Estudo realizado na Suécia analisoudados de mais de 1,3 milhões de bebês nascidos entre 1973 e 1985

NYT

O risco também aumenta, mas não tão drasticamente, para as pessoas nascidas no final da fase prematura, ou com gestação entre 32 e 36 semanas
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O risco também aumenta, mas não tão drasticamente, para as pessoas nascidas no final da fase prematura, ou com gestação entre 32 e 36 semanas

O nascimento prematuro pode aumentar o risco para doenças mentais graves na adolescência e no início da idade adulta, segundo um estudo recente.

Os pesquisadores examinaram os registros de nascimentos e internações hospitalares de mais de 1,3 milhões de suecos nascidos entre 1973 e 1985. Eles descobriram que, comparados com os nascidos em tempo considerado normal, os jovens adultos nascidos muito prematuros – de gestações inferiores a 32 semanas – tiveram mais que o dobro de chance de serem hospitalizados por esquizofrenia ou transtornos delirantes, quase três vezes mais chances de internação por depressão grave, e sete vezes mais chances para transtorno bipolar.

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A autora principal do estudo, Chiara Nosarti, professora de neuroimagiologia no Kings College, em Londres, destacou que o aumento no risco relativo é substancial, mas que o aumento absoluto no número de pessoas com doenças não é.

"Apesar dessas descobertas", disse ela, "a maioria das pessoas nascidas prematuramente não tem problemas psiquiátricos, e o número de pessoas hospitalizadas com doenças psiquiátricas é muito baixo".

Ainda assim, acrescentou, "exames de rotina podem ajudar a detectar sinais precoces da doença".

O risco também aumenta, mas não tão drasticamente, para as pessoas nascidas no final da fase prematura, ou com gestação entre 32 e 36 semanas. Elas apresentaram 60% mais chances de serem internadas por esquizofrenia ou transtornos delirantes, 34% mais chances para o transtorno depressivo, e cerca de duas vezes mais chances de serem hospitalizadas por transtorno bipolar.

Especialistas que não estiveram envolvidos no estudo ficaram impressionados com o trabalho.

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"Este é um importante estudo epidemiológico, habilmente executado", disse Catherine Monk, professora associada de psicologia clínica na Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, que pesquisa psiquiatria perinatal e neurociência. "Ele fornece evidências convincentes de que a trajetória de nossa saúde mental começa no início do desenvolvimento."

Monk também observou que o estudo não determinou que nascer prematuramente leva inevitavelmente a uma doença mental.

"O risco encontrado ainda é baixo em um sentido absoluto e também pode ser modificado por outros fatores no desenvolvimento da criança", disse ela.

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Amostra “impressionante”

Bradley Peterson, médico diretor do Centro de Neuropsiquiatria do Desenvolvimento do Instituto de Psiquiatria do Estado de Nova York, disse que o tamanho da amostra foi "impressionante" e "estabelece níveis de confiança muito fortes para que os resultados não sejam falsos".

Os autores do estudo disseram que havia uma explicação biológica plausível para essa conclusão. O cérebro prematuro é particularmente vulnerável a lesões, e as imagens de ressonância magnética funcional de adultos jovens nascidos muito prematuros mostram interrupções em redes cerebrais semelhantes às encontradas em pacientes psiquiátricos. Além disso, fatores genéticos que por si só não levariam à doença podem ser ativados pelo nascimento prematuro.

Peterson concorda que o estudo oferece fortes evidências "de uma relação causal ao invés de simplesmente uma associação".

O estudo, publicado online no mês passado no periódico “Archives of General Psychiatry”, usou dados obstétricos do Registro Médico de Nascimentos da Suécia, que inclui informações sobre mais de 99 por cento de todos os nascimentos hospitalares ocorridos no país desde 1973 e contém informações coletadas prospectivamente de 95% das mulheres suecas que frequentaram clínicas pré-natais.

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A informação sobre as internações veio do Registro Nacional de Alta Hospitalar, que contém dados completos sobre todos os diagnósticos hospitalares. Os pesquisadores vincularam os registros de nascimento com os dados de internação, utilizando os números de identificação pessoal atribuídos a todos os cidadãos suecos.

Os cientistas consideraram dois outros resultados da gravidez, além do nascimento prematuro: peso ao nascer e índice de Apgar – uma medida geral de saúde do recém-nascido – aos cinco minutos. Ser pequeno para a idade gestacional foi significativamente associado apenas com internação por dependência de drogas ou álcool, e o índice de Apgar ligado apenas ao transtorno depressivo.

A associação da internação por doença psiquiátrica com o nascimento prematuro persistiu após o controle pelo índice de Apgar, baixo crescimento fetal, características sociodemográficas maternas e história psiquiátrica materna.

Ainda assim, os pesquisadores reconhecem que a descoberta pode ser afetada por fatores que não podem ser controlados, incluindo fatores sociodemográficos não mensuráveis, história familiar de parto prematuro, abuso materno de drogas ou fumo e infecções bacterianas ou virais.

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