Mulheres relatam menos desejo e satisfação sexual durante procedimento de reprodução assistida, segundo novo estudo americano

NYT

Thinkstock/Getty Images
"Muitas vezes o prazer é negligenciado pelas pessoas que lutam para conceber", afirma co-autora do estudo Nicole Smith

O processo de fertilização in vitro (FIV) consiste em retirar óvulos maduros da paciente e fertilizá-los com o esperma do homem em laboratório, com o objetivo de criar embriões para serem implantados no útero da mulher. Normalmente, o procedimento é usado depois que o casal já tentou vários outros procedimentos menos invasivos.

Pesquisadores da Universidade de Indiana, nos Estados Unidos, estudaram as respostas de 270 mulheres que haviam se submetido a este tratamento e preencheram um questionário online. Eles também realizaram entrevistas com 127 homens e mulheres que estavam realizando fertilização in vitro e com 70 profissionais de saúde, incluindo médicos, enfermeiros e especialistas em saúde mental.

Problemas sexuais

Ao analisar os depoimentos, os autores do estudo descobriram que as mulheres submetidas à FIV tiveram uma diminuição significativa do desejo e da satisfação sexual e sentiam menos interesse na atividade sexual, em comparação com mulheres que não necessitavam do procedimento.

As pacientes que realizaram fertilização in vitro também tiveram mais dificuldade com o orgasmo e eram mais propensas a relatar problemas sexuais como dor durante a relação e vagina seca. Esses problemas pioraram ao longo do processo de FIV, ressaltaram os pesquisadores em um comunicado de imprensa da universidade.

Leia também:
O sonho e os pesadelos da fertilização
Fertilização: mais tentativas aumentam o sucesso?
Fertilidade: quando mudar o tratamento?

As participantes do estudo relataram problemas semelhantes com relação à vida sexual do casal, independentemente da causa da infertilidade ser do homem, da mulher ou de ambos. Além disso, as que afirmaram ser sexualmente ativa com um parceiro no mês anterior ao procedimento foram mais propensas a se masturbar e ter menos problemas sexuais.

Prazer

Segundo os pesquisadores, pouca atenção tem sido dada às relações sexuais e à satisfação dos casais submetidos à fertilização in vitro e outros tratamentos de infertilidade, embora o sexo desempenhe um papel importante no esforço do casal em ter um filho.

"O sexo é para o prazer e para a reprodução, mas, muitas vezes, o prazer é negligenciado pelas pessoas que lutam para conceber", afirma a co-autora do estudo Nicole Smith, estudante de doutorado do Center for Sexual Health Promotion, na Universidade de Indiana.

"Com tecnologias de reprodução assistida, os casais frequentemente relatam que se sentem como um experimento científico. Como são administrados diversos hormônios e o sexo tem que ser planejado e cronometrado, a relação sexual pode se tornar estressante e, muitas vezes, pouco romântica. É comum o relacionamento ser afetado durante esse processo", disse Smith.

Tratamentos hormonais utilizados em tecnologias de reprodução assistida, como a fertilização in vitro, podem afetar as experiências sexuais das mulheres e provocar dor. No entanto, estes efeitos não são bem compreendidos e não foram estudados, apontaram os pesquisadores.

O estudo foi apresentado em 30 de outubro no encontro da Associação Americana de Saúde Pública, em São Francisco.

Veja ainda:
Guia da fertilidade
Relógio biológico da gravidez

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.