Pesquisa recente contraria estratégia do “deixa chorar” ao apontar que bebês se acalmam no colo da mãe por resposta motora natural

NYT

O melhor lugar para um bebê que chora é no colo da mãe. Quando bebês irritados são carregados no colo por suas mães, eles experimentam uma reação automática de calma, dizem estudiosos.

Pegar o bebê no colo gera uma resposta automática que o acalma
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Pegar o bebê no colo gera uma resposta automática que o acalma

De acordo com o estudo, esse efeito evolutivo aparece tanto em pessoas quanto em camundongos e reflete uma regulação coordenada dos sistemas nervoso central, motor e cardíaco. Os resultados foram publicados em 18 de abril na revista norte-americana de biologia e biomedicina Current Biology.

Para os pesquisadores, as descobertas também ajudam a explicar porque bebês calmos começam a chorar assim que são colocados no berço ou no chão. Essa conclusão pode ajudar a acalmar frustração dos pais e a evitar que a criança seja tratada de forma inadequada.

“De humanos a camundongos, mamíferos em sua fase infantil se tornam mais calmos e relaxados quando são carregados por suas mães”, disse Kumi Kuroda, do RIKEN Brain Science Institute em Saitama, Japão, em um informativo à imprensa.

Bebês nos braços maternos estão mais protegidos e têm maior chance de sobrevivência, segundo os pesquisadores. Do outro lado, mães preferem ter crianças mais calmas e relaxadas. Portanto, pegar o bebê no colo para acalmá-lo é uma situação boa para ambos os lados, alega a pesquisa.

Kuroda notou que a mesma resposta de tranquilização aparece em camundongos estudados em seu laboratório. “Quando peguei os filhotes pela pele de suas costas, de maneira delicada e rápida como a mãe-camundongo fazia, eles imediatamente pararam de se mover: eles aparentaram relaxamento, mas não ficaram totalmente moles, e mantiveram seus membros flexionados”, disse. “Essa resposta calma em camundongos parece similar àquela causada pelo colo da mãe nos bebês humanos”

Entender o choro pela perspectiva do bebê pode diminuir a frustração dos pais, explicam os pesquisadores.

“Um entendimento científico dessa resposta infantil evitará que pais compreendam o reinício do choro de maneira errada, como a intenção do filho de controlar os pais, como algumas teorias, a exemplo da estratégia do “deixe chorar”, sugerem”, diz Kuroda. “ [Em vez de tentativa de controle] Esse fenômeno poderia ser interpretado como uma consequência natural do sistema sensório-motor da criança”.

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