Ser mãe causou uma reviravolta na vida delas. Conheça a história de mulheres que largaram o emprego, mudaram de profissão e transformaram antigos hábitos pela maternidade

É certo que a maternidade altera rotina, horários e prioridades. Em alguns casos, no entanto, estas transformações parecem ser ainda mais extremas, como aconteceu com Tatiana Porto Correia, 30, que abandonou a carreira para cuidar exclusivamente do filho João, hoje com dois anos. “Todo mundo achava que era loucura deixar o emprego onde eu tinha estabilidade e um bom salário depois de ter estudado tanto para consegui-lo, mas para mim isso não importava”, conta.

Tatiana desistiu de um emprego público onde tinha estabilidade e bom salário para cuidar integralmente do filho João, hoje com dois anos
Edu Cesar
Tatiana desistiu de um emprego público onde tinha estabilidade e bom salário para cuidar integralmente do filho João, hoje com dois anos

Formada em administração, ela atuava na área de marketing de uma organização de enfermagem, como concursada. A saída do emprego logo após o nascimento do filho surpreendeu amigos e familiares. Mas o arrependimento nunca bateu e cuidar do filho era mais importante do que o salário garantido no final do mês. 

Tatiana conseguiu fazer essa mudança graças ao apoio do marido, que assumiu todas as contas da casa. “Eu tenho consciência de que estou andando na contramão da evolução feminina, mas para mim não existe a melhor mãe do mundo, mas a mãe certa para cada filho. E eu só quero ter o direito de ser a mãe certa para os meus filhos, sem cobranças, julgamentos e comparações”, diz ela, que está grávida de sete meses e pretende repetir a dose com Luiza.

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Andréa, mãe de Victor e Hellen, deixou tudo de lado para cuidar do filho diagnosticado com leucemia
Arquivo pessoal
Andréa, mãe de Victor e Hellen, deixou tudo de lado para cuidar do filho diagnosticado com leucemia

“Voltei toda a minha atenção para o meu filho”

A frentista Andréa de Jesus Oliveira, 31, também é daquelas mães que fazem tudo pelos filhos. A dedicação já era grande, mas ficou ainda maior depois que o caçula, Victor, foi diagnosticado com leucemia com um ano de idade. Como precisava de cuidados muito específicos, Andréa passou a se dedicar integralmente ao filho. “Larguei meu emprego e voltei toda a minha atenção pra ele. Foi uma luta muito grande”, conta ela, que também é mãe de Hellen, 8.

Depois do abalo inicial, Andréa resolveu arregaçar as mangas e fazer de tudo pela saúde de Victor. Além da rotina hospitalar – foram mais de 15 internações no período de dois anos –, em casa, ela também não tem descanso. Andréa prepara a alimentação do filho diariamente, já que tudo precisa ser fresquinho e não se pode ser armazenado na geladeira. A casa também necessita de limpeza todos os dias, assim como os lençóis da cama, que são trocados frequentemente. “São muitos cuidados porque a imunidade dele ainda é baixa. Não podemos bobear”, diz.

Apesar de tanta cautela, Victor comemora uma fase mais tranquila. Embora ainda não tenha finalizado o tratamento, hoje ele vive a rotina normal de uma criança de quatro anos. Com a recuperação caminhando bem, Andréa se lançou a um novo desafio: ajudar outras mulheres com filhos doentes. “Uso as redes sociais para dar força a outras mães que estão passando pelo o que passei. Elas se espelham na minha história, e procuro mostrar que é preciso ter esperança, que as coisas podem dar certo, como está sendo comigo e com o meu filho”, finaliza.

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A apresentadora Adriane Galisteu conta que o nascimento do filho Vittorio representou uma transformação em sua rotina e hábitos
AgNews
A apresentadora Adriane Galisteu conta que o nascimento do filho Vittorio representou uma transformação em sua rotina e hábitos

“É tudo para ele”

Quem vê a apresentadora Adriane Galisteu no shopping pode estar certo de que ela vai entrar em uma loja de artigos infantis. É assim desde que o filho Vittorio nasceu, há dois anos. “Não compro mais nada pra mim. Eu vou primeiro ver as coisas dele. Quando chega a minha vez, já estou cansada”, afirma.

Assim como acontece com muitas mulheres, Adriane diz que a maternidade representou uma transformação total na sua vida. Na agenda já atribulada, foi preciso encaixar pediatra, banho do bebê, troca de fraldas e até mesmo acordar cedo, uma das maiores dificuldades, segundo ela. “Ser mãe muda tudo: valores, prioridades. É um amor tão profundo e intenso, que digo que é como um coração batendo fora do corpo.”

Entre as diversas mudanças, a única coisa que não pode ser alterada na vida de Adriane foi a rotina de trabalho, devido aos contratos pré-estabelecidos. Mas apesar dos inúmeros compromissos, ela tenta passar o máximo de tempo com o filho. “Embora não tenha como diminuir o ritmo, procuro calcular melhor os horários da agenda. Com a maternidade, minhas prioridades mudaram. O foco é outro. Faço tudo pelo meu filho”, conta Adriane.

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Diante de um emprego que a consumia, Renata resolveu mudar de profissão para acompanhar crescimento do filho
Arquivo pessoal
Diante de um emprego que a consumia, Renata resolveu mudar de profissão para acompanhar crescimento do filho

“Mudei de profissão por jornada flexível”

Também com um desejo muito latente de ser mãe, Renata Anjos Batisttin, 32, não conseguia se ver nos papéis de mãe e profissional ao mesmo tempo. Com uma agenda lotada no departamento de marketing de uma multinacional, não raro saía de casa cedo e só chegava após às 21h. “Era um ritmo de vida sem horários e que me incomodava quando pensava na maternidade”, explica.

Assim, depois de cinco anos de casamento e com uma imensa vontade de aumentar a família, Renata tomou uma decisão importante antes de se tornar mãe: mudar de profissão. Foi então que o hobby pela fotografia virou um trabalho formal.

A nova carreira, como autônoma, permitiu que Renata tivesse maior flexibilidade de horários para poder aliar a maternidade ao desejo de continuar trabalhando. Depois de um ano na nova área, ela deu a luz Enrico, hoje com dois anos. “Mudei antes de engravidar porque queria que tudo estivesse bem estruturado quando acontecesse. Queria viver um momento prazeroso e conseguir me dedicar à experiência de ser mãe”, conta.

Desde então, a fotógrafa procura conciliar os compromissos de trabalho com a agenda do filho. Ela faz questão de buscar na escola, levar ao pediatra e comer ao lado do pequeno. “Acho que foi importante estar presente integralmente na vida dele enquanto bebê, pela criação do vínculo mãe e filho. Uma das melhores coisas foi poder acompanhar as fases de desenvolvimento dele muito de pertinho”, diz Renata, que pretende repetir a dose com o segundo filho, o recém-nascido Benício.

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