Feira de troca de brinquedos promove consumo consciente

Crianças aprenderam que um brinquedo não precisa ser novo para ser legal. Confira como organizar sua própria troca de brinquedos

Renata Losso - especial para o iG São Paulo* |

Ganhar presentes pode ser tão legal quanto trocá-los. Esta é a proposta da feira de troca de brinquedos, uma prática que pode não só combater o consumismo infantil, como também ensinar às crianças valores e sociabilização. No último sábado (6), houve 15 feiras do tipo só em São Paulo. O Instituto Alana, que fomentou a realização e disseminou a ideia, realizou a sua no Cineclube Socioambiental Crisantempo, na Vila Madalena. Outras 19 cidades também aderiram ao movimento, promovendo feiras locais.

Feira de troca de brinquedos é fácil de organizar e ótimo para ensinar consumo consciente para as crianças. Foto: Rodrigo Acedo/FotoarenaAlém da feira, é interessante oferecer comida e bebida para as crianças. Foto: Rodrigo Acedo/FotoarenaAlgumas crianças trocam seus brinquedos e aproveitam para usá-los lá mesmo. Foto: Rodrigo Acedo/FotoarenaQuem já consegue entender o conceito da feira pode negociar a troca sem o auxílio dos pais. Foto: Rodrigo Acedo/FotoarenaOs mais novos também podem participar, mas neste caso é indicado que haja supervisão dos responsáveis. Foto: Rodrigo Acedo/FotoarenaCrianças negociam entre elas a troca ou não dos brinquedos. Foto: Rodrigo Acedo/FotoarenaExplorar o brinquedo antes de trocá-lo faz parte da brincadeira. Foto: Rodrigo Acedo/FotoarenaO que já não é legal para alguém, pode ser muito interessante para outra pessoa. Foto: Rodrigo Acedo/FotoarenaCrianças procuram brinquedos atraentes para realizar a troca. Foto: Rodrigo Acedo/FotoarenaDeixe claro para os participantes que ninguém é obrigado a trocar nada. Tudo é feito com o consentimento da criança. Foto: Rodrigo Acedo/FotoarenaMesmo quem não levou brinquedo, pode brincar um pouco com colegas. Foto: Rodrigo Acedo/FotoarenaAmizades podem se formar nesse ambiente de brincadeira e descontração. Foto: Rodrigo Acedo/FotoarenaDepois da feira de troca, você pode oferecer opções de entretenimento para as crianças, como essa peça do Circo de Borracha. Foto: Rodrigo Acedo/FotoarenaAtividades lúdicas também são ótima sugestão para finalizar o dia. Foto: Rodrigo Acedo/Fotoarena

O objetivo do evento é mostrar na prática como funciona uma alternativa ao modelo de consumo e estimular o brincar – afinal, com tantos brinquedos em um só lugar, as crianças não vão ficar só olhando. “Elas aprendem sobre a importância de reaproveitar, ceder para ter aquilo que almeja, compartilhar e praticar o desapego”, resume a coordenadora de mobilização do Instituto Alana, Gabriela Vuolo.

Rodrigo Acedo/Fotoarena
João Victor e seus brinquedos: o "presente" de Dia das Crianças seria obtido na troca

Primeiro a chegar

João Victor Haceb, 9, foi o primeiro a chegar na feira da Sala Crisantempo. Com uma variedade grande de brinquedos para trocar, ele fez questão de procurar na internet mais informações sobre o evento. “Achei que era diferente, um pouco maior. Mas estou gostando muito. Acho que vou conseguir trocar muitos brinquedos hoje”, disse.

Mãe do João, a coordenadora de eventos Francine Haceb explica que os brinquedos trocados na feira serão os presentes de Dia das Crianças do filho. “Não vou comprar brinquedo novo esse ano”, afirma. Apesar de ser a primeira vez que foi a uma feira de troca, João doa com frequência brinquedos mais antigos.

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Brinquedo usado

Negociando ativamente com diversas crianças, Pedro Henrique Uchino Martins, 10, não se incomodava com a ideia de receber um brinquedo usado como presente. “Não ligo se o brinquedo não é novo. Eu posso trocar alguma coisa que eu não uso mais por um brinquedo que vai ser legal ter”, explica. A mãe de Pedro, Gleice Uchino, que trouxe o filho e o sobrinho, Lucas, para o evento, conta que os meninos ficaram muito empolgados com a ideia. “Hoje foi a primeira vez do Pedro e do Lucas em uma feira de troca. A escola trabalha muito os conceitos de reduzir, reciclar e reutilizar. Esse evento é vivenciar essas três palavras de verdade. Achei muito importante trazê-los”, afirma.

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Nem todos sabiam exatamente como a feira funcionava. “A proposta da feira é muito interessante, mas não sabia direito como funcionava. Como não tínhamos muitos brinquedos em casa para trazer, pegamos alguns livros e viemos mesmo assim. Expliquei para meu enteado que ele já tinha lido esses livros e que outras crianças poderiam fazer uso deles também”, conta a professora Inês Pinheiro que estava com João, 5, que saiu feliz da vida com seu carrinho novo.

Rodrigo Acedo/ Fotoarena
João, 5: livros por carrinho novo

Que tal organizar a sua própria troca de brinquedos?

Não é difícil organizar uma feira. Para Gabriela, a troca de brinquedos pode ser realizada em um parque, em uma rua tranquila do bairro ou no condomínio. “Basta que as crianças estejam acompanhadas de um adulto responsável para que se reúnam com seus brinquedos e exercitem o ato da troca”, diz. A escola também pode ser parceira. “Só precisa da colaboração dos envolvidos para acontecer”.

Ela dá algumas dicas para quem quer colocar a ideia em prática. Acompanhe:

  • Defina o modelo de trocas: uma identificação dos donos junto a cada brinquedo permite que as crianças criem um vínculo. Mas também é possível expor os brinquedos sem identificação e deixar que as crianças interessadas na peça procurem o dono.
     
  • Só vale a troca com brinquedos em bom estado.
     
  • Lembre os pais de preparar o filho para a atividade: ele deve refletir se quer mesmo colocar o brinquedo à disposição para troca, para não ter choro depois.
     
  • Decida anteriormente o que fazer com os brinquedos que sobrarem: serão doados ou levados de volta por quem o trouxe?
     
  • Estabeleça um piquenique ou lanche comunitário, para confraternização entre as crianças.
     
Marque data e local com antecedência e certifique-se de divulgar bem as regras das trocas.
 


(* com reportagem de Danielle Nordi)

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