Pais devem olhar além do desempenho esperado e levar em conta fatores como localização, instalações e até alimentação da criança

Se a escola prioriza o conteúdo, a família deve estar preparada para apoiar a criança em extensos deveres de casa
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Se a escola prioriza o conteúdo, a família deve estar preparada para apoiar a criança em extensos deveres de casa

Você quer que seu filho tenha uma formação religiosa específica? Prefere que a escola seja perto do trabalho, de casa ou isso não importa? Tem com quem deixá-lo meio-período ou precisa que a escola seja integral? Veja essas e outras perguntas essenciais que os pais precisam se fazer antes de optar por uma escola para o próximo ano letivo.

1. A escola deve dar bastante ênfase ao conteúdo?

Uma das coisas mais importantes no momento da escolha da escola é conhecer a proposta pedagógica de cada instituição de ensino. Diante dessa informação é preciso se perguntar se você deseja uma formação que dê ênfase acentuada ao conteúdo. “Algumas escolas cobram muito do aluno. A família precisa analisar se está de acordo com essa exigência e se vai poder ajudar o filho a dar conta do recado”, aconselha Luciana Fevorini, orientadora educacional do Colégio Equipe, em São Paulo.

“Não tem motivo para um pai colocar o filho em uma escola que não tenha afinidade com a filosofia da família. Se os pais discordarem do projeto pedagógico certamente entrarão em conflito com os educadores”, completa Marina Alexandra Garcez Loureiro Barreto, presidente da Associação Brasileira de Educação Infantil.

2. A formação religiosa específica é importante?

Quando a criança vem de uma família religiosa os pais devem mensurar a importância que isso terá na educação dela. “Famílias que fazem questão de criar seus filhos dentro da religião devem pensar bem antes de escolher uma escola laica onde, normalmente, há discussões sobre diversos tipos de religiões abertamente”, observa Adílson Garcia, diretor do Colégio Vértice, topo do ranking do Enem em São Paulo.

3. A escola deve ser perto do trabalho, de casa ou a distância não importa?

“Alguns pais se sentem mais seguros se a escola do filho for perto do trabalho. Eles acreditam que podem chegar mais rápido se ocorrer algum problema. Outros preferem perto de casa. Longe dos dois locais fica muito mais complicado”, afirma Marina.

“A distância geográfica é muito importante, principalmente para os menores. Não tem muito sentido colocar uma criança de três ou quatro anos para transitar mais de uma hora dentro do carro. Conforme a idade aumenta esse item deve ter menos peso na escolha, desde que não existam boas opções de escola próximas”, ensina Adílson.

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4. Preciso que a escola seja de tempo integral?

Existem famílias que não têm uma rede de apoio durante o dia para que a criança possa estudar meio período e ficar o restante do tempo em casa. Se este for o seu caso, considere esse item antes de optar por uma escola. “Mesmo que a escola que oferece integral não seja perfeita, o aluno e os pais irão se adaptar”, afirma Marina.

Escolas com instalações menores podem valorizar mais o espaço
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Escolas com instalações menores podem valorizar mais o espaço

5. A escola do meu filho precisa ter espaço físico amplo?

Os pais podem ter como um dos critérios de escolha o tamanho físico da escola. Se este for o seu caso, fique atento às dicas da orientadora educacional do Colégio Equipe, Luciana Fevorini: “é preciso observar o uso que é feito desse espaço. Não adianta ter um espaço maravilhoso se as crianças ficam restritas a dois ou três pátios. Em contrapartida, algumas escolas menores fazem um ótimo aproveitamento do pouco espaço que têm.”

Além disso, observe a manutenção dos brinquedos e questione se diferentes faixas etárias convivem no local ao mesmo tempo.

6. Prefiro uma escola pequena ou grande?

“Ao entrar na escola, é muito importante a criança ter a sensação de acolhimento. Estruturas grandes nem sempre conseguem oferecer isso. Faz diferença”, avisa Adílson Garcia, diretor do Colégio Vértice.

Por outro lado, os pais precisam observar se uma escola menor não deixará seu filho muito exposto. “Algumas crianças se sentem mais em evidência quando a escola é menor e elas são chamadas a participar com mais frequência. Se for muito tímida, isso pode se tornar um problema. Cabe aos pais observarem se essa é a opção acertada”, afirma Luciana.

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7. É essencial que a escola do meu filho seja bilíngue?

“Nem todas as famílias precisam ser bilíngues. Observe as suas motivações e veja se isso realmente é importante. Se os pais pensam em mudar de país, por exemplo, é uma escolha interessante mesmo”, afirma Adílson.

“O aprendizado de uma segunda língua é importante, mas nem sempre deve ser uma prioridade. Uma criança bilíngue demora mais para falar e, às vezes, troca palavras. Os pais devem pesar e ver se estão dispostos a conviver com um possível atraso na fala dos filhos. Esse atraso não é regra, mas pode acontecer”, reforça Luciana.

8. Meu filho precisa de alimentação especial?

Não importa a razão, mas se seu filho não puder ser exposto a determinados alimentos essa proibição deve ser discutida com a escola. “A questão da alimentação é tão importante que as escolas prestam uma atenção cada vez maior nesse item. Se houver algum impeditivo ou uma preferência por certo tipos de alimentos, isso deve ser discutido de forma explícita”, aconselha Luciana.

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