Como a paternidade mudou a vida deles

Por Alessandra Oggioni , especial para o iG São Paulo |

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Homens dividem o que aprenderam com a chegada dos filhos e dão conselhos adquiridos na prática da criação dos pequenos

Assim como acontece com as mães, a paternidade também costuma transformar a vida e a rotina de quem antes tinha mais tempo livre e menos responsabilidades. Colocar o filho em primeiro lugar, ser menos egoísta e até se tornar mais carinhoso são apontadas pelos pais como algumas das lições ensinadas pelos pequenos. “Acho que a maior mudança é a de valores. A chegada de Bruno me trouxe uma visão de que nada é mais importante que a família”, conta o consultor de TI Mike Moreira.

Edu Cesar
Mike Moreira e o filho Bruno: "antes, as contas de casa eram feitas em caixas de cerveja. Depois, passaram a ser em fraldas"

Antes do nascimento do filho, Mike saía para a balada no mínimo duas vezes por semana. Festa de aniversário, churrasco, happy hour: não perdia uma oportunidade para se divertir e beber com os amigos e com a esposa, Angela. “Antes, as contas de casa eram feitas em caixas de cerveja. Depois que o Bruno chegou, essas contas passaram a ser em fraldas", comenta.

Bem-humorado, ele diz que não sente mais vontade de ir para a balada. Hoje, o que Mike quer mesmo é passar todo o tempo livre ao lado do filho. “A minha preocupação é chegar em casa e ver o Bruno acordado. A alegria é rodar a chave na fechadura e ouvir um grito de papai”. Mike e outros pais representam algumas mudanças vividas por muitos homens que se encontram na paternidade. Leia abaixo as experiências mais comuns relatadas por eles.

>> Mudanças na carreira

Além de deixar as baladas de lado, a chegada de Bruno desencadeou outras transformações, inclusive profissionais. Bruno ainda era um bebê quando Mike deixou a família em São Paulo e teve que se mudar para Rio Branco, no Acre, para coordenar um projeto da empresa que trabalhava. “Fiquei praticamente seis meses vendo meu filho e minha esposa somente aos finais de semana, o que me fez querer mudar de emprego, para poder ficar mais próximo dos dois”, conta. Como não queria perder o primeiro passinho nem a primeira palavra de Bruno, a solução foi mesmo arrumar outro trabalho com sede na capital paulista e que não exigisse viajar – o que o consultor conseguiu em seguida.

Correr riscos por si só, tudo bem. Mas com outra vida dependendo de você, fica mais complicado

Mudança na carreira também foi vivida pelo analista contábil Caio Melo. Ele tinha uma vida tranquila como professor de ioga, mas, como autônomo, não podia contar com estabilidade financeira. Depois do nascimento da filha Júlia, em 2009, resolveu ir para uma área que desse maior segurança nos ganhos. “Com a vinda dela, repensei a minha situação profissional. Correr riscos só por você, tudo bem, mas quando se tem outra vida dependendo de ti, fica mais complicado”, conta ele, que é também autor do blog “Pais Modernos”.

>> Ajuste nas finanças

Outro que sentiu no bolso a responsabilidade de ser pai foi o eletricista Jean Robson dos Santos. Sem nenhuma preocupação financeira e saldo negativo no banco, ele não se importava em gastar além do que tinha com acessórios para o carro ou roupas de marca. Isso até a chegada de Miguel, em 2012.

Jean namorava há seis meses quando aconteceu a gravidez. Mesmo “no susto”, ele conseguiu se reorganizar financeiramente. O primeiro passo foi fazer um corte geral de despesas e planejar cada gasto do dia a dia. “Hoje, tudo é feito e comprado pensando no conforto do Miguel”, conta.

>> Engajamento na rotina do bebê

Mesmo sendo pai de forma inesperada, Jean não se assutou com as tarefas da paternidade. Tanto é que a primeira fralda quem trocou foi ele. “Eu já acompanhava outras crianças da família, então, foi fácil pra mim”.

Hoje, o termo ajudar não cabe mais. O termo certo é responsabilidade compartilhada

Já o blogueiro Caio admite que, no início, não levava muito jeito para dar banho, fazer papinha e trocar fralda. Mas com o tempo – e a vontade de participar ativamente da criação da Júlia – as coisas foram ficando mais fáceis. “Apesar de não ter habilidade, fui aprendendo, para poder fazer também”. Hoje, depois de chegar do trabalho, o tempo todo é dedicado a ela: é ele quem faz o leitinho da noite, escova os dentes da menina, conta historinhas. “Hoje, o termo ajudar não cabe mais. O termo certo é responsabilidade compartilhada. O legal é dividir as coisas”, defende.

O advogado Rogério Grandino também faz questão de dividir com a esposa, Taís, os cuidados com as filhas Júlia, de 8 anos, e Letícia, de 6. “O papel do pai e da mãe são equivalentes. A participação dos dois deve ser igual, os dois devem criar, educar, ajudar na escola, falar com a professora”, diz.

>> Suavidade nas atitudes diárias

Rogério Grandino, o irmão do meio em uma casa só de homens, estava acostumado a brincadeiras mais truculentas. Por isso, a chegada das filhas trouxe um outro aprendizado: fazer as coisas de maneira mais suave. “Quando fui trocar a primeira fralda, não tive dificuldades, apenas tive que ser mais delicado”, conta. “Acho que a menina tem mais essa questão de carinho. Me tornei mais calmo, mais carinhoso, passei a falar ‘eu te amo’ com mais frequência”.

Outro que também ficou mais tranquilo após a paternidade foi Jean Robson. “A maior lição que aprendi sendo pai é ser mais controlado, é tentar me irritar menos”, revela. Ele assume que antes se arriscava com mais frequência no trânsito e era “boca dura”, topava qualquer discussão. Hoje, pensa duas vezes antes de se exaltar. “Agora, sei que tenho que dar exemplo. O que ele observar, vai copiar”, afirma.

Seis dicas dos pais que aprenderam na prática

1. Estabeleça uma rotina. Isso ajuda no andamento da casa e a colocar limites na criança. “A criança precisa de uma rotina para se sentir segura. Além disso, sobra tempo para ficar com a mulher e não descuidar do relacionamento”, aconselha Mike Moreira.

Mike e o filho Bruno: "minha alegria é rodar a chave na fechadura e ouvir um grito de papai". Foto: Edu CesarMike brinca de carrinho com o filho: brincadeira favorita de Bruno. Foto: Edu CesarTodo o tempo livre de Mike deixou de ser dedicado às baladas e passou a ser curtido ao lado do filho. Foto: Edu CesarMike e o filho Bruno jogam bola juntos. Foto: Edu CesarMike e o filho Bruno: "A chegada dele me trouxe uma visão de que nada é mais importante que a família". Foto: Edu CesarPai e filho se divertem juntos. Foto: Edu Cesar

2. Saiba dizer não. Na hora de educar, muitas vezes é difícil negar algo ao filho. Mas os limites são necessários para o bem-estar da própria criança. “Tem que conversar, às vezes ser rígido, mas sempre explicar o porquê das coisas”, diz o advogado Rogério Grandino.

3. Ignore as birras. “Uma vez, minha filha mais nova fez um escândalo no supermercado. Simplesmente ignoramos a atitude, embora tenhamos ficado extremamente envergonhados. Mas deu certo. Ela nunca mais repetiu isso”, conta Rogério.

4. Respeite o tempo da criança. Não é porque o vizinho largou a fralda com dois anos que o seu filho vai ter o mesmo ritmo. “Não existe fórmula, o jeito é ter paciência e continuar tentando, mesmo quando parece que a coisa não anda”, aconselha o blogueiro Caio Melo.

5. Dedique um tempo de qualidade ao seu filho. Deixe o computador, a televisão e os afazeres domésticos de lado e foque na atenção e na brincadeira com as crianças. “Não importa quanto tempo você tenha, o importante é estar ali de corpo e alma”, orienta Caio.

6. Informe-se o máximo possível sobre todos os assuntos relacionados aos filhos. “Fique atento às reações com remédios e vacinas, com a segurança no transporte, com o clima a que ele ficará exposto. Atenção 100%, 24 horas por dia”, resume Jean Robson dos Santos.

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