Em livro infantil, Antonio Anselmo Emediato conta como divide seu tempo entre os pais e expõe, com leveza, os inevitáveis conflitos familiares

“Pai, como se faz um livro?” Foi com essa pergunta que Antonio Anselmo Emediato, de apenas 8 anos, deu início ao projeto de escrever um livro sobre seus pais, irmãos e padrasto. “A minha família é diferente das outras”, afirma.

O termo “diferente”, usado por Antonio, na verdade, expressa um novo arranjo familiar conhecido como família “mosaico”. Nesse ambiente, convivem pais, mães, padrastos, madrastas e irmãos de diversos casamentos. “Tenho três irmãos, filhos do meu pai, e uma irmã, filha da minha mãe. Além disso, também tem o Enoch, que é casado com minha mãe”, explica Antonio, filho de Luiz Fernando Emediato e Ana Paula Teles Romano.

Antonio, de oito anos, conta no livro
Divulgação
Antonio, de oito anos, conta no livro "Minha Família" como é a rotina de viver em duas casas

Mostrando a configuração não muito usual de sua família, o menino de oito anos conta como é a rotina de viver em duas casas no livro “Minha Família” (Editora Geraçãozinha). “Com meu pai, não temos horários nem rotina. Podemos fazer o que quisermos. Com minha mãe e o Enoch, tenho uma rotina bem longa. Levanto cedo, vou pra escola e duas vezes por semana ainda faço natação, muita coisa”, reflete.

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Antonio também aprendeu que fisicamente cada casa tem sua particularidade. “A casa do meu pai é muito grande só para duas pessoas, por isso ele chama meu três irmãos para irem pra lá. Mas, geralmente, ficamos só eu e meu pai naquela casona. Na casa da minha mãe, o meu quarto e o dela são um do lado do outro, assim me sinto mais seguro.”

Antonio ao lado do pai, Luiz Fernando, da mãe, Ana Paula, e do padrasto, Enoch
Arquivo pessoal
Antonio ao lado do pai, Luiz Fernando, da mãe, Ana Paula, e do padrasto, Enoch

Maturidade

Engana-se quem pensa que o Antonio ressente o fato dos pais não estarem juntos. Com maturidade pouco comum para sua idade, ele revela que prefere que seja assim mesmo. “Nunca desejei que meus pais morassem na mesma casa. Eles não combinam muito, iria dar uma tremenda confusão. Acho muito melhor ter duas casas, assim é mais divertido.”

Antonio conta que não tem muitos coleguinhas na mesma situação. “Na escola, só um amigo tem pais separados, mas ele não fala sobre isso com ninguém.” Para crianças que passam por isso e ainda acham a situação estranha, o autor mirim aconselha: “Se a criança está triste, eu diria que a separação é boa para o filho e para os pais porque eles não iriam brigar mais e o filho receberia mais atenção. Todos podem ser mais felizes.”

Apesar de entender que os pais são felizes separados, Antonio sabe que atritos são inevitáveis e, com leveza, discute as discordâncias dos pais. “Morar em duas casas é bem legal, mas tem um problema: quando meu pai se esquece de me devolver no domingo, na segunda-feira ele me leva direto para a escola e sempre chega atrasado. Minha mãe fica muito brava. Ela diz que criança tem que ter rotina”, escreve em seu livro.

As desavenças sobre a educação de Antonio existem e ele sabe disso, mas elas não ofuscam o amor dos pais pelo menino. “Sou muito feliz por ter mãe e pai que gostam de mim porque algumas mães e alguns pais abandonam seus filhos ou os colocam na rua para trabalham”, reflete.

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