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Segundo estudo do Conar, volume de comerciais veiculados para o público infantil na TV aberta é mínimo. ONG de defesa da criança aponta falhas na pesquisa

Estudo aponta que índice de propagandas direcionadas a crianças varia de 0,1 a 7,5% do total de inserções publicitárias na televisão
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Estudo aponta que índice de propagandas direcionadas a crianças varia de 0,1 a 7,5% do total de inserções publicitárias na televisão

Pesquisa divulgada na última sexta-feira (20) pelo Conselho Nacional de Autorregulamentação (CONAR) e a Associação Brasileira de Anunciantes (ABA) mostra que, em canais da TV aberta onde a audiência infantil representa 50% do total, apenas 0,1% das inserções publicitárias é direcionado ou protagonizado por crianças. Em emissoras onde o público infantil responde por 35% da audiência, esse índice sobre para 0,5%. Já na TV por assinatura, 7,5% dos anúncios são direcionados diretamente às crianças.

A pesquisa também aponta que brinquedos representam 69% dos comerciais com foco em crianças na TV por assinatura, enquanto na TV aberta outras categorias de produtos apresentaram maior participação.

Os dados reabrem discussão sobre publicidade infantil direcionada a crianças. De acordo com o Instituto Alana, ONG voltada para a valorização da infância, a exposição e veiculação de anúncios feitos para o público infantil merecem atenção e cuidado, já que as crianças não possuem repertório suficiente para formar uma opinião crítica sobre o consumo.

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“A publicidade que fala com a criança se aproveita da vulnerabilidade de um ser que está em processo de desenvolvimento, não só físico como cognitivo e emocional. Ela não tem recursos para responder com igualdade às mensagens publicitárias, de entender o caráter persuasivo nem as complexidades da relação de consumo”, explica Isabella Henriques, diretora de Defesa e Futuro do Instituto Alana. Presidente do CONAR, Gilberto Leifert defende que a propaganda não pretende falar diretamente com o público infantil: “Os produtos é que são direcionados às crianças, não a propaganda”.

Regulamentação

De acordo com Isabella, o problema pode ser resolvido com uma regulamentação mais restritiva do mercado publicitário. “Não queremos acabar com a publicidade. O que reivindicamos é a restrição total do direcionamento da mensagem publicitária ao público infantil”, afirma. Leifert defende que o mercado brasileiro já possui regras bem delineadas. “O mundo não caminhou para o fim da propaganda infantil, e o Brasil adota políticas bastante rígidas. Nossas restrições são comparáveis às da Inglaterra, um dos países mais severos do mundo com relação à publicidade infantil”, explica Leifert.

Isabella ressalta que apesar dos números do censo do CONAR, realizado pelo Ibope, parecerem baixos, o estudo apresentado levou em conta apenas a televisão. “A publicidade infantil não está só na TV, está presente em vários lugares: na escola, nos quadrinhos, no computador, nos celulares. A publicidade que fala com a criança está em todos os espaços”, alerta Isabella.

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