Decoração personalizada, serviço de buffet e até garçons: vale tudo para celebrar a criança desde suas primeiras horas de vida – mas com bom senso e consentimento do hospital

A chegada de uma criança à família é motivo de festa constante – e muitas mães têm tornado essa força de expressão uma realidade desde as primeiras horas de vida do bebê, com uma celebração que começa já no quarto da maternidade. Rodeados por uma decoração do nível daquelas feitas para chás de bebê e festas de aniversário, os visitantes são recebidos com docinhos, salgados e até espumante para brindar o nascimento. “Muitos ficam surpresos e todos adoram. Os pais demonstram um capricho, um carinho especial ao proporcionarem esse ambiente aos seus familiares e amigos”, afirma Tatiana Ulhôa, diretora executiva de eventos da Decorando Emoções que foi pioneira e está neste mercado desde 2007.

Tanto enfeites quanto alimentos são definidos de acordo com as vontades da gestante, sempre seguindo regras básicas de higiene, como explica Tatiana. “Nada pode ter cheiro forte de plástico ou de tinta e, em um quarto comum, tudo que é comestível tem que ser embalado, para não gerar riscos de infecção à mãe e ao bebê. Servimos castanhas, chocolates, docinhos e sanduíches, entre muitos outros itens, em embalagens personalizadas.”

O quarto não precisa ser grande e pode ter apenas uma mesa decorada
Divulgação
O quarto não precisa ser grande e pode ter apenas uma mesa decorada

No ramo das festas de nascimento desde 2011, a decoradora Adriana Romualdo, da Julubeca, conta que algumas famílias solicitam buffet completo, mas precisam estar em suítes. “Só é possível se os alimentos ficarem em um ambiente separado. Já fiz recepções que tiveram louça e talheres não descartáveis, governanta e garçons. Tudo longe da mãe e do bebê”, lembra. Pedidos muito extravagantes costumam ser vetados pelos hospitais. “Houve um pai que queria colocar uma chopeira no quarto. A maternidade não permitiu”, revela.

Tatiana e Adriana garantem que nunca presenciaram problemas nesses eventos. “Se aparece gente demais no mesmo horário, alguém da equipe médica chama o pai ou o responsável e pede, em particular, que saiam alguns visitantes. Todos respeitam. A preocupação maior é com a saúde e o bem-estar”, diz Adriana.

Decoração caprichada, autoestima lá em cima

Mãe de Felipe, de 11 meses, e de Natália, de três anos, a empresária Mayara Telles quis uma festa de nascimento para o caçula por ter se arrependido de não fazer uma para a menina. “Eu era marinheira de primeira viagem, achei que fosse besteira, mas não é. Até a minha autoestima ficou outra naquele quarto todo personalizado, com balões lindos na porta”, argumenta. Para deixar claro que a comemoração era para seus dois filhos, ela incorporou à decoração uma boneca de Natália e um ursinho do quarto de Felipe

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A secretária Ana Maria Assuero foi além: a festa de nascimento de sua única filha, Dóris, de três meses, foi toda baseada no quartinho da menina. “Quase todos os brinquedos acabaram indo para a maternidade. Na verdade, só faltou o bercinho dela”, brinca. Como ficou em um quarto simples, optou por servir apenas lanchinhos, refrigerantes e água para as visitas. “Foi bem familiar e intimista. A sensação era de que estávamos dando uma reunião em casa, embora a decoração profissional fosse mais bonita do que a que temos na nossa sala.”

Com ou sem objetos pessoais, o personagem mais pedido para as decorações é o urso. “A mãe pode querer um tema como safári ou mar, mas sempre vai ter o ursinho. Nem que seja vestido de marinheiro, aquele que já é do bebê antes dele nascer”, afirma Adriana. Tatiana complementa que, para meninas, flores estão em alta e bonecas nunca saem de moda.

Algumas mães pedem bolo cenográfico para a festa de nascimento
Divulgação
Algumas mães pedem bolo cenográfico para a festa de nascimento

Bom senso e respeito

Ao planejar uma festa de nascimento, futuras mamães e futuros papais precisam ter em mente que estarão em um ambiente hospitalar. Além de respeitar os horários de visitas da maternidade, a reunião não pode se estender ao corredor e o volume das conversas precisa ser moderado. “Acima de tudo, é um hospital. A pessoa no quarto ao lado pode estar em repouso ou não estar no mesmo clima de comemoração, por ter sofrido um abortamento, por exemplo. Não tem problema fazer uma festinha, desde que respeite o espaço do outro”, recomenda Maurizio Pellitteri, diretor da Maternidade Perinatal Barra, no Rio de Janeiro.

Outro cuidado é em relação à quantidade de pessoas no quarto. Pellitteri aconselha que entrem no máximo cinco visitantes por vez, em permanências curtas. “Uma grande concentração de gente, com pouca circulação de ar, pode levar uma virose ao recém-nascido, o que deve ser evitado ao máximo”, justifica. Se a família estiver em uma suíte, pode montar a festa na antessala e lá receber grupos maiores, enquanto mãe e bebê ficam resguardados no outro ambiente.

Também é necessário lembrar que, nesse curto período na maternidade, a mulher precisa descansar do parto e tirar todas suas dúvidas com médicos e enfermeiros. Por isso, vale delegar ao marido a função de anfitrião. Foi o que Mayara fez: “Ele ficou feliz, porque o homem se sente muito coadjuvante na maternidade. Ao menos na antessala, ele era o centro das atenções da família.”

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