O que comer na gravidez para deixar seu bebê mais saudável

Pesquisas afirmam que alimentos ingeridos pela grávida podem tornar a criança mais saudável e feliz. Especialistas esclarecem até que ponto levar esses estudos a sério

Renata Losso - especial para o iG São Paulo |

O cuidado com a alimentação durante a gestação é cada vez mais presente na vida das gestantes. Grande parte dessa preocupação se deve a médicos e nutricionistas que procuram orientar as futuras mães sobre os benefícios de diversos alimentos e hábitos. Hoje em dia já se sabe, por exemplo, que não é necessário – e até contra-indicado - que a gestante coma por duas pessoas. Especialistas também afirmam que uma dieta rica em peixes pode colaborar para que a criança se torne mais inteligente, já que o consumo de ômega 3, ácido graxo contido em salmão e sardinha, por exemplo, estimula o desenvolvimento cognitivo e motor do bebê. Entre tantas recomendações, confira quais alimentos podem colaborar de verdade para a saúde e o bem-estar do seu filho.

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Escolhas alimentares da gestante podem moldar o paladar do bebê prestes a nascer




Alergia

De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisa Agronômica (INRA), na França, o próprio peixe tem outros benefícios. Pesquisador do Instituto, Gaëlle Boudry afirmou ao jornal científico Science Daily que o famoso ômega 3, também presente em nozes e sementes de linhaça, colabora para que as células imunológicas do intestino respondam a bactérias e substâncias estranhas de maneira mais adequada, diminuindo a probabilidade do bebê sofrer alergias após o nascimento. O sistema imunológico, portanto, amadurece mais rapidamente com a ajuda da substância, segundo Gaëlle.

Mesmo tendo mais chances de uma criança ser alérgica a um alimento com o qual nunca teve contato do que a um que já conhece, ainda que o contato tenha se dado dentro da barriga da mãe, não existem pesquisas suficientes que comprovem a teoria com total clareza. De acordo com a nutricionista Elaine de Pádua, integrante da equipe de pré-natal da Casa da Saúde da Mulher, da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), e diretora da clínica DNA Nutri,em São Paulo, qualquer substância que entra em contato com o corpo pode gerar uma alergia e seria somente a alimentação da mãe que poderia impedir um possível quadro alérgico do filho. Segundo Elaine, a afirmação do estudo francês deve ser vista com cautela.

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Paladar 

Uma pesquisa realizada por Kimberly Trout, diretora do programa de Prática de Parto e Enfermagem pela Saúde da Mulher (Nurse Midwifery/Women’s Health Nurse Practitioner), da Universidade de Georgetown, nos Estados Unidos, mostra que as escolhas alimentares da gestante podem moldar o paladar do bebê prestes a nascer e, com isso, facilitar a preferência dele por alimentos mais saudáveis. Segundo o jornal norte-americano Washington Post, o conceito foi chamado de “aprendizagem de sabor pré-natal”. Isso acontece porque os sabores dos alimentos que a mãe ingere se misturam ao líquido amniótico e ao leite materno, fazendo com que o bebê também os sinta.

Seria lógico, então, afirmar que a mãe pode fazer com que seu bebê tenha maior facilidade para aceitar legumes e vegetais à medida que for crescendo – e até goste mais destes alimentos do que de outros. Para a professora Solange Junqueira, do curso de Nutrição do Centro Universitário São Camilo,em São Paulo, o raciocínio está correto. “Acredita-se que existe uma memória metabólica e o feto habitua-se facilmente aos nutrientes que a mãe ingere”. A nutricionista clínica Flávia Ferazzo Figueirêdo costuma abordar o assunto com as gestantes que atende: “se a mãe come muita fritura e bebe bastante refrigerante, por exemplo, a criança terá uma tendência a gostar mais desses alimentos.”

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Chocolate proporciona sensação de bem-estar, mas não deve ser única fonte de prazer da grávida

Sorridente

Em um estudo realizado pela Universidade de Helsinki, na Finlândia, 300 grávidas foram questionadas sobre a quantidade de chocolate que ingeriam e sobre os níveis de estresse que vivenciavam diariamente. Seis meses após darem à luz, foram questionadas novamente, mas dessa vez sobre o comportamento das crianças. Foi descoberto, então, que os filhos de mães que comiam chocolate regularmente eram mais sorridentes e ativos, enquanto os filhos de mulheres que não comiam o alimento mostravam-se mais medrosos. No entanto, os pesquisadores esclareceram que não levaram em consideração outros fatores que poderiam influenciar os resultados.

Por ser rico em triptofano, o chocolate aumenta a produção de serotonina (hormônio responsável pela regulação do humor, entre outras características) no cérebro. De acordo com a nutricionista Fernanda Corrêa, professora da Universidade Anhembi Morumbi,em São Paulo, é possível que isso aconteça pelo fato de a mãe passar para o bebê a sensação de bem-estar que sente após comer chocolate, mas o alimento em si não faria tanta diferença. A nutricionista explica que a pesquisa não deve ser motivo de uma corrida de gestantes ao supermercado. O ideal mesmo é que a gestante encontre outras atividades que proporcionem sensação de bem-estar sem precisar sempre da ajuda do triptofano.

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Inteligência

O consumo de ovos e bacon também poderia deixar o seu filho ainda mais inteligente ao nascer. De acordo com o jornal britânico The Telegraph, um grupo de cientistas da Universidade da Carolina do Norte resolveu fazer a alegria das gestantes norte-americanas e descobriu que um micronutriente chamado colina, presente em bacon e ovos, alimentos característicos do café da manhã nos Estados Unidos, pode ajudar no desenvolvimento do cérebro do feto, principalmente nas partes relacionadas à memória e ao reconhecimento.

Segundo Elaine de Pádua, o micronutriente é realmente importante para o desenvolvimento normal do cérebro e para a formação da acetilcolina, neurotransmissor que colabora para que as sinapses aconteçam de forma mais rápida e eficiente, mas as grávidas não devem abusar desses alimentos. De acordo com Fernanda Corrêa, estudos sobre a importância da colina continuamem andamento. Elaexplica ainda que o micronutriente também pode ser encontrado no leite e na carne de frango, entre outros alimentos.

Asma

Outro estudo americano conduzido por Ekaterina Maslova, da Escola de Saúde Pública de Harvard, avaliou a ingestão de leite e laticínios durante a gestação e concluiu que a alimentação diária com iogurte de fruta de baixa caloria aumentava em quase duas vezes a probabilidade dos filhos desenvolverem asma até os sete anos de idade, além de serem mais propensos à rinite alérgica.

O iogurte desnatado tem uma menor quantidade de ácido graxo, e a grávida que faz uso desse tipo de alimento não estaria consumindo a mesma quantidade de gordura que uma gestante que ingere iogurte normal. No entanto, se somente o iogurte é light e a gestante se alimenta de forma correta no dia a dia – incluindo peixes, vegetais e outros alimentos em sua dieta –, dificilmente faltará gordura para ela e para o desenvolvimento do feto. Diante desse cenário, Solange Junqueira acredita que o consumo de iogurte light não deve ser totalmente proibido.

A nutricionista Fernanda Corrêa ressalta, no entanto, que a falta de gordura durante a gestação dificultará o desenvolvimento do sistema imunológico da criança e, por isso, podem surgir problemas respiratórios ao longo da infância. O importante, portanto, é não focar em baixas calorias durante a gravidez e lembrar que o período da gestação não é propício para perda de peso.

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