A transição entre o aleitamento materno exclusivo e a alimentação sólida requer cuidados. Veja ingredientes que devem ir ao prato do seu filho, quais evitar e por que

Os alimentos ofertados para a criança no início da vida são decisivos para a formação de seu paladar. Até os seis meses, conforme recomendação da Sociedade Brasileira de Pediatria e do Ministério da Saúde, o bebê deve ser nutrido exclusivamente com o aleitamento materno. A partir dos sete meses de idade, começa o período de introdução de alimentos sólidos, em que novos sabores e texturas entram na vida dos pequenos.

Se o bebê inicialmente rejeitar novos alimentos, a mãe deve insistir na oferta em outro momento
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Se o bebê inicialmente rejeitar novos alimentos, a mãe deve insistir na oferta em outro momento

“É um momento de descobertas para a mãe e para o bebê, importante especialmente porque condiciona os bons hábitos alimentares futuros. Daí a necessidade de uma alimentação completa, equilibrada e variada”, afirma a nutricionista Simone Costa, do Colégio Logosófico.

A nutricionista Socorro Carvalho, do Sistema Hapvida Saúde, explica que “a introdução da comida deve ser gradativa, sem fazer a retirada brusca do leite materno, exceto em situações especiais que envolvam a saúde da mãe ou outro motivo de impedimento”.

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Os ingredientes deverão ser colocados no prato infantil primeiramente em formato de papa, como orienta Simone: “No início, do sexto ao oitavo mês, a mãe não deve peneirar nem liquidificar os alimentos, para que sejam aproveitadas suas fibras. Fica parecido com um purê”.

Em seguida, do nono ao 11º mês, essa papa pode ganhar o acompanhamento de pequenos pedaços da comida. Do primeiro aninho em diante, quando a criança já está com um início de dentição, a consistência pode ser sólida. “A quantidade e a consistência são aumentadas e reguladas de acordo com a aceitação”, acrescenta Socorro.

O que deve ter no prato

Para a elaboração das refeições, as nutricionistas recomendam ingredientes saudáveis e nutritivos, como os listados abaixo:

- Cereais (arroz, aveia, milho): são fontes de fibras
- Tubérculos ou raízes (batata, mandioquinha, cenoura, beterraba, mandioca, nabo): fornecem carboidratos
- Carnes (bovina, aves, peixes e vísceras, especialmente o fígado – ou ovos): fontes ricas em proteínas
- Verduras e legumes (brócolis, repolho, tomate, espinafre, couve-flor): são fontes de fibras, vitaminas e sais minerais
- Frutas (laranja, maçã, mamão, pera, melão, uva): trazem fibras, vitaminas e sais minerais ao cardápio da criança

Além disso, água deve ser oferecida ao bebê ao longo de todo o dia, mesmo que ele não manifeste sede, para que ele esteja sempre hidratado.

O que deve ser evitado

Açúcar refinado, café, enlatados, frituras, refrigerantes, balas, salgadinhos, biscoitos recheados e embutidos (como a salsicha e a linguiça) devem ficar longe dos pratos infantis. “Não são saudáveis, vão tirar o apetite da criança e competir com alimentos saudáveis. Além disso, estão associados à anemia, ao excesso de peso e às alergias alimentares futuras”, justifica a nutricionista Simone Costa.

Sem truques

Por ser um período de muitas novidades, com diferentes cheiros, gostos e mesmo objetos usados para as refeições, o bebê pode inicialmente rejeitar alimentos. “É comum ele estranhar alguns sabores. Neste caso, a mãe deve insistir na oferta em outro momento, e ele poderá ter melhor aceitação”, sugere a nutricionista Socorro Carvalho.

Estratégias como colocar iogurte no leite, açúcar na fruta ou um tempero reforçado na papa ou na sopa salgada não são vistos com bons olhos por Simone. “É no processo de desmame que o indivíduo tem a chance de aprender a diferença entre os sabores. ‘Truques’ desse tipo mascaram essa descoberta”, alerta.

Para ela, a mãe precisa trabalhar o psicológico para passar por essa fase sem sucumbir à tentação de aderir a um atalho sugerido por uma amiga ou familiar. “Ela deve procurar ter tranquilidade e encontrar uma medida de ações. Não é recomendável que seja insistente, mas também não pode desistir na primeira tentativa ou virada de rosto do filho”, diz.

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