"Um bebê recém-nascido não é uma tela em branco. Ele já aprendeu como sua mãe e outros membros da família falam", afirma pesquisadora de novo estudo finlandês

NYT

Se você sentir vontade de falar com seu filho que ainda está dentro do seu útero, um novo estudo sugere que você deve fazê-lo. A pesquisa revela que os bebês, após o nascimento, são capazes de se lembrar de palavras que ouvem com frequência antes de nascer.

Pesquisadora afirma que essa habilidade de ouvir ainda dentro do útero aconteceria, provavelmente, na parte final da gestação
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Pesquisadora afirma que essa habilidade de ouvir ainda dentro do útero aconteceria, provavelmente, na parte final da gestação

"Acreditamos que isto mostra a facilidade com que o cérebro nessa idade adapta-se a sons", disse a coautora do estudo Minna Huotilainen, docente do Finnish Center of Excellence in Interdisciplinary Music Research (Centro Finlandês de Excelência em Pesquisa Interdisciplinar de Música), na Universidade de Helsinki. "Um bebê recém-nascido não é uma tela em branco. Ele já aprendeu como sua mãe e outros membros da família falam", afirma

Pode parecer surpreendente que os bebês possam lembrar sons que ouviram quando ainda estavam dentro do útero da mãe, especialmente considerando que seus cérebros ainda estavam em desenvolvimento. Ainda assim, há sinais de que isso realmente acontece, segundo os pesquisadores.

"Já há algumas evidências de que os fetos podem aprender, e que os bebês podem lembrar-se de músicas ou trechos de fala desde o período fetal", disse Huotilainen.

Pseudopalavra

Os pesquisadores testaram a memória dos fetos finlandeses expondo-os a uma única palavra -"tatata"- que não significa nada na língua finlandesa.

"É a chamada 'pseudopalavra’. Escolhemos uma palavra longa – com três sílabas - para torná-la um desafio para os pequenos cérebros e dar-lhes algo difícil de aprender", Huotilainen disse. "Essa palavra poderia existir em finlandês. Segue todas as regras da língua finlandesa."

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A partir da 29ª semana de gestação até o nascimento, cerca de metade das 33 mulheres grávidas que participaram do estudo ouviu gravações da palavra repetida centenas de vezes. Às vezes, as gravações apresentavam a palavra com a sílaba do meio diferente ("to") ou pronunciada de forma diferente.

Após o nascimento, os pesquisadores usaram exames para testar a atividade cerebral de todos os bebês quando escutavam a palavra. Aqueles que tinham ouvido o som antes "mostraram uma reação maior a esta palavra específica", disse Huotilainen. "Eles foram capazes de processá-la. Também conseguiram detectar mudanças com mais facilidade.”

Huotilainen afirmou que, aparentemente, essa habilidade de ouvir ainda dentro do útero acontece na parte final da gestação, embora este dado não tenha sido estudado “Os bebês começam a ouvir quando a gravidez já atingiu a metade do tempo total”, disse.

Patricia Kuhl , pesquisadora da fala e diretora do NSF Science of Learning Center (Centro de Ciência do Aprendizado NSF), na Universidade de Washington, elogiou o estudo. "O fato de que o aprendizado de sons apresentados com frequência ocorre enquanto as crianças ainda estão no útero significa que a aprendizagem de línguas não começa no dia um, no momento do nascimento, mas ao mesmo tempo que a criança ouve sons no útero. É realmente incrível que o cérebro do feto tenha essa capacidade."

O que os pais podem fazer com esta informação? "Estejam cientes de que o feto pode ouvir algo do mundo exterior e aprender com ele", disse a coautora do estudo Huotilainen. "Falem durante a gravidez. Os pais podem falar com outras pessoas ou com o feto, se quiserem."

O estudo foi publicado na edição desta semana da revista Proceedings, da Academia Nacional de Ciências.

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