Ouça seus medos e seja honesto, compartilhando apenas detalhes que a criança consiga entender. Permita que ela faça perguntas e expresse suas preocupações

NYT

Na última sexta-feira (14), um atirador matou 27 pessoas, incluindo 20 crianças pequenas, em uma escola primária na cidade de Newtown, em Connecticut, nos Estados Unidos. A polícia confirmou que o jovem responsável pelo massacre, Adam Lanza, de 20 anos, se matou depois de cometer os assassinatos, entre eles o de sua mãe, Nancy Lanza, que era professora na instituição alvo do ataque, a Escola Elementar Sandy Hook. Mas como abordar um assunto tão delicado e trágico com crianças?

Primeiro, descubra o que elas já sabem. Através de redes sociais ou em conversas com os amigos, a maioria vai ficar sabendo sobre o tiroteioem massa. Ouçaos medos da criança e seja honesto, compartilhando apenas detalhes que ela consiga entender. Terapeutas que tratam de trauma de infância afirmaram que os pais devem abordar a notícia sobre o tiroteio diretamente e devem permitir que as crianças façam perguntas e expressem suas preocupações.

Crianças aguardam do lado de fora da Escola Elementar Sandy, em Newtown, Connecticut, onde ocorreu o ataque
Reuters
Crianças aguardam do lado de fora da Escola Elementar Sandy, em Newtown, Connecticut, onde ocorreu o ataque

“É importante abrir a discussão”, disse Melissa Brymer, diretora de programas de terrorismo e desastres no Centro Nacional de Estresse Traumático da Criança (National Center for Child Traumatic Stress), com sede na Universidade da Califórnia, Los Angeles, e na Universidade de Duke. “Há muita conversa no Facebook e Twitter, e é fundamental esclarecer o que é boato e o que é verdade.”

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Andrew J. Gerber, psiquiatra infantil na Universidade de Columbia, disse que os pais devem conhecer seus próprios sentimentos sobre o massacre antes de falar com uma criança. “Os adultos devem conseguir absorver o evento traumático para poder ter uma conversa que transmita reflexão e compreensão”, disse ele por email.

População de Newtown construiu memoriais na cidade em homenagem às vítimas, entre elas 20 crianças
AP
População de Newtown construiu memoriais na cidade em homenagem às vítimas, entre elas 20 crianças

A origem do medo

Se uma criança está assustada, determine a origem precisa do medo. Pode ser uma preocupação de que sua sala de aula não é segura, ou sobre como escapar da escola se estiver sob ameaça. “Se você disser ‘o homem mau não pode te machucar’, acabou de introduzir outro medo”, afirma Robert H. Abramovitz, psiquiatra infantil no Hunter College. “Primeiro pergunte qual o maior medo da criança e ajude a resolver esse problema específico.”

Abramovitz disse que os responsáveis podem ficar ansiosos e acabar fazendo promessas que destoam da realidade, como afirmar ‘isso nunca vai acontecer com você’. “O melhor é explicar que é natural sentir medo e dizer algo como: ‘vou fazer tudo que puder para mantê-lo seguro’”, disse ele.

Se possível, os pais devem usar rotinas familiares ou feriados como uma forma de trazer conforto. Acompanhe a criança na hora de dormir, lendo um livro, por exemplo. Finalize a conversa ressaltando algo importante: o mundo é um bom lugar, mesmo que algumas pessoas façam coisas muito ruins.

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