Modalidade de viagem permite estudar em outro país sem abrir mão de passar as férias com os filhos. Traçar objetivo ainda no Brasil e ter disciplina são fundamentais para manter o foco

Roberto viajou para Los Angeles com a esposa e os quatro filhos. Todos aproveitaram para estudar
Arquivo pessoal
Roberto viajou para Los Angeles com a esposa e os quatro filhos. Todos aproveitaram para estudar

Investir na carreira para aprimorar conhecimentos e passar mais tempo com a família são duas atividades que podem ser difíceis de conciliar. Pensando nessa demanda de estudar e, ao mesmo tempo, não descuidar da família, agências de intercâmbio passaram a investir em uma alternativa para suprir a necessidade de todo o grupo, o intercâmbio em família.

Quem faz essa escolha, pode aproveitar as férias para conhecer novos lugares e também melhorar a fluência em outra língua, por exemplo. “Muitas vezes, o pai ou a mãe quer sair do país para estudar, mas deixa de ir porque prefere aproveitar o período de férias com a família. Agora, eles podem fazer o intercâmbio e também incluir os filhos, que, geralmente, estudam na mesma escola”, explica Flávio Crusoé, diretor geral da BEX Intercâmbio.

Os pacotes dessa modalidade de viagem normalmente permitem que as famílias estudem na mesma escola e tenham obrigações em horários parecidos para que todos consigam aproveitar o restante do tempo juntos.

Manter o foco

O empresário Roberto Ali Abdalla foi para Los Angeles, nos EUA, com a esposa e os quatro filhos, com idades que variam de 11 a 16 anos. Todos aproveitaram para estudar. Apenas um filho fez aula de guitarra, o restante da família investiu no inglês. “No começo eles até chegaram a reclamar porque estavam de férias e iam estudar, mas acabaram adorando. Foi muito gostoso. Nós gostamos de ficar todo mundo junto, então foi ótimo”, afirma.

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Apesar da experiência ser potencialmente muito positiva, o intercâmbio em família pode trazer problemas, como a falta do uso da língua estudada por estar em um ambiente familiar. Além disso, a preocupação com o roteiro turístico e outras atividades pode desviar um pouco o objetivo da viagem.

Para a master coach pela Sociedade Brasileira de Coaching Liamar Fernandes, traçar um objetivo ainda no Brasil e ter disciplina são fundamentais para manter o foco. “Estar em um ambiente familiar é uma coisa boa, mas é preciso ter organização para não confundir estudo com passeio”, sugere Liamar.

Combinar de falar apenas na língua estudada, delimitar os horários de estudo e os de passeio e buscar situações que exijam a comunicação com pessoas do país visitado podem ajudar a não esquecer o principal objetivo da viagem. “Para que ninguém se prejudique, é importante ter os objetivos individuais bem claros. Toda viagem traz conhecimento e experiências. É preciso usar a oportunidade com inteligência”, afirma a master coach.

Muito além do idioma

A dona de casa Edna da Silva Santos resolveu acompanhar a filha Ana Carolina, de 18 anos, em um intercâmbio, em julho de 2012, para os Estados Unidos e não se arrependeu. Ela confessa que teve receio no começo e ficou com medo de uma reação negativa dos colegas de sala mais novos, mas acabou sendo surpreendida. “Minha filha já tinha ido outras vezes, mas eu fui pela primeira vez. Achei que os jovens e adolescentes da sala poderiam me tratar mal, mas fui muito bem recebida”, explica.

Para Edna, o intercâmbio em família não atrapalha o aprendizado, já que dificilmente as pessoas ficam na mesma sala de aula. Ela afirma que repetiria a dose: “Foi maravilhoso. A gente passava o dia junto estudando e passeando. Foi uma experiência extraordinária”, complementa.

Muitas famílias não procuram apenas cursos de línguas em outros países. Segundo a gerente de cursos do STB, Marcia Mattos, os brasileiros investem também nas áreas de fotografia, marketing, moda, especializações em geral e cursos de línguas voltados para diversas áreas de atuação, como por exemplo, inglês para advogados. “A procura por intercâmbio em família tem crescido de 60 a 70% ao ano. Hoje, há no Brasil um planejamento maior em educação internacional e isso pode incluir a família inteira”, afirma.

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