Saiba depois de quanto tempo de tentativas frustradas o casal deve procurar um especialista, o que pode causar problemas de fertilidade e conheça tratamentos disponíveis atualmente

O período de tentativa para engravidar de forma natural deve ser de, no mínimo, seis meses antes de procurar ajuda médica
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O período de tentativa para engravidar de forma natural deve ser de, no mínimo, seis meses antes de procurar ajuda médica

Quando um casal deseja ter um filho, os primeiros passos são abolir os métodos anticoncepcionais e manter relações sexuais regulares. Em uma realidade ideal, já no primeiro mês a mulher não ficará menstruada, verá um resultado positivo em um teste de gravidez de farmácia – que será confirmado pelo exame de sangue – e os próximos nove meses serão de preparação e expectativa pelo bebê.

Mas nem sempre a vida se encaminha dessa maneira. Os meses passam e nada da gravidez se concretizar. Quanto tempo o casal deve esperar até procurar ajuda médica?

“A grande maioria dos casais vai engravidar no primeiro ano. Até os 35 anos, a mulher pode procurar a ajuda de um especialista depois de 12 meses de tentativas frustradas. Dessa idade em diante, é bom fazer isso depois de seis meses”, recomenda Daniel Zylberstajn, especializado em medicina reprodutiva pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e médico assistente do Setor Integrado de Reprodução Humana do Hospital São Paulo/Unifesp.

A ginecologista e obstetra Kátia Franco, especializada em ginecologia e obstetrícia pela Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), concorda com os períodos indicados por Zylberstejn e conta como deve ser o início das investigações: “A paciente deverá procurar um ginecologista, que investigará as causas de infertilidade por meio de exames de sangue, espermograma do parceiro e exames de imagem específicos. A partir daí, podem começar os tratamentos. Caso seja necessário algum tipo de intervenção mais complexa, a mulher será encaminhada a um especialista em reprodução humana”.

Pressa e ansiedade

Para alguns casais, esperar seis ou 12 meses para conseguir uma gestação naturalmente é muito tempo. Eles têm pressa e, frustrados e ansiosos por a gravidez não se concretizar em um ou dois meses, logo procuram médicos para "acelerar o processo".

Zylberstejn desaconselha esse tipo de atitude: "Não é recomendado um tratamento, seja de baixa ou de alta complexidade, quando não há problema de fertilidade. Fazer isso apenas por pressa pode levar complicações para a vida do casal. Deve-se lembrar que as técnicas de reprodução assistida não são isentas de riscos: podem envolver cirurgias e aumentam a probabilidade de gemelaridade, o que pode levar a uma gestação de risco para a mulher e para os fetos".

Para acalmar os apressados, o especialista considera útil a realização de uma avaliação completa do potencial reprodutivo do casal. Ela envolve quatro exames: o homem precisa fazer um espermograma e a mulher, um perfil hormonal, um ultrassom transvaginal e uma histerossalpingografia (avaliação das trompas e da cavidade uterina). Os resultados ficam prontos em aproximadamente um mês e mostram se o homem e a mulher têm condições físicas de gerar um filho pelas vias naturais. "Caso haja de fato um problema de fertilidade, ele será detectado, mas é muito raro", afirma.

Por que alguns casais têm dificuldade para engravidar?

De acordo com Kátia, “a infertilidade decorre em 30% a 40% de causas femininas, em 25% a 30% de causas masculinas e em 30% a 39% de causas em que ambos os parceiros estejam envolvidos”.

Entre as causas femininas, Zylberstejn destaca as doenças como grandes vilãs: elas são responsáveis por aproximadamente 90% dos casos. “Entre essas doenças estão a endometriose – que pode afetar a estrutura anatômica do trato reprodutor, causar obstrução tubária e má qualidade dos óvulos –, as doenças inflamatórias pélvicas – que também podem levar à obstrução tubária; a clamídia é a mais comum – e a síndrome dos ovários policísticos – que não permite que a mulher ovule todos os meses”, lista.

Nos outros 10% ficam alterações genéticas raras, como a Síndrome de Turner, o tabagismo, o uso de drogas (estes dois diminuem o potencial ovariano) e a idade avançada. “O fator idade é extremamente importante”, ressalta Kátia, que continua: “A mulher apresenta uma queda gradual da fertilidade já aos 25 anos, acentuando-se marcadamente após os 35 anos, devido à não renovação dos folículos ovarianos e à perda da maioria deles”.

Ao nascer, a mulher tem cerca de um milhão de folículos nos ovários. Na primeira menstruação, esse número cai para 400 mil. A cada ovulação, cerca de mil folículos são “recrutados”, com a ovulação de apenas um. “O cenário fica menos favorável justamente quando as mulheres, atualmente, buscam ter filhos”, afirma Kátia.

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Quando aos homens, a ginecologista e obstetra diz que as causas de infertilidade ainda não são totalmente conhecidas. “Evidências revelam, porém, que a fertilidade masculina também declina com a idade, principalmente após os 35 anos”, esclarece

Tratamentos para engravidar podem ser de baixa ou alta complexidade, de acordo com a necessidade do casal
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Tratamentos para engravidar podem ser de baixa ou alta complexidade, de acordo com a necessidade do casal

Os tratamentos

Os tratamentos de que os médicos dispõem atualmente para ajudar o casal a gerar o tão desejado bebê podem ser de baixa complexidade (por relação sexual ou indução de ovulação) e de alta complexidade (por inseminação artificial).

Vale lembrar que, de acordo com o Conselho Federal de Medicina, a idade limite para a mulher ser submetida a qualquer um desses tratamentos é 49 anos.

Entenda melhor cada um deles:

Tratamentos de baixa complexidade

- Coito programado
Trata-se de determinar quais são os melhores dias do mês para o casal manter relações sexuais com o objetivo da fertilização de um óvulo. “Elas precisam ser no período periovulatório, ou seja, do 10º ao 20º dia do ciclo menstrual”, explica Zylberstejn. Esse cálculo é feito com auxílio de um ginecologista.

Também é bom que as relações não aconteçam diariamente neste período: o ideal é que sejam a cada dois ou três dias, uma vez que um espermatozóide tem vida útil de 48 a 72 horas e um óvulo, de 24 a 48 horas. Dando um intervalo, há mais chances de as condições ideais dos parceiros se encontrarem.

Chances de sucesso: de 15% a 20%
Custo: nenhum

- Indução de ovulação com citrato de clomifeno
O citrato de clomifeno é ingerido via oral, em formato de comprimido, e estimula a produção de óvulos. “Com ele, é mais fácil fazer um controle dos ovários e indicar com ainda mais precisão o melhor dia do ciclo menstrual para o casal ter relação sexual”, diz Zylberstejn. “Precisa ser muito bem orientado e acompanhado, já que o uso pode causar a síndrome do hiperestímulo ovariano”, adverte Kátia.

Chances de sucesso: de 15% a 20%
Custo: de R$ 4 mil a R$ 5 mil

- Indução de ovulação com gonadotrofina
Quando o tratamento com citrato de clomifeno não surte efeito, o caminho mais comum é passar para a gonadotrofina – um hormônio que a própria mulher possui no organismo, mas pode precisar de uma maior concentração dele para facilitar a fecundação de um óvulo. “A dosagem é definida caso a caso e a aplicação é feita por meio de injeções que a própria paciente pode administrar em casa. A gonadotrofina estimula o ovário a produzir mais folículos”, explica Zylberstejn. Kátia adverte novamente que o tratamento deve ser bem orientado e acompanhado, pelo mesmo motivo da ingestão de citrato de clomifeno.

Chances de sucesso: 30%
Custo: de R$ 4 mil a R$ 5 mil

Tratamentos de alta complexidade

- Fertilização in vitro clássica
A mulher toma gonadotrofina em altas doses, para promover a máxima produção ovariana possível, e seus óvulos são retirados em um procedimento cirúrgico. “Dura aproximadamente meia hora e precisa de anestesia. É feita uma punção ovariana intravaginal para retirar o máximo de óvulos e mandar para um laboratório de embriologia junto com os espermatozóides do homem, que são colhidos no mesmo dia”, detalha Zylberstejn.

Nesse procedimento, os óvulos e os espermatozóides são colocados em um prato e espera-se a fecundação natural. Assim que os embriões estão formados, são inseridos no útero da mulher pelo médico. Duas semanas depois, ela já sabe se está grávida ou não.

Chances de sucesso: 40% em uma tentativa; 60% depois de três tentativas
Custo: de R$ 11 mil a R$ 20 mil

- Fertilização in vitro ICSI

Todo o procedimento inicial é idêntico ao da fertilização in vitro clássica. O que muda é a forma como a fecundação é feita: por meio de uma injeção intracitoplasmática dos espermatozóides em óvulos. “É aquela imagem que sempre vemos na televisão, do óvulo sendo espetado por uma agulha que contém os espermatozóides”, ilustra Zylberstejn.

Assim como na fertilização in vitro clássica, os embriões são inseridos no útero da mulher pelo médico, e ela sabe se está grávida ou não depois de duas semanas.

Chances de sucesso: 40% em uma tentativa; 60% depois de três tentativas
Custo: de R$ 11 mil a R$ 20 mil

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