Princípios como honestidade e solidariedade ajudam a formar os cidadãos do futuro e devem ser passados para as crianças desde a primeira infância

Aos quatro anos de idade, Gustavo já sabe: cada vez que ganha um brinquedo novo, separa três usados para doar para crianças carentes. Seu pai, o gerente de projetos Alexandre Täschner, é o responsável por levar os selecionados às instituições que escolhe com a ajuda da mulher, Tássia. O acordo é uma forma prática de ensinar ao filho a importância da solidariedade e já está dando resultados. “Ele pergunta se as sacolas foram entregues, porque quer, de coração, ajudar quem tem menos recursos”, conta Alexandre.

Alexandre faz questão de ensinar ao filho Gustavo, de quatro anos, a importância da solidariedade
Edu Cesar
Alexandre faz questão de ensinar ao filho Gustavo, de quatro anos, a importância da solidariedade





Além da lição de desapego e auxílio ao próximo, a ação reforça outro princípio que o pai faz questão de passar desde quando Gustavo mal sabia falar: a valorização do trabalho. “Quando ele era menorzinho, queria tudo o tempo todo, como a maioria das crianças. Expliquei que não era assim que funcionava, que o salário tem dia para ser recebido e é necessário para tudo que tem na casa. Brinquedos novos, só em ocasiões especiais”, lembra. Hoje, o menino percebe nos detalhes, como sacolas de supermercado e geladeira mais cheia, quando chega a época do mês em que o esforço diário é recompensado com dinheiro, e entende que suas vontades dividem espaço com as necessidades domésticas.

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Para Alexandre, transmitir valores positivos para Gustavo é uma preocupação constante. “Sempre é hora de falar sobre honestidade, respeito aos mais velhos, respeito às deficiências. Tenho plena consciência de que isso é responsabilidade da família. Em tudo que faço com ele ou perto dele, procuro ensinar ou fortalecer algo”, afirma.

Ele confessa que se questiona constantemente se não está exagerando – e sempre conclui que, neste caso, o exagero é a melhor medida. “Li uma vez que a ‘berçonalidade’ é o maior legado que um pai pode deixar para um filho, e é isso mesmo. O que ele aprende em casa, nunca mais vai esquecer. O mundo não precisa de mais monstrinhos, precisa de cidadãos com valores positivos sólidos. Posso me exceder, mas cada vez que o vejo agindo corretamente, me orgulho do ser humano que ele está se tornando.”

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A tendência é que esse orgulho aumente à medida que o menino cresça. O empresário Guilherme Nunes da Silva está em uma fase em que consegue notar de forma mais concreta a consolidação do que ele e sua mulher, Sam, sempre ensinaram a Enzo, de 13 anos, e a Giorgio, de dez – e, agora, a Manuela, de três meses.

“O norte da educação em casa sempre foi a integridade. Que eles sejam boas pessoas, seres humanos verdadeiros, que saibam trocar. Esses valores já transparecem, atualmente, no comportamento dos meninos. Observo isso claramente na seriedade com seus compromissos, no relacionamento com as pessoas e, principalmente, na conduta autônoma para lidar com os problemas do dia a dia”, diz.

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Bons pais

Segundo a psicóloga e psicoterapeuta Cecília Zylberstajn, a atitude segura é um dos principais indícios de que os valores foram ou estão sendo bem passados. “Bons pais são aqueles que mantêm os vínculos afetivos, mas se tornam desnecessários com o tempo. O resultado de uma boa criação é o adulto independente, que sabe o que fazer a partir do que lhe foi ensinado desde a infância”, explica.

Ela ressalta, ainda, que a figura paterna é normalmente a que estimula a autonomia das crianças: “A mãe é para quem se corre no momento de aperto, de dor. O pai é quem empurra para o mundo. Em geral, é ele quem lança os filhos para a vida, para a independência”.

É claro que cada pai tem seu estilo para educar os filhos, mas não se deve esquecer que a melhor maneira de transmitir valores é pelos exemplos. “A criança quer fazer o que os adultos ao seu redor fazem. Bebês adoram brincar com o controle remoto da TV porque o próprio pai vive com ele na mão. Se quiser que o filho leia, fará muito mais sentido ler perto dele do que falar sobre a importância da leitura”, argumenta a psicóloga Marisa de Abreu. Cecília concorda: “Discursos não criam filhos, as ações o fazem. É com as situações cotidianas que a criança aprende”.

Educar os filhos com princípios positivos é uma tarefa que começa no primeiro suspiro do bebê e não tem fim. Seus resultados são eternos e essenciais para a boa saúde psíquica ao longo de toda a vida. Marisa esclarece: “Se não os tivermos, não teremos caráter. Sem um bom número de referências sobre a importância do respeito, do comprometimento, da honestidade, da pontualidade e da honestidade, não conseguiremos viver em sociedade de forma harmoniosa. Não teremos a oportunidade de sentir orgulho de nós mesmos, com a paz de espírito por saber que estamos no caminho certo”.

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