Especialistas ensinam a contornar os principais problemas da falta de educação dos filhos de amigos, parentes e até mesmo desconhecidos

Adultos devem usar o bom senso na hora de repreender quem faz algo errado
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Adultos devem usar o bom senso na hora de repreender quem faz algo errado

Quem nunca quis chamar a atenção de uma criança que fazia algo errado enquanto os próprios pais nem ligavam para o que acontecia? Essa situação, uma saia justa em muitos casos, pode ser mais simples de resolver do que parece se os adultos usarem o bom senso para distinguir quando é hora de dar bronca e quando devem relevar a atitude da criança. Psicólogas e consultoras de etiqueta consultadas pelo Delas dão dicas para lidar com os problemas mais comuns envolvendo malcriação infantil.

“Uma criança bateu no meu filho e os pais não estão por perto”
Em um primeiro momento, se não for grave, dê um tempo para que os pequenos se entendam. “Até um certo limite é importante que a criança aprenda a se defender sozinha”, diz a psicoterapeuta familiar Ana Gabriela Andriani. “Às vezes, os pais se metem onde não são chamados e isso tira da criança a capacidade de autodefesa. A mãe não estará sempre ao lado”, concorda a psicóloga Marina Vasconcellos. Se as crianças não conseguirem entrar em um acordo, interfira gentilmente e resolva a disputa de forma sensata e tranquila.

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“A criança agrediu meu filho e os pais estão presentes”
Conversar com delicadeza é a melhor solução. “Vale falar com os pais para que eles deem uma bronca na criança”, aconselha Marina. A consultora de etiqueta Susi Obal explica que isso deve ser feito com muito tato. “Não adianta estender uma eventual briga entre crianças até os pais. Já aconteceu de os adultos estarem brigados e os filhos já terem feito as pazes”, ressalta.

“O filho da minha amiga faz muita bagunça quando vem na minha casa”
Quem vai receber crianças em casa tem que estar preparado para lidar com esse tipo de situação, alerta Susi. “Se a anfitriã tiver filhos da mesma idade, eles podem brincar em outro cômodo. Se não for o caso, é bom ter pelo menos papel e lápis de cor para distrair a criança.”

Além de fornecer alternativas de distração, Lígia Marques, consultora de etiqueta e marketing pessoal, acha uma boa ideia dialogar diretamente com a criança. “Se ela estiver usando tênis e subir no seu sofá ou mexer nos seus enfeites favoritos, por exemplo, dá para pedir, de forma educada, que ela pare e esperar que os pais tomem uma atitude. Se isso não acontecer, você deve ser direta e dizer ‘por favor, podem pedir que seu filho não faça isso?’”, exemplifica. Ana Gabriela concorda: “fale com a criança meio brincando, assim você está dando uma chance aos pais de se posicionarem diante da situação.”

Nem tudo é motivo de estresse. Usar o bom humor, em algumas situações, é uma boa alternativa
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Nem tudo é motivo de estresse. Usar o bom humor, em algumas situações, é uma boa alternativa

“Uma criança desconhecida está sendo malcriada com adultos em locais públicos: mostra a língua, xinga, faz gestos obscenos ou cospe”
Esta situação é mais delicada, de acordo com as especialistas. Não se deve dar bronca na criança. Falar com os pais é uma ideia, mas se resolver fazer isso você deve se preparar para todo tipo de reação. “Se o pai deixa os filhos cuspirem, agredirem estranhos, o outro adulto corre o risco de ser novamente desrespeitado. Criança com esse nível de comportamento vem de uma casa que não dá prioridade para educar seus filhos”.

Mesmo diante dessa possibilidade, Ana Gabriela aconselha uma tentativa de comunicação quando a atitude ultrapassar os limites da boa convivência. “Não vejo problemas em abordar os pais e falar algo como ‘seu filho está cuspindo em mim, poderia pedir que ele pare?’ ou ‘desculpa, mas seu filho está me chutando’. Pode ser que esse pai se volte contra quem falar, mas reclamar é um direito”, argumenta.

Nem tudo é motivo de estresse. Se a criança for pequena e o ato inocente, como mostrar a língua, o bom humor é uma ótima alternativa. “Entre na brincadeira da criança e faça caretas também”, aconselha Susi.

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“Levei meu filho e um amigo ao cinema e a criança começou a fazer bagunça”
Nesse caso, o amiguinho deve ser interrompido na hora. Estabelecer regras antecipadamente é uma forma de tentar evitar esse tipo de problema. “A primeira atitude é combinar com os dois como será o passeio, deixando claro o que pode e o que não pode fazer. Se o amigo fizer algo errado, procure lembrá-lo que aquilo não está no acordo”, ensina Ana Gabriela.

Caso as regras do passeio não tenham sido estabelecidas previamente, dá para procurar contornar a situação através do diálogo. “Você pode explicar que é um lugar público e que as crianças devem respeitar as outras pessoas presentes no local. Use exemplos práticos. Uma alternativa é lembrar a criança que ela também não gosta de ser perturbada quando assiste a um desenho ou um filme na TV, por exemplo”, ensina Susi.

Se conversar não resolver, é aconselhável terminar a atividade. “A mãe presente no passeio precisa ter autoridade e, se a situação continuar, dizer que vão todos embora”, determina Marina.

“Um colega de escola mordeu meu filho e também o belisca de vez em quando”
O que se espera nessa situação é que a escola possa resolver o conflito, segundo Ana Gabriela. “Deve-se entrar em contato com a escola, e não com os pais. A coordenação tem que chamar a atenção do agressor e, se não resolver, falar com seus pais”. Se isso não ocorrer, peça uma reunião com a direção para entender o que vem sendo feito para que essa situação não se repita.

* Com reportagem de Renata Losso

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