São realizados com frequência concertos didáticos para desmitificar a obra de um grande artista, como Mozart. Até os adultos aprendem quando levam as crianças a eles”, destaca Monique.

Ir a museus é outra boa ideia com potencial para levar ensinamentos para todos. “As crianças têm um olhar diferente sobre as obras e acabam notando detalhes que escapam aos adultos”, conta Lina, que já passou por isso com o filho mais velho, Ben, de quatro anos (ela também é mãe de Nir, de um ano e meio).

Para explorar acervos e exposições de obras de arte, Monique sugere “começar pelas instituições mais consolidadas, que têm setores educativos muito fortes. Pais e filhos aprendem. Ter um mediador torna tudo mais fácil”.

Isso tudo só vale a pena se os pais curtirem os programas e estiverem ali de livre e espontânea vontade. “Se eles não gostarem de museus, a criança detectará isso nos rostos deles, e a experiência será ruim”, garante Lina, que também afirma não haver idade para iniciar o hábito de saídas culturais em família: “A criança sempre absorverá algo, nem que seja o comportamento do adulto ou a leitura das explicações ao lado de cada obra”.

A empresária Roberta Suplicy faz questão de expor os filhos a programas culturais
Arquivo pessoal
A empresária Roberta Suplicy faz questão de expor os filhos a programas culturais

Cultura para afastar o consumismo

A empresária Roberta Suplicy, autora do blog Criança com Conteúdo  e mãe de Chloe, sete anos, e de Gabriel, cinco anos, incorporou à rotina familiar as idas a salas de concertos e a museus. “Hoje em dia é tudo tão voltado para o consumo que, se os pais só levarem os filhos a atrações nos shoppings, as crianças ficarão com essa ideia de que é preciso consumir para se divertir. Por isso, procuro ir com eles a programas culturais bem distantes de qualquer consumismo, que tenham apelo para o olhar da criança”, explica.

O hábito faz com que os pequenos peçam para ir (ou voltar) a exposições e óperas e tenham resistência a programas mais longos. “A Chloe faz balé e a levei para ver o Grupo Corpo, que tem uma proposta diferente. Quando acabou o primeiro ato, falei que poderíamos voltar para casa se ela estivesse cansada, mas ela quis ficar. Quando acabou, queria mais”, lembra.

Além disso, Roberta percebe que as visões deles sobre artes são mais amplas. “As professoras comentam que nas aulas de artes eles mostram olhares diferentes. Não é que eles sejam melhores, nada disso; é uma questão de referências mesmo”, opina.

Os ganhos para as crianças

O aumento do repertório e a ampliação da cultura são apontados por Monique e Lina como os principais ganhos das crianças estimuladas pelos pais a frequentar programas culturais em ambientes adultos. “Do ponto de vista individual, elas têm o benefício de uma capacidade reflexiva que a experiência estética permite. No coletivo, exercitam-se para as diferenças, para serem adultos mais sensíveis, tolerantes, plurais, abertos, cidadãos menos preconceituosos. Deve-se pensar na inclusão da criança na cultura em termos de cidadania”, defende Monique.

Lina reforça que o hábito criado na infância acompanhará essa pessoa pelo resto da vida. “O adulto consegue ver o que quer e a criança aprende. É uma mudança comportamental da família em que todos saem ganhando”, finaliza.

>> Veja sugestões de lugares para se divertir em família:

Sala São Paulo
Apresentações da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp), de corais e de orquestras de câmara e de repertório, entre outras atrações, são realizadas às 11h da maioria dos domingos (é necessário conferir a programação). Ótima pedida para os pais apreciarem um bom espetáculo e os filhos começarem a se familiarizar com esse tipo de música.
Endereço: Praça Júlio Prestes, 16 – Campos Elíseos – São Paulo/SP
Telefone: 11 3367-9500
Site: www.salasaopaulo.art.br

Museu da Casa Brasileira (São Paulo)
Todos os domingos, às 11h, oferece shows gratuitos de jazz e MPB, entre outros ritmos, a que toda a família pode assistir – não são infantis, mas as crianças curtem bastante, pelo clima e pelo ambiente. O museu também tem exposições, instalações e oficinas educativas para crianças e adultos.
Endereço: avenida Brigadeiro Faria Lima, 2705 – Itaim Bibi – São Paulo/SP
Telefone: 11 3032-2564
Site: www.mcb.org.br

Museu de Arte Moderna-MAM (São Paulo)
Além de possuir mais de quatro mil obras de arte contemporâneas (pinturas, gravuras, fotografias, vídeos e instalações) em seu acervo e realizar exposições constantemente, o MAM-SP oferece ao público o Família MAM, com atividades como oficinas de música para bebês, oficinas de artes e brincadeiras artísticas para toda a família. As atividades são gratuitas e acontecem aos sábados, às 15h. Tudo isso com o Parque do Ibirapuera como cenário.
Endereço: Parque do Ibirapuera – Portão 3 – São Paulo/SP
Telefone: 11 5085-1300
Site: mam.org.br

Theatro Municipal de São Paulo
Tem em sua programação óperas, concertos e balés que, com a devida orientação dos pais quanto ao comportamento (não pode gritar, por exemplo), podem ser acompanhados pelas crianças. Algumas apresentações são realizadas nas manhãs de domingos (bom para crianças menores) e no começo da noite dos outros dias (adequado para crianças maiores e adolescentes). Também é possível fazer visitas guiadas para conhecer o interior do prédio histórico.
Endereço: praça Ramos de Azevedo, s/n – Centro – São Paulo/SP
Telefone: 11 3397-0300
Site: www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/cultura/theatromunicipal/

Centro Cultural Banco do Brasil (Rio de Janeiro)
Considerado um dos centros culturais mais completos do país, o CCBB-RJ tem três teatros, quatro cabines de vídeo, um cinema, dois auditórios e uma biblioteca com 140 mil volumes. É diversão para toda a família! Além disso, ele conta com um projeto educativo com atividades em artes cênicas, cinema e exposições que podem ser acompanhadas por crianças e adultos.
Endereço: rua Primeiro de Março, 66 – Centro – Rio de Janeiro/RJ
Telefone: 21 3808-2020
Site: culturabancodobrasil.com.br/portal/rio-de-janeiro/

Instituto Moreira Salles (Rio de Janeiro)
A bela casa que abriga o instituto tem salas de exposição, biblioteca, auditório e ateliê para todas as idades, além de uma reserva técnica fotográfica que reúne imagens da cidade do Rio de Janeiro. Aos sábados, uma programação infantil gratuita é oferecida às 17h – são contações de histórias e oficinas, entre outras atividades.
Endereço: rua Marquês de São Vicente, 476 – Gávea – Rio de Janeiro/RJ
Telefone: 21 3284-7400
Site: ims.com.br

Instituto Ricardo Brennand (Recife)
O Museu de Armas Castelo São João leva visitantes de todas as idades a se sentirem no melhor da Era Medieval. São mais de três mil peças expostas, entre elas pinturas (brasileiras e estrangeiras), armaria, tapeçaria, esculturas e mobiliários. As produções datam do século 15 até os dias de hoje. Do lado de fora, a família curte uma enorme área verde e o jardim de esculturas, com uma obra do colombiano Fernando Botero.
Endereço: alameda Antônio Brennand, s/n – Várzea – Recife/PE
Telefone: 81 2121-0352
Site: www.institutoricardobrennand.org.br

Museu do Mamulengo (Olinda)
Com acervo de mais de 1500 bonecos artesanais confeccionados a partir do século 19, o museu tem ainda exposições, bibliotecas, oficinas e um grande jardim. Uma atração que a família não pode perder é a réplica de moinho de farinha.
Endereço: rua de São Bento, 344 – Ribeira – Olinda/PE
Telefone: 81 3493-2753
Site: museudomamulengo.blogspot.com.br

Circuito Cultural Praça da Liberdade (Belo Horizonte)
O complexo cultural abriga espaços interativos com acervos históricos, artísticos e temáticos, centros culturais interativos, biblioteca, espaços para oficinas e planetário. Fazem parte dele: Arquivo Público Mineiro, Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa, Centro de Arte Popular Cemig, Centro Cultural Banco do Brasil, Espaço do Conhecimento UFMG, Memorial Minas Gerais Vale, Museu das Minas e do Metal, Museu Mineiro e Palácio da Liberdade. A família toda pode aproveitar e aprender muito.
Endereço: Praça da Liberdade, 317 – Funcionários – Belo Horizonte/MG
Telefone: 31 3239-2000
Site: circuitoculturalliberdade.com.br

Casa de Cultura Mário Quintana (Porto Alegre)
Sediada no prédio do antigo Hotel Majestic, onde o poeta gaúcho viveu entre os anos 1960 e 1980, o Centro de Cultura Mário Quintana tem a Vitrine do Brinquedo, onde crianças e adultos viajam no tempo ao conhecer peças antigas, como jogos de tabuleiro, e contemporâneas, como bonecas e carrinhos. Além disso, nos sete andares do edifício há salas de cinema, de teatro e bibliotecas que toda a família pode curtir.
Endereço: rua dos Andradas, 736 – Centro Histórico – Porto Alegre/RS
Telefone: 51 3221-7147
Site: www.ccmq.com.br

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