Visitas fazem parte de roteiros de pais que querem despertar o interesse por arte e cultura nos pequenos

Brasil Econômico

Museu de História Natural de Londres tem acervo de esqueletos de várias espécies de dinossauros
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Museu de História Natural de Londres tem acervo de esqueletos de várias espécies de dinossauros

Aos três anos de idade, Guilherme dos Santos já viu pessoalmente um dinossauro. Ele não fez uma viagem no tempo e nem na imaginação, mas conheceu o Museu de História Natural de Londres que tem acervo de esqueletos de várias espécies destes antigos habitantes da terra. Em recente viagem à Europa juntamente com seus pais — Patricia Escudeiro e José Roberto dos Santos —, Guilherme pode ser considerado uma criança privilegiada. Não só pela oportunidade de conhecer outros países, mas de ter pais que se preocupam em ensiná-lo o valor das artes, da história e das ciências. “Queremos que o Guilherme se interesse por arte e aprenda mais sobre outras culturas, por isso o levamos a estes lugares tanto na nossa viagem como aqui em São Paulo”, afirma a mãe, Patricia.

Antes de mostrar telas de pintores famosos, Patricia comprou para Guilherme telas de pintura em branco para ele pintar e durante a atividade explicou que há pessoas que ganham a vida fazendo arte. “Ele viu os quadros e já sabia do que se tratavam”, afirma.

Patricia explica que durante a viagem tentou explorar locais que, além do valor histórico, trouxessem alguma opção interativa que conseguisse prender a atenção do filho. “Buscamos temas que ele gostava. No museu da Rainha (também em Londres), por exemplo, quando mostrava as roupas, ele prestava atenção só por um período. Mas quando fomos a um museu em que ele podia pintar, a atenção era total”, garante.

Patricia e José Roberto fazem questão de conversar com Guilherme depois dos passeios e, na recente viagem, fizeram um caderninho para que ele fizesse os desenhos dos objetos que viu durante as visitas a museus.

Programação familiar

A ida a museus também é parte essencial dos roteiros de viagem de Chris Bicalho, diretora da agência B360 Travel, e seus três filhos. Antes de embarcar para Nova York, a executiva sempre agenda visitas guiadas com educadores pelos principais endereços de arte da cidade. Desta vez, as obras escolhidas foram dos artistas impressionistas que estão expostos no Met, que oferece tours em inglês e espanhol e duram cerca de uma hora. O percurso custa US$ 420 mais a taxa de serviço (para grupos de até 15 pessoas) pela B360 Travel.

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Já o MoMA oferece percursos guiados em inglês, espanhol e até português, e o roteiro mais recomendado para os pequenos é o “The Highlights Tour”, que apresenta as pinturas e esculturas do quarto e quinto andares do museu. Durante o horário normal de funcionamento, as taxas são mais baratas — de US$ 19 a US$ 34 por pessoa, mas o valor mínimo cobrado é para grupos de 10 integrantes e não inclui a taxa de serviço. No entanto, para quem gosta de exclusividade, o mais recomendado é fazer o percurso antes de abrir ou depois de fechar. Nestes casos, os preços variam de US$ 63 a US$ 75 por pessoa.

É importante agendar com pelo menos duas semanas antes de embarcar, no caso de percursos em inglês. Se for em portuguê ou espanhol, é recomendado programar com antecedência maior.

Maria Eugênia Salcedo, gerente de coordeção pedagógica do Inhotim (museu em Brumadinho, Minas Gerais), explica que os pais não precisam se preocupar em conhecer todos os detalhes das obras ao passear com os filhos nos museus. “É uma programação para a família, que não prevê conhecimento prévio e, sim, estar aberto para o novo. Afinal, museu é um lugar de descoberta para todos”, afirma. Segundo a especialista, no Inhotim, as estações de trabalho se intensificam durante as férias escolares. “Sempre temos pessoas de apoio nas obras e há ainda as visitas temáticas que são feitas com educadores”, conta.

A arte contemporânea permite que os visitantes apreciem obras de arte não apenas com a visão, mas também pelos outros sentidos. “As obras são interativas, o que dá maior margem de exploração. As crianças e adolescentes de hoje precisam ser mais estimulados do que antigamente, quando uma caixinha de fósforo logo virava um carrinho”, diz. Por isso, fazem tanto sucesso a instalação Cosmococa de Helio Oiticica, no Inhotim.

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