As 10 frases que mais irritam as mães

Por Renata Losso - especial para o iG São Paulo

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Entre previsões escabrosas e perguntas descabidas, encare os palpiteiros com humor, mas impondo limites

Edu Cesar/Fotoarena
Daniele, com sete meses: ofertas de balas e doces feitas por desconhecidos no ponto de ônibus

Uma barriga atrai muita gente, inclusive desconhecidos que nem sempre se dão conta da própria inconveniência. Mas, segundo a consultora de etiqueta e marketing pessoal Ligia Marques, nenhuma grávida precisa se sentir na obrigação de ouvir conselhos e experiências. Para se livrar das entradas desagradáveis ou que forcem a intimidade, tanto para as mães que esperam quanto para as que já estão com a criança ao lado, a sugestão é responder com um comentário educado, mas capaz de cortar a empolgação do palpiteiro. Tudo, claro, sem perder a educação. Afinal, depois, você poderá rir ao se lembrar de todas as vezes em que ouviu…

1. “Que Deus te dê uma boa hora”

Usada até por desconhecidos no elevador, “uma boa hora” significa, no contexto, um bom parto. A intenção é boa, mas a analista de marketing Aline Mota, de 31 anos, não sabia. “Quase tive um troço da primeira vez que ouvi”, conta. No início, ela associava a frase à morte e ficava amedrontada. Mas sempre agradecia – primeiramente com cara de pavor, depois com tranquilidade. “Fui percebendo que não era só comigo, que todas as grávidas ouviam”, ri.

2. “Não coma isso que é abortivo!”

A ginecologista e obstetra Arícia Giribela, membro da diretoria da Associação de Obstetrícia e Ginecologia de São Paulo (Sogesp), afirma: “Não há nenhum alimento abortivo”. Mas quantas vezes você, mãe, ouviu que salsinha, canela ou água tônica colocariam o bebê em risco? Não se deixe enganar. Quando Aline Mota estava grávida de Miguel, hoje com dois anos, teve de resistir à vontade de tomar água tônica de lichia depois que um desinformado a chamou de maluca.

3.“Ih, parto normal, é?”

A consultora de marketing Daniele Lima de Oliveira, de 31 anos, considera ter um parto normal. Por isso, ela costuma ouvir comentários animadores que comparam a experiência à dor da morte, dizem que a anestesia não funciona e que a bexiga cai. De acordo com Marcelo Reibscheid, pediatra do Hospital e Maternidade São Luiz e autor do site “Pediatria em foco”, hoje já são feitos todos os procedimentos para nada disso acontecer.

4. “Você não prefere outro nome?”

Daniele já escolheu o nome da filha: Sara. Mas vira e mexe lhe perguntam: “Mas porque não Sofia? E Giovana? Giovana é tão bonito...”. Daniele confessa que sua vontade é de responder que a filha é dela e, sendo assim, ela dá o nome que quiser. Mas a futura mãe costuma se acalmar e seguir o conselho de Ligia Marques, explicando que ela gosta de Sara – e fim da discussão.

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Segundo a visão popular, grávidas devem estar constantemente famintas

5. “Mas você não teve nenhum desejo?!”

Nem toda gestante sente vontade de comer alimentos específicos -- o desejo por milkshake com pepino, melancia com mostarda e outras combinações folclóricas é raro. Daniele não teve até hoje, aos sete meses de gravidez, nenhum desejo. Mas ninguém acredita. “É como se eu fosse obrigada a ter desejo. Se não, não estou grávida”, conta. Nem mesmo o marido dela aceita: recentemente, ele saiu atrás de um lugar aberto para comer empada às dez da noite. “Eu disse que podia comer outro dia, era só uma vontade como outra qualquer, mas ele estava desesperado”.

6. “Com essa idade meu filho já...”

... andava e tinha todos os dentes da boca. Para a gerente de atendimento Juliana Medrano, de 30 anos, o que mais incomoda são as pessoas que comparam os próprios filhos ao dela. Ao comentar que o filho Diego, de nove meses, ainda não engatinhava, Juliana ouviu de outra mãe: “Ah, com oito meses o meu filho já até andava”.

7. “Tá com fome? Já comeu hoje? Precisa comer”

Daniele agora tem mais fome que o usual, mas nada de exagerado -- como esperam ser. Basta comentar que está pensando em comer um doce para um bolo se materializar em sua mesa de trabalho, arranjado pelos colegas. Também não é incomum pessoas desconhecidas lhe oferecerem balas ou doces no ponto de ônibus. Mas Daniele mantém sua alimentação saudável e sabe distinguir entre a gravidez e a gula – embora os outros não percebam esta diferença.

8. “O seu nariz vai virar uma batata, seu rosto vai inchar horrores”

Ninguém precisa receber informações do tipo, mesmo sem maldade. Aline já estava percebendo as mudanças do próprio corpo quando ouviu uma frase motivadora dessas. “Eu estava receosa com isso à época”, lembra. Como resposta, Aline dava uma risadinha e falava que isso não acontecia com todo mundo. Mas, no fundo, pensava: “Sai pra lá, urucubaca”.

Arquivo pessoal
Theo e a mãe Andréa: "como você aguenta?" é uma das frases que ela mais ouve

9. “Aproveita agora, porque você nunca mais vai dormir”

Pode ficar tranquila que você continuará dormindo, sim. Durante os primeiros meses a criança precisará mamar em um ritmo mais frequente, mas isso não significa que você ficará acordada a noite inteira para o resto da vida. O que acontece é ter um sono mais leve no início. “A mãe se preocupa com qualquer ruído e fica atenta às necessidades do bebê”, diz a ginecologista e obstetra Arícia Giribela.

10. “Como você aguenta?”

Autora do blog “Lagarta vira pupa”, Andréa Bonoli, de 36 anos, é mãe de Theo, um garoto autista de quatro anos de idade. Para ela, há diversas frases inadequadas que as pessoas costumam usar, mas “como você aguenta?” é uma das piores. “E ainda completam com ‘Eu não sei como você consegue’”, diz Andréa. A blogueira comenta que não tem superpoderes, mas quer que o filho seja feliz. Assim como todas as mães, que enfrentam dificuldades no dia a dia para que seus filhos vivam bem.

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